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Quarta Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Quarta Semana do Advento 2017

(2 Sm 7, 1-5.8b-12.14a-16; Rm 16, 25-27; Lc 1, 26-28)
Foto: Laurence Freeman

Na sua pior forma – o  que acontece muito – a religião controla Deus e o trata de forma paternalista. Em vez de remover os bloqueios humanos e libertar o espírito nos assuntos dos homens, pode facilmente excluir o divino. Os líderes religiosos frequentemente falam por Deus, dizendo aos outros o que Deus quer e não quer sem se exponham ao risco de encontrar Deus diretamente.

É o que Davi faz na primeira leitura. Ele vence suas batalhas, se acomoda no seu reino e depois pensa: ”Acho que eu devia construir uma casa boa e grande para Deus viver, que será o Templo. Que boa ideia!” Mas Deus o coloca no seu devido lugar (embora mais gentilmente do que ele merece). ”Você acha que pode me colocar numa casa? Eu é que abençoo você; não é você que me abençoa. Mas você vai descobrir que vou impregnar todas as áreas da sua vida. É lá que eu estou e sempre estarei. Em você e na vida.“

Paulo, o ex-fanático religioso, entendeu isso depois de seu ataque de cegueira e colapso nervoso. A verdade é mais ampla, mais profunda, mais larga e longa do que jamais conseguiremos expressar. O melhor que podemos fazer é tentar expressar nosso maravilhamento crescente. E isso é simplesmente o que ”louvar a Deus“ significa.

O evangelho de hoje, da Anunciação, mostra como a presença de Deus, na terra e no cosmos, cumula-se no particular. Há uma placa em Nazaré, marcando o lugar onde Maria supostamente recebeu seu visitante angélico. Nela se lê: “Et Verbum Caro Factum Est”: aqui, nesta minúscula parte da terra, o Verbo de Deus, infinito e eterno, se fez carne. O mensageiro explicou a Maria seu destino. Ela, jovem e escondida, seria a casa em que Deus habita. Ela ficou assustada e confusa, mas foi consciente e receptiva. Pensou naquilo e depois fez uma pergunta: Como isto pode acontecer comigo, que ainda sou virgem?

Parece um simples conto de fadas e é visto como tal em peças de natal feitas por crianças em todo o mundo. O conto, no entanto, não é só simples: é profundo e misterioso. A profundidade com que ele nos toca depende de conseguirmos suspender nosso ceticismo e nos permitir ser varridos para além daquela dicotomia reservada entre mítico e literal, chegando a uma revelação que nos penetra e habita em nós para sempre.

”A experiência é a melhor prova» disso e de todo o resto. Se pudermos ouvir, nos conscientizar e depois dizer sim ao que está além do conhecimento comum (dualista), não teremos uma experiência: nós seremos a experiência.

A celebração plena do natal depende de nos rendermos a isso que não é uma rejeição da inteligência, mas uma abertura da mente ao mistério que habita no coração. Maria não sabia o que tudo aquilo significava e talvez nunca tenha conseguido entender por completo. Mas ela nos ensina o caminho contemplativo quando simplesmente concorda com aquilo que é e sabe o que não conhece – como fazemos na meditação. Seu fiat, ”seja feito conforme a tua palavra”, permite que o cosmos se torne materialmente o templo em que Deus mergulha, tornando-se não somente Deus, mas também humano. Nada mais será o mesmo novamente.



 

Original em inglês

Advent Week Four

(December 24th  2Sm 7:1-5,8b-12,14a-16; Rom 16:25-27; Lk 1:26-28)

At its worst, which happens a lot, religion controls and patronises God. Rather than removing the human blocks and setting the spirit free in human affairs it can easily exclude the divine. Religious leaders often speak for God, telling others what God wants and doesn’t want, without ever exposing themselves to the risk of meeting God directly.

This is what David does in the first reading. He has won his battles and settled into his kingdom and then thinks ‘Oh, I should build a nice big house for God to live in which will be the Temple. What a good idea’. But God – more gently than he deserves -  puts him down. ‘Do you think you can put me in a house? I bless you, not you me. But you will find me pervading everywhere in your life. That’s where I am and will always be. In you and in life.’  

Paul, the former religious bigot, understood this after his transformative bout of blindness and a nervous breakdown. The truth is wider, deeper, broader and longer than can ever be expressed. The best we can do is try to express our growing wonder. And that is simply what ‘praising God’ means.

Today’s gospel of the Annunciation shows how the homeless presence of God, on earth and in the cosmos, saturates into the particular. There is a plaque in Nazareth, marking the supposed spot where Mary received her angelic visitor. It reads, ‘Et Verbum Caro Factum Est’: Here on this tiny piece of earth the infinite and eternal Word of God became flesh. The messenger explained to her her destiny. She, young and obscure, would be the house in which God dwells. She is frightened and confused. But she was conscious and responsive. She thought about it and then asked a question – how can this happen to me who am still a virgin?

It sounds like a simple fairy-tale and it is seen as such in nativity plays acted by little children around the world. The tale, however, is not only simple but profound and mysterious. How deeply it touches us, depends on whether we can suspend our scepticism and allow ourselves to be swept beyond the reserved mythical-literal dichotomy into a revelation that enters us and dwells in us for ever after.

‘Experience is the best proof’ of this and of everything else. If we can listen, be conscious and then say yes to what is beyond ordinary (dualistic) knowledge, we don’t have an experience. We become the experience.

The full celebration of Christmas depends on this surrender that is not a rejection of intelligence but an opening of the mind to the mystery dwelling in the heart. Mary doesn’t know what it all means and maybe she never did. But she teaches us the contemplative way when she simply assents to what is and knows what she doesn’t know - as we do in meditation. Her fiat, ‘may it be done to me according to your word’ allows the cosmos, materially, to become the temple that God soaks into by becoming, not only God but also human. No thing will ever be the same again.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.