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Morte e Ressurreição

extraído do livro de John Main OSB, MOMENTO DE CRISTO (São Paulo, Paulus).

São Bento dizia a seus monges: “Mantenham-se sempre atentos à morte”. Não falamos muito sobre a morte no mundo moderno. Porém, toda a tradição cristã nos diz que, caso nos tornássemos sábios, deveríamos aprender a lição de que aqui não temos “nenhuma cidade que nos prende”. Devemos ouvir o que, tanto os sábios do passado, como os do presente, nos dizem: para podermos nos concentrar na vida, devemos nos concentrar na morte. . . . É difícil, para a vida mundana, entender o por quê de se falar da morte. Na verdade, a principal fantasia dos interesses mundanos, opera a partir de um ponto de vista completamente oposto: não a sabedoria de nossa propria mortalidade, mas, a pura fantasia de que somos imortais, de que estamos além da fraqueza física.
Contudo, a sabedoria da tradição representada por São Bento, está no fato de que a consciência de nossa fraqueza física nos permite enxergar também nossa própria fragilidade espiritual. Existe uma consciência profunda em todos nós, tão profunda que, freqüentemente, permanece enterrada na maior parte do tempo, de que devemos estabelecer contato com a integralidade da vida e, com a fonte da vida. Devemos estabelecer contato com o poder de Deus e, de alguma maneira, abrir esse nosso frágil vaso terreno ao amor eterno de Deus, o amor que não pode ser sufocado.
A Meditação é uma via de poder, pois é o meio de entendermos nossa própria mortalidade. É o meio de nos concentrarmos em nossa própria morte. Ela consegue isso, por ser uma via que vai além de nossa própria mortalidade. É uma via que vai, além de nossa própria morte, até a ressurreição, para uma nova e eterna vida, a vida que nasce de nossa união com Deus.
A essência do Evangelho cristão é a de que somos convidados para essa experiência agora, hoje. Todos nós somos convidados a morrer para a nossa própria auto-importância, o nosso próprio egoísmo, nossas próprias limitações. Somos convidados a morrer para nossa própria exclusividade. Somos convidados a tudo isso, porque Jesus morreu antes de nós e, ressucitou dos mortos.
Nosso convite a morrer, também é o de nascer para a nova vida, para a comunidade, para a comunhão, para uma vida plena, sem medos. Suponho que seria difícil estabelecer o que é que as pessoas mais temem, se a morte ou a ressurreição. Porém, na meditação perdemos nosso medo, pois compreendemos que a morte é morte do medo e, ressurreição é nascer para a nova vida.
Cada vez que nos sentamos para meditar, nos conectamos com esse eixo de morte e ressurreição. Isso se dá porque em nossa meditação vamos além de nossa própria vida e, de todas as limitações de nossa vida, em direção ao mistério de Deus. Descobrimos, cada um de nós a partir de nossa própria experiência, que o mistério de Deus é o mistério do amor, amor infinito, amor que expulsa todos os medos.

 

 

original em inglês:

An excerpt from John Main OSB, “Death and Resurrection,” MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 68-69.

St Benedict told his monks, “Always keep death before your eyes.” We don’t talk much about death in the modern world. But what the whole Christian tradition tells us is that if we would become wise we must learn the lesson that we have here “no abiding city.” [We must hear] what the wise of ages past and present say to us: to have life in focus we must have death in [focus. . .]. Talking about death is hard for the worldly to understand. Indeed the principal fantasy of much worldliness operates out of completely the opposite point of view: not the wisdom of our own mortality but the pure fantasy that we are immortal, beyond physical weakness.

But the wisdom of the tradition St Benedict represents is that awareness of our physical weakness enables us to see our own spiritual fragility too. There is a profound awareness in all of us, so profound indeed that it is often buried for much of the time, that we must make contact with the fullness of life and the source of life. We must make contact with the power of God and somehow, open our own fragile “earthen vessels” to the eternal love of God, the love that cannot be quenched.

Meditation is a way of power because it is the way to understand our own mortality. It is the way to get our own death into focus. It can do so because it is the way beyond our own mortality. It is the way beyond our own death to the resurrection, to a new and eternal life, the life that arises from our union with God.

The essence of the Christian gospel is that we are invited to this experience now, today. All of us are invited to die to our own self-importance, our own selfishness, our own limitations. We are invited to die to our own exclusiveness. We are invited to all this because Jesus has died before us and has risen from the dead.

Our invitation to die is also one to rise to new life, to community, to communion, to a full life without fear. I suppose it would be difficult to estimate what it is people fear most—death or resurrection. But in meditation we lose our fear because we realize death is death to fear and resurrection is rising to new life.

Every time we sit down to meditation we enter this axis of death and resurrection. We do so because in our meditation we go beyond our own life and all the limitations of our life into the mystery of God. We discover, each of us from our own experience, that the mystery of God is the mystery of love, infinite love—love that casts our all fear.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.