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Primeira Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Primeiro Domingo do Advento 2017

(3 de Dezembro. Is 63,16b-17,19b; 64,2-7; 1Cor 1,3-9; Mc 13,33-37)

Profetas não são adivinhadores, por mais que nós secretamente desejemos saber o que vai acontecer - ou pensar que podemos ver o futuro. Isaías é um profeta e a sua dádiva para nós não é uma previsão, mas sim um lembrete - um lembrete urgente - de estarmos realmente, totalmente presentes. Ele é alguém que vivenciou Deus e não consegue tirar Deus da sua mente - ainda que, como qualquer um que acredita em Deus, algumas vezes ele gostaria de estar livre d'Ele.

Isaías lida com isso fazendo a seguinte pergunta daquele que procura a Deus: "por que Você deixa que nós nos afastemos dos seus caminhos e deixa que nossos corações se endureçam?"

Nós não vamos obter respostas definitivas para este tipo de pergunta, mas só o ato de fazer a pergunta ajuda a esclarecer o dilema humano. Se Deus é Deus - bom, amoroso, preocupado conosco - por que nós saímos do caminho tão facilmente, tão impiedosamente e tão frequentemente? Por que esta situação na Síria? Por que temos tráfico humano? Por que existem prisioneiros políticos e tortura? Por que existem paraísos fiscais? Por que as divisões políticas acentuadas na Europa e nos Estados Unidos? Com o início do Advento, esta é uma boa pergunta para se ter em mente e para manter nossa espera cada vez mais, e não cada vez menos, consciente. "Advento" significa que alguma coisa está vindo e, boa ou má, vem em nossa direção.

Isaías anseia por um tempo em que seríamos "plenamente atentos a Você em nossos caminhos", ao invés de constantemente esquecendo de que "somos o barro e Você o oleiro." Então talvez a resposta para a falha humana de ser humano não está em Deus, mas está em nós e especialmente em nosso esquecimento.

Então, hoje e em todo este período, Jesus tem uma palavra para nós: vigiar. Significa fazer um esforço para ver, prestar atenção, olhar para os dois lados, estar alerta o tempo todo. Vigilância é uma virtude antiga. Não significa colocar mais palavras, planos, relatórios, reuniões e projeções. Se somos vigilantes estas coisas serão piedosamente reduzidas e nossa capacidade de tomar decisões e de colaboração serão amplamente melhoradas. Vigiar significa simultaneamente manter o foco e aumentar o nosso campo de percepção. Se este ato de equilíbrio é perdido, nós nos tornamos distraídos ou obsessivos. Então tudo se perde.

Então a solução para a pergunta de Isaías não é uma solução, mas uma resposta. A resposta é uma mudança de comportamento, uma prática. O mantra coordena isso para a pessoa que pratica meditação. O sinal de que estamos vigilantes é o que Paulo, na segunda leitura de hoje, observa com gratidão espontânea: "agradecer que a nós não falta nenhum dom espiritual." É realmente e presentemente tudo dado, se conseguirmos enxergar.

(Eu estava procurando Marcos Capítulo 13 para revisar o texto em Grego e coloquei no Google "Mk 13" (Mc 13, em Inglês). O resultado da busca me mostrou um rifle de atirador utilizado pelos Fuzileiros Navais dos EUA. Este é um tipo de vigilância, mas não a que devemos trabalhar durante o Advento.)

 


 

Original em inglês

Advent Week One (December 3rd  Is 63:16b-17,19b, 64:2-7; 1Cor 1:3-9; Mk 13:33-37)

Prophets are not fortune-tellers, much as we secretly crave to know what’s going to happen – or to think that we could see into the future. Isaiah is a prophet and his gift to us is not a prediction but a reminder – an urgent one – to be really, fully present. He is someone who has experienced God and can’t get God out of his mind – although, like any God-believer, at times he would like to be free of God. Isaiah deals with this by asking this searching question of God: ‘why do you let us wander from your ways and let our hearts harden?’

We won’t get final answers to this kind of question, but just asking helps powerfully to clarify the human dilemma. If God is God – good, loving, caring for us – why do we go off-track so easily, so ruthlessly and so often? Why Syria? Why human trafficking? Why political prisoners and torture? Why off-shore tax havens? For that matter, why the hardening divisions associated with American and European politics? As Advent begins, this is a good question to keep fresh and to keep our waiting increasingly, not decreasingly, conscious. ‘Advent’ means that something is coming and, good or bad, is heading straight for us.

Isaiah yearns for a time when we would be ‘mindful of you in our ways,’ rather than constantly forgetting that ‘we are the clay and you the potter.’ So perhaps the answer to the human failure to be humane is not in God but in us and especially in our forgetfulness.

So, today and throughout this season, Jesus has one word for us: watch. It means make an effort to see, take heed, look both ways, be alert at all times. Watchfulness is an ancient virtue. It does not mean packing in more words, plans, reports, meetings and projections. If we are watchful these will be mercifully reduced and our decision-making and collaboration greatly enhanced. To watch means simultaneously keeping focused and expanding our field of awareness. If this balancing act is lost, we become either distracted or obsessive. Then everything falls apart.

So the answer to Isaiah’s question is not an answer, but a response. The response is a change in behaviour, a practice. The mantra coordinates that for the meditator. The sign that we are watching is what Paul, in today’s second reading, observes with spontaneous gratitude: ‘giving thanks that we do not lack any spiritual gift.’ It’s really and presently all given if we can but see it.

(I was looking up Mark Chapter 13 to check the Greek text and googled ‘Mk 13’. The search showed me a ‘bolt-action sniper’s rifle’ used by the US Seals. That’s one kind of watchfulness but not the one we should work on during Advent.)