Leitura da Semana

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Terceiro domingo do Advento

D. Laurence Freeman

3rd-sunday-2014

Conforme o tempo passa, é fácil para nós permitir que a virtude natural da esperança deslize para a fantasia. Nós, então, nos contentamos com falsas consolações, em vez da convicção, fruto de um puro insight, onde o que parece ser o pior pode evoluir para o melhor. Há sempre risco na esperança. E a coragem de suportar, abraçar e no final simplesmente ser.

Na esperança - que é continuamente revivificada durante as semanas do Advento, corremos o risco de sermos arrastados pela convicção - a crença que nasce da visão - que toda nossa vida está presa em Deus. Isso é de difícil compreensão e requer mesmo grande imaginação para concebe-lo em nós mesmos. É mais fácil fantasiar e sonhar porém será sempre uma falsa esperança.

A ironia é que a esperança nasce na manjedoura do desespero quando nossas falsas imagens e desejos se exauriram e já não podemos mais acreditar neles. Esvaziar-se do desejo é uma terrível transição para a realidade. Por isso tão poucas pessoas descobrem o real significado da esperança.

Nos evangelhos, os discípulos de João Batista são os protótipos da esperança evangélica. Quando Jesus aparece e João Batista o apresenta, eles fazem a escolha e seguem aquele que salva para o desconhecido, sobre o qual o único que podem afirmar é que eles sabem ser o verdadeiro.

“Ele enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para curar corações que estão partidos.”

Em uma verdadeira comunidade de fé, aprendemos que por mais longe que nos encontremos marginalizados - por mais empobrecidos e amnésicos que a vida possa ter nos deixado - e que por mais partidos e desencantados nossos corações se tornaram, a esperança está sempre presente. De fato, inevitável. Assim, o Advento não está "na ponta dos pés" esperando pelo Papai Noel aparecer. O Advento gradualmente nos relembra a insondável esperança que emerge da identificação de Deus com o reino humano e tão profundamente que é capaz de acolher e reverter até mesmo a perda da esperança.

 


 

Texto original em inglês

Third Sunday of Advent

As time passes it is easy for us to allow the natural virtue of hope to slide into fantasy. We then settle for false consolation rather than for the conviction, born of nothing but naked insight, that what seems to be the worst can evolve into the best. There is always risk in hope. And the courage to endure, embrace and in the end to simply be.

In hope – which is continually revving up during the weeks of Advent we risk being swept up in the conviction – the believing that is born of seeing – that our whole lives are held in God. It is hard to grasp this and it requires deep imagination even to articulate it to ourselves. Fantasy, wish-fulfillment is far easier but it is always a false hope.

The irony is that hope is born in the manger of despair when our false images and desires have exhausted themselves and we can believe in them no longer. To be without desire is a terrible transition into reality. That is why so few people ever discover what hope really means.

In the gospels the disciples of John the Baptist are the prototypes of evangelical hope. When Jesus appears and the Baptist points him out, they make the leap and follow the one who saves into the unknown about which the best thing they can say is that they know will be real.


"He has sent me to bring good news to the poor, to bind up hearts that are broken."

In a true community of faith we learn that however far we have been marginalised – however impoverished and amnesiac life may have left us – and however broken our dream-scattered hearts have become, hope is ever-present. Indeed inevitable. So, Advent is not waiting on tiptoe for Santa Claus to appear. It is gradually allowing ourselves to remember what unfathomable hope there emerges in God’s identifying with the human realm so fully that it embraces and reverse even the loss of hope.