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A Prece da Fé

A meditação é, acima de tudo, a prece da fé.  Conhecemos Cristo, principalmente, não através do pensamento, mas, através da fé.  A meditação, a prece pura, é a prece da fé.  Deixando para trás os pensamentos, as palavras e, assim por diante, somos deixados com a palavra, o mantra, a ação de pura fé.  Isso nos faz compreender, por experiência, o que é a fé.  A fé não é o nosso conjunto de crenças.  A fé não é o mesmo que a nossa teologia.  A fé é nosso relacionamento com outra pessoa.  A fé é nossa capacidade de manter um relacionamento.  Dizemos, por exemplo, que somos fiéis à nossa comunidade, fiéis no casamento, fiéis na amizade.  Fé é a capacidade que temos, e o dom que recebemos, de manter um relacionamento.  Só podemos conhecer outra pessoa, se mantivermos com ela um relacionamento.  Aqui não se trata tanto dos pensamentos que abrigamos, mas, do relacionamento que abrigamos.

Em grande parte, fomos iniciados em nosso relacionamento com Cristo, ainda crianças. 

Jesus era como um amigo da família, um dos adultos de nossa família, amigo de nossos pais, sacerdotes e professores.  Ao amadurecermos, passamos a conhecer esse amigo da família como uma pessoa adulta, com nossos próprios meios, passamos a conhecê-lo pessoalmente.  A fé cresce e se desenvolve.

Nossa fé em Jesus foi construída, não tanto sobre o que se diz a respeito dele, quanto sobre o que ele disse acerca de si mesmo: foi construída sobre o próprio auto-conhecimento dele.  Nesse ponto se encontra a autoridade dele, da mesma maneira que, nossa própria fé em nós mesmos, por exemplo, foi construída muito mais sobre o que sabemos de nós, do que sobre o que os outros podem dizer a nosso respeito.

O que Jesus disse acerca de si mesmo é isto, os sete ‘Eu sou’s de Jesus:  

Eu sou a verdadeira videira  (Jo 15:1).

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.  (Jo 14:6).

Eu sou a porta   (Jo 10:7).

Eu sou o pão da vida.  (Jo 6:35).

Eu sou o bom pastor  (Jo 10:14).

Eu sou a luz do mundo  (Jo 8:12).

Eu sou a ressurreição.  (Jo 11:25).

Esses termos nos sugerem que Jesus se nos revela, não como um objeto de adoração, não como uma imagem de culto, mas, como um mestre que demanda nossa completa reverência e amor; como um orientador que demanda nossa total confiança e entrega; como um irmão; como um amigo: “Já não vos chamo servos,... mas, vos chamo amigos ”.  Alguém que sabemos amou os seus neste mundo, alguém que não é um moralista, mas, um libertador, um mestre do Caminho, um orientador, uma porta, o Caminho, com ele em espírito para o Pai.

Amadurecemos nossa fé, de maneira mais eficaz, por meio da prece, por meio da profundidade da prece.  Nossa prece está sempre se aprofundando e, amadurecendo.  Transitamos, talvez, além de certos tipos de prece, não porque sejam ruíns, mas, simplesmente, porque crescemos em um mais profundo relacionamento com Cristo.  Quando iniciamos esse relacionamento, talvez, tenhamos uma grande dependência de fotografias, imagens mentais dessa pessoa.  Porém, à medida que amdurecemos, à medida que nos tornamos mais capacitados para o relacionamento humano, então, essa fotografia, imagem mental de Cristo, cede passagem, cada vez mais, ao encontro com a verdadeira pessoa.  Esse encontro que ocorre, principalmente, no nível de nosso coração, na nossa experiência pessoal, então, torna-se maravilhosamente enriquecido na Eucaristia, na escritura, na comunidade, em todas as outras maneiras pelas quais, também, encontramos a pessoa ressucitada de Jesus.

O Espírito opera constantemente em nós, preparando-nos para vê-lo, para ver Jesus, cada vez mais claramente.  Acredito que o ponto de partida seja o de que Jesus nos encontra, a ovelha desgarrada.  Nos Evangelhos, Jesus fala muito mais acerca de Deus nos buscar, do que acerca do dever humano de buscar a Deus.  Nossa fé em Jesus foi construída sobre essa confiança, de que ele nos habita, buscando-nos, no sentido de que por meio dessa busca ele nos afasta de nosso ego e nos aproxima de nosso verdadeiro eu.  Esta é a jornada da prece cristã: com Jesus, no Espírito, em direção ao Pai.

Aquilo que ele nos ensina sobre a prece, no Evangelho de Mateus, por exemplo, no sermão da montanha, nos dirige a esta experiência da presença que habita o interior de nossos próprios corações: em interioridade, na fé, na confiança, na atenção (concentrai-vos no Reino), e em paz, acima das preocupações e das ansiedades.  Ele nos ensina o caminho da prece pura.  Porém, acima de tudo, ele nos ensina a orar, por orar conosco e, em nós.  Cristo ora em nós.  A mente do Cristo, a consciência humana do Cristo em nós.  Assim, Cristo ora em nós, através de uma misteriosa união, e ele é o mestre da prece.  A prece de Jesus, o Verbo encarnado, é a prece perfeita do ser humano.  Ninguém poderia fazer melhor do que isso e, portanto, ele é aquele que nos ensina a orar.  Ele é o mestre da prece pura.  Ele medita em nosso interior, realizando seu verdadeiro eu como o Filho unido ao Pai, assim como, nós realizamos nosso verdadeiro eu.  A prece que é no espírito, a prece dele que está além de pensamentos e de palavras, além do ego, o verdadeiro eu dele, uno com o Pai e, simultaneamente, uno conosco: esse é o mistério da prece cristã.  Jesus, que é uno com o Pai, também, está presente no interior de cada um de nós, em cada um de nós, de maneira exclusiva e universal.  Vê-lo, é ver o Pai.

Assim, o ponto de partida da prece cristã é o de adentrarmos a prece do Cristo através de nossa união com a consciência humana dele.  E, devemos encontrar nosso verdadeiro eu, de modo a encontrá-lo.  Devemos deixar o eu para trás, de modo a seguí-lo.

Isto, também, é do Evangelho de João:

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade.

Pois de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça.  Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.  Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o deu a conhecer.  (Jo. 1:14,16-18).