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Segunda Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Segunda Semana do Advento 2016

Na semana passada nós olhamos para o Advento como uma iluminação do desejo. Os seres humanos, que são criaturas do desejo, experimentam crescimento na auto-transcedência e por meio da transformação do desejo - o que nós queremos e como nós perseguimos o que almejamos.

Em algum momento, nós percebemos que não queremos somente aquilo de que gostamos, mas que nós queremos a felicidade dos outros. Neste auto-reconhecimento nós nos expandimos dentro do reino, livres da órbita auto-centrada de nosso sofrimento, produzido por nós mesmos. O catalisador desta transformação é a descoberta progressiva de que somos desejados por um amor maior do que nossas fantasias mais extremas.

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O advento é um tempo para sentir como este desejo que vai além do horizonte alcançado por nossa imaginação está acelerando em nossa direção com toda a doce majestade de sua quietude. Tudo isso é poesia até começarmos a meditar. Então torna-se "experiência" - mas além de tudo o que normalmente pensamos ser experiência. Os primeiros pensadores Cristãos que desenharam a planta arquitetônica desta teologia mudaram a nossa antropologia no processo. A forma pela qual entendemos Deus muda a forma pela qual nos sentimos sobre nós mesmos. São Gregório de Nazianzo, por exemplo, escreveu no século 4 que, em Jesus, a Palavra de Deus se torna a sua própria imagem no humano, "para uni-lo a uma alma inteligente... para purificar o semelhante pelo semelhante" (sermão 45). Este pensamento nos ajuda a imaginar este mistério central da fé Cristã a partir de uma visão interior e também como um evento externo.

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Deus assume uma forma humana além mesmo do horizonte mais insondável do cosmos. Mas este horizonte está igualmente presente no mais profundo e mais brilhante mistério da alma humana. Então podemos falar de dois nascimentos da Palavra -- em Deus eternamente e em minha alma limitada pelo tempo. E isto, em três ondas, no grande Começo de todas as coisas, em Belém em alguma data desconhecida e no imprevisível final dos tempos. O truque do nosso Advento neste ano do Senhor de 2016 é relacionar tudo isso com a histeria da Black Friday, com a ostentação e o sentimentalismo e com as árvores de Natal nos locais públicos - ou de forma contundente fazer uma distinção entre estas dimensões.
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Esta vinda do Senhor na forma humana, do além e de dentro, é a grande revolução da inteligência humana. Uma vez tendo começado a considerar o assunto, nunca mais seremos os mesmos. Isso redefine poder e fraqueza, riqueza e pobreza, tempo e eternidade. Em outras palavras, a Palavra que se faz carne explode a bomba de fissão do paradoxo da realidade. Ela nunca mais nos permitirá a indulgência barata de respostas dualistas. Fomos mergulhados na realidade que é mais profunda do que o átomo.

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Isso nos atrai quase tanto quanto no aterroriza. Mas neste advento - e em nosso encontro com o que vem até nós, descobrimos a alegria de viver, a liberdade de amar e o supremo prazer de compartilhar da vida da fonte de nós mesmos.
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Na Amazônia existe um local onde os dois grandes rios, o Amazonas e o Rio Negro, se encontram. A confluência deles é dramática, o rio negro e o rio com coloração de areia. Por seis kilômetros eles correm lado-a-lado sem se misturar por causa das diferenças de temperatura e de velocidade de corrente. Mas eles finalmente se reconhecem como água, e se tornam um.

 


 

Original em inglês

Week 2 Advent
2016

Last week we looked at Advent as an illumination of desire. Human beings, who are creatures of desire, experience growth in self-transcendence and through the transformation of desire – what we want and how we pursue it. Eventually, we see that we do not want only what we like but we want the happiness of others. In that self-recognition we expand into the kingdom, free form the self-centred orbit of our self-made suffering. The catalyst for this transformation is to discover progressively that we are desired by a love beyond our wildest fantasies.

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Advent is a time to sense how this desire beyond the event horizon of our imagination is hurtling towards us in all the sweet majesty of its stillness. All of this is poetry until we meditate. Then it becomes ‘experience’ - but beyond all that we normally think of as experience. The early Christian thinkers who drew the ground-plan of this theology changed our anthropology in the process. The way we understand God changes the way we feel about ourselves. St Gregory Nazianzen, for example, wrote in the 4th century that in Jesus the Word of God comes to its own image in the human, ‘to unite himself to an intelligent soul.. to purify like by like’. This insight helps us imagine this core mystery of Christian faith from the inside as well as an external event.

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God forms into the human even beyond the event horizon of the cosmos. But that horizon is equally present in the deepest and brightest mystery of the human soul. Thus we can speak of the two births of the Word - in God eternally and in my time-bound soul. And it comes in three waves, in the great Beginning of all things, in Bethlehem on some unknown date and at the unpredictable end of time. The trick of our Advent this year of the Lord 2016 is to relate all this to Black Friday hysteria, to tinsel and sentimentality and to Christmas trees in public squares – or rather sharply to distinguish them.

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This coming of God into the human, from beyond and from within, is the great revolution of human intelligence. Once we have started to consider it we are never the same. It redefines power and weakness, richness and poverty, time and eternity. In other words, the Word made flesh explodes the fission bomb of the paradox of reality. It will never allow us again the cheap indulgence of dualistic answers. We have been plunged into the reality that is deeper than the atom.

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We are drawn to this almost in the same measure as we dread it. But in this advent – and our meeting with what comes towards us we discover the joy of being, the freedom to love and the supreme delight of sharing in the life of the source of our selves.
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In Amazonia there is a stretch where the two great rivers of the Amazon and Rio Negro meet. Their confluence is dramatic, the black river and the sandy-coloured river. For six kilometres they run side by side without mixing because of the differences in temperature and flow speed. But eventually they recognise each other as water and become one.