Um Chamado para a Plenitude da Vida

Leitura de Sábado, 10 Janeiro 2015
John Main, OSB

O MOMENTO DE CRISTO (São Paulo: PAULUS, 2004).

A meditação não nos ensina a fazer algo, nos ensina a ser. Nos ensina a sermos nós mesmos, a penetrarmos o dom de ser nosso próprio ser. [...]. [Nós] aprendemos com a meditação a prioridade do ser sobre a ação. De fato, nenhuma ação tem qualquer significado ou, pelo menos, qualquer profundidade duradoura de significação, a menos que ela brote do ser, das profundezas de seu próprio ser. É por essa razão que a meditação é um caminho que nos tira da superficialidade para nos levar ao que é profundo. Aprender a ser é aprender a começar a vivenciar a plenitude da vida.
Esse é o convite que recebemos. É aprender a começar a ser uma pessoa completa. O mistério que envolve a revelação cristã é que, à medida que vivemos nossas vidas plenamente, vivenciamos as consequências eternas de nossa própria criação. Não mais vivemos como se estivéssemos exaurindo um limitado suprimento de vida, que recebemos ao nascer. O que sabemos dos ensinamentos de Jesus, é que nos tornamos infinitamente preenchidos com vida, quando somos um com a fonte de nosso ser, . . . nosso Criador, Aquele que se descreve a si mesmo como “Eu Sou”. [. . . ]
Na visão cristã, somos conduzidos a essa fonte de nosso ser por um guia e, nosso guia é Jesus, o homem plenamente realizado, o homem integralmente aberto a Deus. Ao meditarmos a cada dia, podemos não reconhecer nosso guia. É por isso que a jornada cristã é sempre uma jornada de fé. Todavia, ao nos aproximarmos do centro de nosso ser, ao entrarmos em nosso coração, percebemos que recebemos as boas vindas de nosso guia, as boas vindas daquele que nos conduziu. Somos recebidos pela pessoa, que chama a cada um de nós para a plenitude pessoal do ser. As consequências ou resultados da meditação são apenas essa plenitude de vida-harmonia, unicidade e energia, uma energia divina que encontramos em nosso próprio coração, em nosso próprio espírito. Essa energia é a energia de toda a criação. Nas palavras de Jesus, é a energia que é amor.

 

original em inglês

From John Main OSB, “A Call to the Fullness of Life,” MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 10-111.

Meditation is not learning to do, it is learning to be. It’s learning to be yourself, to enter into the gift of your own being. [. . . ]. [W]e learn in meditation the priority of being over action. Indeed, no action has any meaning, or at least any lasting depth of meaning, unless it springs from being, from the depths of your own being. This is why meditation is a way that leads us away from shallowness to depth, to profundity. Learning to be is learning to begin to live out of the fullness of life.

That is our invitation. It is learning to begin to be a full person. The mysterious thing about the Christian revelation is that as we live our lives fully, we live out the eternal consequences of our own creation. We are no longer living as if we were exhausting a limited supply of life that we received at our birth. What we know from the teaching of Jesus is that we become infinitely filled with life when we are at one with the Source, the Creator, the One who says “I Am.” [. . . .]

In the Christian vision we are led to the source of our being by a guide, and our guide is Jesus, the fully realized person, the one wholly open to God. As we meditate each day we may not recognize our guide. That is why the Christian journey is always a journey of faith. But as we approach the center of our being, as we enter our heart, we find that we are greeted by our guide, greeted by the one who has led us. We are welcomed by the person who calls each one of us into personal fullness of being. The consequences or results of meditation are just this fullness of life—harmony, oneness and energy, a divine energy that we find in our own heart, in our own spirit. That energy is the energy of all creation. As Jesus tells us, it is the energy that is love.