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Primeira Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Advento 2019 primeiro domingo

O relógio começa a marcar o tempo para o Natal. Agora.

Se nós perdessemos todo o senso do tempo sagrado, a vida seria de fato uma paisagem árida na qual nos arrastaríamos. Se tornaria apenas um ciclo entediante de trabalho, feriados, compras, entretenimento, resolução de problemas, sempre marcada por um senso de incompletude ou perda. O tempo sagrado derrama cor (roxa para o Advento) em um mundo tão monocromático. Ele produz um senso de expectativa, uma certeza com incerteza, uma empolgação com uma revelação iminente da realidade que não vai desapontar ou que nunca se provará ilusória.

O tempo sagrado do Advento não promete apenas isso: ele insiste que alguma coisa ou alguém real está se aproximando de nós através do terreno da vida. Nós jogamos o jogo do tempo sagrado e aprendemos diretamente com a seriedade que apenas um jogo pode ensinar. Nós estamos esperando para ver o que ou quem está vindo e lidamos com a dúvida desconfortável (que facilmente se torna uma pílula amarga) de que talvez nada chegue e nada faria nossa espera vazia ainda mais solitária. Se nada chegar, nós estamos sozinhos de novo. Mas, se nós nos tornamos menos e menos atormentados por possessões e apegos, então a espera será recompensada. Porque quem quer que seja ou o que quer que seja que esteja se movendo pelo tempo em nossa direção está esperando pelo encontro, o reconhecimento e o abraço que dá boas vindas para a nova chegada. E quando quer que chegue será – literalmente – incrível.

O Advento nos oferece um tempo sagrado para refletir, várias vezes ao dia se assim desejarmos, sobre quão conscientemente estamos vivendo. Na vida comum nós raramente refletimos sobre as coisas mais profundas por mais do que alguns momentos roubados do dia-a-dia. A reflexão começa com auto-questionamento. Estamos aceitando totalmente o momento no qual estamos ou fantasiamos sobre alguma coisa no passado ou no futuro? Estamos realmente esperando? Estar realmente no presente significa esperar, ser real e saber através da sabedoria que brota da quietude que aquilo pelo qual esperamos já chegou. Este tipo de espera é esperança real – não a mistura usual de fantasias e desejos – mas a certeza central de que o resultado final já aconteceu e está esperando para nascer no tempo e nas circunstâncias. Alcançar este estado demanda uma renúncia severa e repetida frequentemente da ilusão e de toda imaginação egocêntrica. A ilusão toma novas formas e reaparece constantemente. Portanto, precisamos de uma prática regular. E, se enfatizarmos a fidelidade ao nosso compromisso duas vezes ao dia com a realidade nas próximas semanas, será um tempo bem investido.

Estamos realmente esperando? Ou, estamos fugindo da dúvida de que nada está acontecendo neste silêncio e quietude? Esperar não é pensar sobre nosso senso de separação ou incompletude, ou alimentar o medo de que nunca seremos completos. Esperar significa abandonar estes pensamentos e sentimentos obssessivos e romper a órbita do ego amedontrado. Significa ceder à emoção de preenchimento e à beleza que derrete o coração de Cristo sendo formado em nós agora e que irá, com certeza, nascer no tempo. Advento, então, é sobre esperar pelo amor. Mas, como Rumi disse, “amantes não apenas finalmente se encontram em algum lugar. Eles sempre estiveram um dentro do outro.”

 

 


 

Advent Readings 2019
Laurence Freeman

First Week of Advent

The clock starts ticking for Christmas.. now.

If we lacked all sense of sacred time life would indeed be a bleak landscape to trudge across. It would become only a tedious cycle of work, holiday, shopping, entertainment, problem-solving, ever running from a gnawing sense of incompleteness or loss. Sacred time pours colour (purple for Advent) over such a monochrome world. It stirs a sense of expectancy, a certainty within uncertainty, an excitement of an imminent revelation of reality that will not disappoint or ever prove to be illusory.

The sacred time of Advent doesn’t just promise this: it insists that something or someone real is approaching us across the terrain of life. We play the game of sacred time and learn directly that serious that only play can give. We are waiting to see what or who is coming and deal with the niggling doubt (that easily becomes a bitter pill) that nothing may come and nothing would make our empty waiting more lonely still. If nothing comes, we are alone again. But, if we become less and less burdened by possessions and attachments, then waiting will be reciprocated. Because whoever or whatever is moving through time towards us is waiting for the encounter, the recognition and the embrace that welcomes the new arrival. And whenever it comes it will be – literally – amazing.

Advent offers us a sacred time to reflect, several times daily if we wish, on how consciously we are living. In ordinary life we barely manage to reflect on deeper things for more than a few moments snatched from busyness. Reflection begins with self-questioning. Are we fully accepting the moment we are in or fantasizing about something in the past or future? Are we really waiting? To be truly in the present means to wait, to be real and to know with the wisdom arising in stillness that what we are waiting for has already arrived. This kind of waiting is real hope – not the usual compound of daydreams and desires – but the core certainty that the final outcome has already happened and is waiting to be born in time and circumstances. To reach this state demands a frequently repeated and at times excruciating renunciation of illusion and all self-serving imagination. Illusion re-forms and reappears constantly. Hence, we need a regular practice. And, if we emphasise fidelity to our twice-daily appointment with reality in the next few weeks, it would be time well spent

Are we really waiting? Or, are we running away from the doubt that nothing is happening in this stillness and silence? Waiting is not thinking about our sense of separation or incompleteness, or indulging the fear we will never be whole. Waiting means giving up these obsessive thoughts and feelings and breaking out of the orbit of the fearful ego. It means yielding to the thrill of fulfilment and the heart-melting beauty of Christ being formed in us now and who will, for sure, be born in time. Advent, then, is about waiting for love. But as Rumi said, ‘lovers don’t just finally meet somewhere. They are in each other all along.’