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Primeira Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Primeiro Domingo do Advento 2018

Lucas 21, 25-28; 34-36
Aquele dia cairá repentinamente sobre vocês como uma armadilha

Jesus disse a seus discípulos: “Haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; na Terra, a angústia tomará conta das nações perturbadas pelo bramir do mar e das ondas; as pessoas desmaiarão de medo e ansiedade pelo que virá sobre a terra, pois as forças do céu serão abaladas. Aí verão o Filho do homem vir numa nuvem com grande poder e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, tomai ânimo e levantai a cabeça porque se aproxima a libertação.

Estai atentos, para que o vosso coração não fique insensível por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e não vos surpreenda aquele dia, pois ele cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra. Vigiai sempre e orai para escapardes a tudo que há de vir e comparecerdes diante do Filho do homem."

Para aqueles que são não apenas admiradores, mas discípulos, Jesus é sadhguru, o mestre essencial da busca humana. Fé é relacionamento. A única companheira de jornada da vida humana, que nos resgata do isolamento enquanto nos livra de suforcarmos na multidão. Como qualquer relacionamento fiel, o discipulado evolui, adquirindo diversas formas, tornando-se uma união mais profunda, levando-nos através do pior que nos possa suceder.

Como nosso centro de gravidade, Jesus nos identifica – para nós mesmos – como “discípulos”. Do latim, discere,aprender. Com frequência vemos Jesus falando direta e intimamente com seus discípulos, de maneira diferente de sua voz pública. Ele anseia partilhar conosco tudo aquilo que aprendeu como discípulo do Pai. Seu anseio pelo nosso entendimento traz uma revolução religiosa histórica para o discipulado e nosso sentido de Deus: “Eu não os chamo mais de servos, mas de amigos, porque eu partilhei com vocês tudo o que aprendi do Pai”. Não se pode temer um amigo.

Começamos a jornada do Advento ouvindo o que Ele diz sobre o fim do mundo, nosso mundo particular, o mundo planetário, todos os tipos de mundo. É apocalíptico. Acabo de assistir ao filme icônico sobre a guerra do Vietnam – Appocalypse Now, de Coppola. Baseado no livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad, o clímax do filme se dá com a representação de um remoto acampamento rio acima no Cambodja, onde o renegado coronel Kurtz, norte-americano, comanda de modo insano um exército demente, governado pelo medo. Ele está em sofrimento psíquico alucinado, mas sua mente está assustadoramente clara. O horror e as atrocidades da guerra levaram-no ao limite. O horror então tornou-se interno contra ele mesmo e externo contra o mundo. Marlon Brando diz a famosa frase “o horror, o horror” com uma fria convicção, pior do que qualquer filme de terror.

Jesus adverte os discípulos a estarem preparados para o horror. Sua linguagem deveria evocar o medo de um apocalipse ecológico, cujos primeiros sinais vemos nos incêndios da Califórnia, nas enchentes, na destruição florestal, na poluição dos oceanos come plástico, na mudança climática e derretimento das calotas polares. Negar é a primeira reação, por medo da morte. Mas o medo inevitável se cristaliza, corrompendo todos os relacionamentos. Por trás de toda manifestação de medo está o horror da Perda, a morte trazida por cada perda que sofremos. Os homens morrem de medo, diz Jesus. Porque o medo nos priva da capacidade de amar.

A seus discípulos, ele concede seu comando libertador. Ele não diz "vocês pecadores têm mesmo muito a temer". Ele diz “não temam”. Seja correto, dignificado na sua divina humanidade. E “esperem”. É este o ensinamento central do Advento: aprender a esperar. A espera é uma prática que se aprende, como a meditação.

A melhor resposta ao “horror” ou ao medo é esperar que se liberte o recurso guardado da esperança. A espera é auto-controle, cuidado com nossa saúde mental e serenidade, evitando os excessos, obsessões e ansiedade: a espera consciente do discípulo, não a impaciência frenética do consumidor. "Mantenha-se consciente", ele nos diz e "ore em todos os momentos". Este é outro tema central do Advento: manter-se no estado de oração contínua. Os tempos de meditação diária desenvolve este estado.

No início de nossa preparação para o Natal, aprendemos, pelo menos, que não estamos esperando o Papai Noel.

 


 

Original em inglês

First Week of Advent

Luke 21:25-28, 34-36
That day will be sprung on you suddenly, like a trap
Jesus said to his disciples: ‘There will be signs in the sun and moon and stars; on earth nations in agony, bewildered by the clamour of the ocean and its waves; men dying of fear as they await what menaces the world, for the powers of heaven will be shaken. Then they will see the Son of Man coming in a cloud with power and great glory. When these things begin to take place, stand erect, hold your heads high, because your liberation is near at hand.
‘Watch yourselves, or your hearts will be coarsened with debauchery and drunkenness and the cares of life, and that day will be sprung on you suddenly, like a trap. For it will come down on every living person on the face of the earth. Stay awake, praying at all times for the strength to survive all that is going to happen, and to stand with confidence before the Son of Man.’
_________________________________
For those for who are, not just admirers, but disciples Jesus is the sadguru, the root teacher of the human quest. Faith is relationship. A unique companionship on life’s journey rescuing us from isolation while freeing us from suffocation by the crowd. Like any faithful relationship, discipleship evolves, taking many forms, becoming a deeper union, taking us through the worst that can befall us.

As our centre of gravity Jesus identifies us - to ourselves - as ‘disciples’. From the Latin discere, to learn. Often we see Jesus speaking directly and intimately to his disciples differently from his public voice. He longs to share with us everything he has learned as a disciple to the Father. His longing for us to understand brings a historic religious revolution to discipleship and our sense of God: ‘I call you servants no longer but friends, because I have shared with you everything I have learned for the Father.’ You cannot fear a friend.

We begin the quest of Advent by listening to what he says about the end of the world, our private world, the planetary world, every kind of world. It is apocalyptic. I have just watched the iconic film about the Vietnam war – Coppola’s Apocalypse Now. Based on Joseph Conrad’s novel Heart of Darkness, the film climaxes with the depiction of the remote upriver settlement in Cambodia where the renegade American Colonel Kurtz presides insanely over a deranged army governed by fear. He is in profound psychic pain, but his mind is frighteningly clear. The horror and atrocities of war pushed him over the edge. The horror then turned inwards against himself and outwards to the world. Marlon Brando says the famous words ‘the horror, the horror’ with chilling conviction worse than any horror film.

Jesus warns his disciples to be prepared for the horror. His language should evoke our fear of an ecological apocalypse, the first signs of which we see in the Californian fires, the floods, the deforestation, the plastic-polluted oceans, the change of seasons and melting ice caps. Denial is the first reaction to the fear of death. But the inescapable fear will build, disrupting all relationships. Behind every manifestation of fear is the horror of loss, the death aroused by every loss we undergo. Men die of fear, Jesus says. Because fear deprives us of the capacity for love.

To his disciples he imparts his liberating command. He doesn’t say you sinners have much to fear. He says ‘do not fear’. Be upright, dignified in your divine humanity. And ‘wait’. This is a core teaching of Advent: to learn to wait. Waiting is a learned practice, like meditation.

The best response to the ‘horror’ of fear is to wait as this releases the hidden resource of hope. Waiting is self-control, care for our mental health and equanimity, avoiding excess, addiction and anxiety: the conscious and hopeful waiting of the disciple not the frenetic impatience of the consumer. Stay conscious, he tells us, and pray at all times. This is the other core theme of Advent: to be in the state of continuous prayer. The daily times of meditation develop this state.

At the beginning of our preparation for Christmas, we have at least learned we are not waiting for Santa Claus.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.