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Séries de Palestras

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Quarto domingo do Advento

D. Laurence Freeman

4thsunday-2014

A história não é tão bonita quanto a temos feito parecer em nossas longas revisões e evasivas culturais. Ela começa, mesmo antes de seu nascimento, com a mácula de ilegitimidade - não é uma bonita forma para o Filho de Deus aparecer. A seguir, ele se torna um sem-teto – sem vagas na hospedaria. E depois o exílio, fugindo para salvar sua vida do açougueiro Herodes, que como os açougueiros no massacre de Peshawar ficou cego de medo e raiva.

Que estranha história para nos encher de esperança. E nós, em quem a história de fato desperta esperança - que é mais do que otimismo e muito mais do que fácil consolação – somos  encarregados  de compartilhar esta esperança com um mundo que, a cada geração e cultura se inclina para a loucura.

É dom. Não é do tipo de presente como  'compre dois, e leve três’, que nada tem de presente, apenas um bom negócio. Mas, um tipo que nos assusta, porque é verdadeiramente de graça, incondicional e não nos será retirado. Um presente como esse, que é sempre e essencialmente um dom do ser, nos amedronta.  ‘ Veio para o que era seu e os seus (que somos nós) não o receberam’. Amedronta-nos aceitar este tipo de presente, pois sabemos que, a partir de então, nossas vidas passariam a ser habitadas pelo ser do doador, e que isso iria nos transformar, capacitando-nos, também, a nos doar.

Mesmo Maria sentiu esse medo no início da história

Ela ao ouvir estas palavras, pertubou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria..’

Ela não podia entender, só ponderar e confiar. Muito há nesta apresentação de Deus no que é humano que não podemos compreender e que só podemos aprender a aceitar. A meditação é nossa forma de aceitar o dom do nosso ser e a resistência que sentimos a essa, que é das mais simples ações, é a mesma que sentimos em relação ao dom do próprio Deus na pessoa de Jesus 'em quem a plenitude da Divindade habitou encarnada'.

Tal como acontece com a meditação, quando a palavra se faz carne em nossos corações, o mesmo se dá com a fé cristã: não podemos conhecer o dom por ver a sua essência. Nunca podemos enxergar a essência, porque é a nossa própria essência da qual não podemos ficar de fora. Conhecemos  este presente por meio de suas energias, dos efeitos que tem. A liberdade do medo, a liberação de nossa capacidade de amar, a esperança que não esmaece com a adversidade e uma leveza de coração mesmo quando nossas mentes estão muito sobrecarregadas. O dom que não envelhece, que permanece e, eventualmente, nos transforma em nós mesmos. ‘Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus. '*

* (Santo Atanasio, On the Incarnation 54:3, PG 25:192B)

 


 

Texto original em inglês

Fourth Sunday Advent 2014

The story is not as nice as we have made it seem in our long cultural reworkings and evasions. It begins, even before his birth, with the slur of illegitimacy – not a nice way for the Son of God to appear. Then he becomes homeless  - no room in the inn. And then an exile, fleeing for his life from the butcher Herod who like the butchers at the massacre of Peshawar was blinded by fear and anger.

What a strange story to fill us with hope. And we in whom the story does awaken hope - that is more than optimism and much more than easy consolation - are charged with sharing this hope with a world that, in every generation and culture, veers towards madness.

It is gift. Not like the ‘buy two, get one free’ kind of gift, which is no gift at all just a good bargain. But the kind of gift that scares us because it is truly free, unconditional and will not be withdrawn. A gift like this, which is always essentially a gift of self, frightens us. ‘He came unto his own and his own (that’s us) received him not’. It scares us to accept such a gift because we know that our lives would henceforth be inhabited by the self of the giver and that this would change us by empowering us in turn to give ourselves.

Even Mary felt this fear at the very beginning of the story

She was deeply disturbed by these words and asked herself what this greeting could mean, but the angel said to her, ‘Mary, do not be afraid.’

She couldn’t explain it only ponder it and trust. There is a lot in this appearance of God in the human that we cannot understand and that we can only learn to accept. Meditation is the way we accept the gift of our being and the resistance we feel to this most simple work is the same that we feel towards the gift of God’s self in the person of Jesus ‘in whom the fullness of the Godhead dwelt embodied’.

As with meditation, when the word becomes flesh in our hearts, so with Christian faith: we cannot know the gift by seeing its essence. We can never see the essence because it is our own essence which we can never stand outside. We know this gift through its energies, the effects it has. The freedom from fear, the release of our capacity to love, hope undimmed by adversity and a lightness of heart even when our minds are heavily burdened. The gift that does not grow stale, that stays and eventually changes us into itself. ‘God became human so that human beings might become God.’ [1]



[1] [1](St Athanasius, On the Incarnation 54:3, PG 25:192B)