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Quebrando o Espelho

MOMENTO DE CRISTO (São Paulo, Paulus, 2004).

Não creio que seja exagero dizermos que o pecado original seja a consciência de si mesmo, a hiper-auto-consciência do egoísmo, pois a consciência de si mesmo dá origem à consciência dividida. Isto se parece a um espelho entre Deus e nós mesmos. Sempre que olhamos para o espelho, nos vemos. O propósito da meditação é o de quebrar esse espelho, para que não mais olhemos para os reflexos das coisas e, conseqüentemente vejamos as coisas às avessas, inclusive nós mesmos. A essência da meditação é a de tomarmos de assalto o reino dos céus. O espelho precisa ser quebrado. E, quando Jesus nos diz que ninguém pode ser seu seguidor a menos que deixe para trás a si mesmo, ele está falando acerca da superação da consciência de si mesmo.
Ora, de fato, não se faz necessária muita experiência de vida, para que percebamos que essa consciência de si mesmo nos ilude a ponto de entendermos que todo o universo gira ao nosso redor; ou, para concluírmos que essa consciência de si mesmo é um pavoroso estado de ser. Talvez seja isso o que leva a maioria de nós à meditação. Não queremos passar o resto de nossas vidas olhando para esse espelho e enxergando tudo às avessas. Queremos olhar, com coragem, para o infinito mistério de Deus. Porém, quando começamos a sentir essa primeira perda da consciência do si mesmo e, quando começamos a adentrar o profundo silêncio que é a meditação, podemos vir a nos sentir pertubados e assustados. Nesse ponto, precisamos do apoio de nossos irmãos e irmãs. É por isso que nossos encontros regulares são tão importantes. Precisamos compreender que a fé é um dom, que nos é dado, como nos diz São Paulo, em abundância, caso apenas estejamos abertos a ele e, continuemos a martelar esse espelho, até que ele se despedaçe inteiramente. Com nosso mantra, nós o martelamos [suavemente].
Não há nada de passivo acerca da meditação. Trata-se de um estado de crescente e mais profunda abertura para a fonte do poder de toda a realidade, que só podemos descrever em palavras adequadamente como Deus-que-é-amor. A meta de nossa vida e, o convite de nossa vida, não é nada menos do que a união completa, a ressonância completa com aquela fonte de poder. Quais são os frutos da não-consciência-de-si-mesmo? Felicidade, paz, controle-de-si, paciência, fidelidade, todas aquelas coisas de que nos fala São Paulo como sendo os frutos do espírito. Esse é o estado de ser, no qual estamos livres para sermos nós mesmos, livres para receber o dom de nossa vida sem medo, em estado de graça, de amor.

 

original em inglês:

From Fr John Main, “Smashing the Mirror,” MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 50-51.
I do not think it is any exaggeration to say that original sin is self-consciousness, the hyper-self-consciousness of egoism, because self-consciousness gives rise to divided consciousness.
This is like having a mirror between God and ourselves. Every time we look into the mirror we see ourselves. The purpose of meditation is to smash that mirror so that we no longer look at reflections of things and consequently see everything backwards, including ourselves. The essence of meditation is taking the kingdom of heaven by storm. The mirror must be smashed. And Jesus is talking about overcoming self-consciousness, the mirroring self, when he says no one can be a follower of his unless they leave self behind.
Now it does not take very much knowledge of life to perceive that this self-consciousness deludes us into seeing the whole universe revolve around ourselves; or to conclude that this self-consciousness is an appalling state to be in. Perhaps that is what brings most of us to meditation. We don’t want to look into that mirror and see everything backwards for the rest of our lives. We want to look with courage into the infinite mystery of God. But when we begin to feel that first loss of self-consciousness and when we begin to enter into the deep silence that is meditation we can become disturbed and take fright. This is where we need the support of brethren. That is why our regular meetings are so important. We need to realize that faith is a gift—given to us, as St Paul tells us, in abundance if only we will be open to it and continue hammering at that mirror until it shatters utterly. We hammer [gently] at it with our mantra.
There is nothing passive whatsoever about meditation. It is a state of growing and deepening openness with the power source of all reality which we can only adequately describe in words as God-who-is-love. The aim of our life and the invitation of our life is nothing less than complete union, full resonance with that power source. What are the fruits of un-self-consciousness? Joy, peace, self-control, patience, fidelity--all the things that St Paul speaks about as the fruits of the spirit. This is the state of being where we are free to be ourselves, free to receive the gift of our life without fear, in the state of grace, of love.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.