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Terceiro Domingo do Advento

D. Laurence Freeman

Não existe nada mais encantador que uma criança que espera ansiosamente por alguma coisa com a total convicção de que o que está por vir será a mais sublime alegria. O evangelho de hoje nos diz, bem discretamente, que havia um ‘sentimento de expectativa’ entre as pessoas quando ouviram a boa notícia dos lábios de João Batista. Sua verdade dele as motivou a ousar ter esperança. 

Nós vemos isso em campanhas presidenciais, quando alguns messias de vida breve emergem das primárias e duram até o momento em que as grandes esperanças do povo são mais uma vez frustradas. Não há nada mais triste que alguém que ousou ter esperança e viveu para ver suas expectativas destruídas, ficando apenas com os fragmentos de uma fantasia que agora alimenta o pessimismo e o desespero.

A boa notícia que mexeu com as expectativas do povo e o preparou para o grande, porém perturbador desafio que Jesus viria a ser era, na verdade, bastante óbvia. Perguntavam a João, o profeta do momento: “O que devemos fazer?” É uma maravilhosa pergunta que nunca se afasta do nosso pensamento. Sua resposta, contudo, era muito pé no chão — que é exatamente onde ansiamos pisar quando passamos muito tempo em exílio na fantasia: sejam generosos com os desfavorecidos e justos com aqueles com quem negociam; sejam amáveis e fiquem satisfeitos com o que têm, se tiverem o suficiente.

Por que estes conselhos soam tão verdadeiros, tanto naquela época como agora, e despertam tamanha esperança? Porque revelam um fundamento autêntico para a esperança, bem como a verdadeira natureza da expectativa. Assim como o espírito da quaresma é encontrar uma ascese saudável, o advento diz respeito à ousadia de ter esperança de forma realista. Muitas ilusões têm que ser destruídas e castelos de areia de sonho desfeitos antes que comecemos a ver o que a esperança realmente significa. Para o meditante, o mantra funciona como um persistente trator sobre castelos de areia e ilustra por que a consciência contemplativa é o caminho mais rápido para o grande e civilizador valor humano da esperança. 

A maldição do terrorismo exterior, que mata inocentes em seus locais de trabalho ou lazer, é muito parecida com o terrorismo da exploração social e da corrupção econômica. Ambos destroem a esperança e substituem a expectativa pelo medo e a revolta. A boa notícia é que há realmente alguma coisa a esperar e ela não vai nos decepcionar. Ela vem do distante presente. Quando vem, ou quando estamos presentes para ela, podemos não reconhecê-la, pois nos parece comum demais. Mas sabemos que é aquilo que temos esperado porque nos modifica, enquanto tentamos lentamente descobrir o que é e o que significa. 

Se a quaresma tem a ver com autocontrole, o advento está ligado à paciência. Mas ambos são muito mais alegres e positivos do que parecem. Tanto a criança que anseia pelos presentes de natal quanto o adulto que anseia pelo presente que é o natal estão praticando a coragem de ter esperança e a fidelidade da espera.

A preparação para a encarnação começa com 'uma voz que clama no deserto'. No evangelho de hoje é João Batista quem primeiro reconhece o que temos esperado tão ansiosamente. Ele é a voz. Jesus é a palavra. A voz que a voz comunica através do ar puro do deserto silencioso e ermo. 

A palavra 'ermo' em grego é eremos, um lugar desabitado. É daí que vem 'eremita', significando alguém que vive na solitude. Na meditação somos todos solitários.

A meditação nos leva à região erma, a um lugar não habitado por pensamentos, opiniões, conflitos de imagens e desejos. É o lugar pelo qual ansiamos por conta da paz e da pureza que oferece. Aqui encontramos a verdade. Mas ele também nos aterroriza por causa do que tememos perder ou encontrar por lá.

Quanto mais penetramos no deserto, na solitude do coração, mais nos desaceleramos. Quando a atividade mental diminui, o tempo se desacelera até o ponto em que há somente quietude — uma quietude viva e amorosa. Aqui, pela primeira vez, podemos escutar o silêncio sem medo. A palavra emerge desse silêncio. Ela nos toca e se encarna em nós. Ela se faz carne em nós e nos torna inteiramente encarnados e reais no presente. 

Somente aqui, onde interrompemos toda a comunicação com as multidões barulhentas, zombeteiras e instáveis que habitam a nossa mente é que conseguimos entender o que significa 'fugir do mundo'. O que isso não significa é escapismo ou fuga das responsabilidades. Significa entrar na solitude onde nos damos conta do quanto estamos inteira e inescapavelmente encarnados e inseridos na teia universal dos relacionamentos.

No monaquismo do deserto do século IV, quanto mais velhos ficavam os monges, mais profundamente mergulhavam no deserto. E o mundo os seguia, atraído pela beleza incomparável e tangível daquilo que o esperava.