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Viajando com Frequência

Extraído da coluna de Laurence Freeman OSB para o periódico The Tablet, de 10 de  Agosto 10 de 2004.

No forte e seco calor de uma tarde do verão da Toscana, descem do ônibus os participantes do retiro, vindos de diferentes continentes. Eles agora precisam caminhar cuidadosamente por uma via em declive na direção do mosteiro e da casa de hóspedes. Essa via é uma parábola, construída com antigos tijolos de terracota, muitos deles quebradiços, faltando alguns e, outros já substituídos por novos. . . Ainda que estejam prestando atenção à via desgastada, eles não deixam de aproveitar o cenário dos vales arborizados e, de respirar o penetrante perfume de ginestra. Eles também estão preocupados com sua bagagem, imaginando como serão a comida e o quarto que lhes será destinado. Porém, já começam a esquecer Londres, Houston, Cingapura e Genebra e, para sua surpresa, já começam a se sentir em casa. Eles chegaram.
Tenho presenciado isso nos últimos quinze anos: as reações dos que chegam pela primeira vez ao retiro anual silente da meditação cristã em Monte Oliveto Maggiore, a casa-mãe da congregação beneditina olivetana. De início, a pura beleza física local, logo ao sul de Siena, é perturbadora, tal como nos acontece quando somos apresentados a uma pessoa de beleza excepcional. A paz que você sente no ar, a auto-confiança local e, a maneira como os monges de hábito branco que aqui vivem se sentem em casa, tornam-se mais surpreendentes, à medida que você se acostuma com isso. Não há muitos locais no mundo moderno, onde exista essa combinação de sensações de estabilidade, harmonia e hospitalidade. Sua primeira percepção poderia ser a de que se trata de uma tão forte sensação de lar para uma outra pessoa, que voce estaria condenado a ali se sentir um estranho. Porém, demonstra ser um daqueles raros locais que contam com a graça de fazer com que todos se sintam em casa, no sentido de que voce pode relaxar, ser voce mesmo, lembrar-se de quem voce é.
Em uma era de fundamentalismo religioso, nos sentimos iluminados ao encontrar um ambiente profundamente religioso que acolhe pessoas de diferentes visões e culturas. Que não se agarra imediatamente a diferenças, ou aplica rótulos de aprovação ou exclusão. Que não julga rigorosamente e, condena ou absolve em nome de Cristo, ou de Alá, ou de Yahweh. Creio que seja isso, a amizade do corpo com a mente em um ambiente de belezas naturais, a maravilhosa amizade que se encontra na contemplação em companhia de estranhos, esse estarmos juntos em um fluxo vivo de uma tradição, que não tenha se estagnado por ter sido represada e, que faz com que as pessoas se sintam em casa.
Como Aelred de Rievaulx corajosamente disse, Deus não é apenas amor. Deus é amizade, para consigo mesmo, para com os outros e, para com o meio ambiente. Aqueles que não vivem a amizade, nada podem saber de Deus, até mesmo, e principalmente, na mais insensível certeza dos fundamentalistas religiosos, na qual eles defendem Deus contra seus inimigos. A inquieta sensação de falta de um lar, que caracteriza nossa sociedade fragmentada, produziu um instinto contemplativo de retorno ao lar, ainda mais profundo do que o fundamentalismo. Num local como este, o instinto que nos leva de volta ao lar, para Deus, se intensifica em meio ao calor humano, à tolerância, à hospitalidade e à religião suave. O anseio por esse sentimento de conexão e de confiança mútua, é parte da busca espiritual de nossos tempos, a busca por uma religião que alimente a comunidade, mais do que as divisões. E, talvez, o significado da presença real seja essa sensação inclusivista e católica de estarmos em casa.
Quando Bernardo Tolomei, um rico nobre de Siena, aqui veio em busca de Deus cerca de 700 anos atrás, ele havia abandonado um lar confortável, trocando-o pelo que, então, era uma perigosa mata. Ele viveu uma solitude de prece e, quando companheiros a ele se juntaram, adotou a Regra de São Bento. Santa Catarina de Siena, uma Joan Chittister daqueles tempos, o repreendeu, assim como censurava bispos e clérigos pela falta de entusiasmo, por aceitar monges demais, egressos de famílias prósperas e, ele obediente, expandiu sua base vocacional. . . .Quando a peste atingiu Siena, ele deixou seu lar contemplativo e voltou para cuidar das pessoas à beira da morte, em sua velha cidade, onde ele também adoeceu e veio a falecer. O ciclo de sua jornada demonstra que essa sensação pacífica de se sentir em casa, não se restringe a um local e, que quanto mais voce se entrega a ela, mais voce se encontra em seu lar. Caso voce realmente se sinta em casa, com o si mesmo em Deus, você se encontrará em seu lar, em paz e compaixão, em qualquer lugar.

 

original em inglês:


An excerpt from Laurence Freeman, OSB, “Frequent Flyer ,” The Tablet, August 10, 2004.

 

In the dry heavy heat of a Tuscan afternoon the bus drops off retreatants, from several continents. They now have to walk carefully down a steep path toward the guest house and monastery.
The path is a parable, made of narrow, ancient terracotta bricks, many crumbling, missing or replaced with new ones. . . Even as they watch their step down the beaten path they see the views over the wooded valleys and breathe in the pungent scent of ginestra. They are also worried about their bags, wondering what their rooms and food will be like. But they are already forgetting London, Houston, Singapore and Geneva and, to their surprise they have already begun to feel at home. They have arrived.
I have seen this for [25] years now, the reactions of those coming for the first time to the annual silent Christian meditation retreat at Monte Oliveto Maggiore, the mother-house of the Olivetan Benedictine congregation. The sheer physical beauty of the place, just south of Siena, is disturbing at first, like being introduced to a very beautiful person. The peaceful is-ness, the self-confidence of the place and the at-homeness of the white habited monks who live here becomes more amazing as you get used to it. There are not many places in the modern world where there is such a combined sense of stability, harmony and hospitality. Your first thought might be that it is so much of a home to someone else that you are condemned to being an outsider. But it proves to be one of those rare places with the grace of making everyone feel at home –meaning you feel you can let go, be yourself, remember who you are.
In an age of religious fundamentalism it is enlightening to find a deeply religious environment , which welcomes people of diverse views and cultures. That does not immediately pounce on differences or apply labels of approval or exclusion. That does not harshly judge and condemn or acquit in the name of Christ or Allah or Yahweh. I guess it is this, the friendship of the body with the mind in an environment of natural beauty, the wondrous friendship found in contemplation with strangers, the being together in a living stream of tradition that has not been dammed and gone stagnant, that makes people feel at home.
God, as Aelred of Rievaulx bravely said, is not only love. God is friendship, with oneself, others and the environment . Those who are not in friendship can know nothing of God - even, and especially, in the most heartless certainty of the religious fundamentalist that they are defending God against his enemies. The anxious homelessness that characterizes our fragmented society, however, has engendered a contemplative homing instinct even deeper than fundamentalism. In a place like this, the homing instinct for God intensifies among human warmth, tolerance, hospitality and gentle religion. It is part of the spiritual search of our time to long for such a feeling of connexion and mutual trust, for a religion that nurtures community rather than division. And perhaps it is this inclusive, catholic sense of being at home with difference that is the meaning of the real presence.
When Bernardo Tolomei, a rich Sienese nobleman came here to seek God 700 years ago he was abandoning a comfortable home for what was then a dangerous wilderness. He lived in prayerful solitude and when companions joined him, adopted the Rule of St Benedict. St Catherine of Siena, a Joan Chittister of her day, berated him, as she lambasted bishops and clergy for their lukewarmness, for accepting too many monks from wealthy families, and he obediently widened his vocation base. . . .When plague struck Siena he left his new contemplative home and returned to care for the dying in his old city where he too soon fell sick and died. The cycle of his journey shows that the peaceful sense of being at home is not restricted to one place and that the more you let go of it the more you are at home. If you really are at home with the self in God you will find yourself at home, in peace and compassion, everywhere.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.