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Caríssimos Amigos

extraído da Newsletter da WCCM Internacional, Inverno de 2000.

Ao passo que muitos cristãos vêem hoje seus líderes regredirem a um rígido sectarismo, aprendem a encontrar em sua antiga sabedoria contemplativa uma expressão mais verdadeira dos ensinamentos de Jesus. Não são os que repetem da boca para fora “Senhor, Senhor”, aqueles que “agradam ao Pai”, mas, os que “cumprem a vontade do Pai”. Muitos hoje só consideram que uma doutrina seja digna de crédito, mesmo que procure expressar o inefável, não apenas porque ela reivindica ser verdadeira, mas, porque ela ajuda a nos sustentarmos na crença de que nela há mais do que mero consumismo. Porém, nenhuma crença, que hoje seja digna de aprovação, poderá ser mantida com certeza, exceto a certeza da fé que se alia à esperança e ao amor.
A certeza do fundamentalista precisa ser sacrificada e, todos necessitamos que nos seja permitido o questionamento radical. Nossa experiência com a morte da certeza, também é morte do desejo, do desejo egoísta de estarmos certos, de estarmos a salvo, de sermos melhores que os outros. Essa morte é a nossa parte na cruz. O renascimento do desejo que se segue, é o do desejo transformado, que se projeta de um coração puro, na visão de Deus. Desejar a Deus, não se parece a nenhum outro desejo que tenhamos conhecido. E, no entanto, “feliz é a pessoa cujo desejo por Deus tenha se tornado como a paixão da amante por seu amado” disse São João Clímaco. Não se exaure e, não nos leva a explorar terceiros para poder satisfazê-lo. Ele tanto é desejar, quanto estar livre do desejo, tal como se havia experimentado anteriormente. [. . . . ]
A meditação é purificação do coração e, a morte do desejo. Assim como há um nascimento para cada morte, também há a regeneração do desejo, como desejo por Deus. Isso nunca poderá ser um objeto de satisfação do ego. Porém, é claro que é um desejo por nossa própria felicidade: não podemos nunca desejar ser infelizes. Desejar a Deus. . .é desejar nossa felicidade pela obediência à lei ... do amor.
Essa lei afirma que o único tipo de desejo que nos fará verdadeira e permanentemente felizes, é o desejo pela felicidade dos outros.

Original em inglês:

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Dearest Friends,” The World Community for Christian Meditation Newsletter, Winter 2000.

As many Christians today find their leaders regressing into a rigid sectarianism, they are learning to find in their ancient contemplative wisdom a truer expression of the teachings of Jesus. . . .For many today a doctrine is worthy of belief, even as it tries to express the ineffable, not just because it claims to be true but because it helps sustain us in believing [that there is more than mere] consumerism. But no belief today worthy of acceptance can be held with certainty—except the certainty of faith that is joined with hope and love.

The certainty of the fundamentalist must be sacrificed and radical doubt must be allowed to question us all. Our experience with the death of certainty is also the death of desire — the egotistical desire to be right, to be safe, to be better than others. Such death is our sharing in the cross. The rebirth of desire that follows is the transformed desire that springs from a pure heart in the vision of God. This “desire for God” is not like any other desire we have known. Yet “happy is the person whose desire for God has become like a lover’s passion for his beloved,” St John Climacus declared. It does not exhaust itself or lead us to exploit others in order to fulfill it. It is both desire and freedom from desire as it was experienced before. [. . . . ]

Meditation is purification of the heart and the death of desire. As there is a birth for every death, there is also the regeneration of desire as desire for God. This can never be desire for an object of ego-satisfaction. But it is of course a desire for our own happiness: we can never desire to be unhappy. Desire for God. . .is desire for our happiness by obedience to the law of . . .love.

[This law] states that the only kind of desire that will make us truly and permanently happy is the desire for the happiness of others.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.