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Caríssimos Amigos

extraído da Newsletter da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã do Inverno de 1996.

Um dos dilemas que mais deixa perplexa a atual Cristandade se refere a uma maneira de comunicar o Evangelho que não seja competitiva dentro do contexto de outras religiões. . . Isso nem tem sentido, é claro, para aquele cristão que é exclusivista. Todavia, talvez . . . o Espírito esteja procurando nos ensinar algo. Talvez a Cristandade esteja aprendendo que, caso seja verdadeiramente universal, ela deve se reconhecer e se encontrar em todas as formas de experiência espiritual humana e, em todo tipo de evento espiritual. [...]

Nos dias de hoje precisamos de um novo modo de diálogo religioso, tolerante, mutuamente reverente, uma maneira de aprendermos uns com os outros que aqueles que nos precederam jamais haviam imaginado. Todavia, a procedência de uma maneira como essa nos é avalizada por ser tão compatível com a personalidade e o exemplo de Jesus. Ele não rejeitava a ninguém, tolerava a todos, e via o mistério de Deus em todas as pessoas e na natureza. Ele se sentava à mesa para comer com aqueles a quem deveria ter desprezado; ele conversava com aqueles a quem deveria ter evitado. Ele se abria aos outros tanto quanto se abria a Deus. 

Em Jesus o tempo e a eternidade se cruzam. . . e a intersecção se dá na pobreza de espírito humana. . . A pobreza não é apenas a ausência das coisas, mas a consciência de nossa necessidade dos outros, de Deus. A necessidade humana é universal. Tanto os mais ricos e poderosos, quanto os mais pobres e marginalizados, estão igualmente necessitados. A necessidade é simplesmente o forte sentimento que surge  como resposta ao fato de nossa interdependência. Não estamos separados uns dos outros, nem de Deus. A sabedoria é o reconhecimento do fato, e a compaixão é a prática disso.

Na meditação mergulhamos em um nível da realidade que é mais profundo do que o nível superficial das nossas mentes dirigidas pelo ego, onde somos tão frequentemente capturados na rede ilusória de nossa independência e isolamento. Desvencilharmo-nos dessa rede passa a ser o trabalho diário da meditação, e passa a ser o novo padrão da prática da presença de Deus, no cotidiano, em toda a natureza, e em todas as pessoas.

 

 

original em inglês

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Dearest Friends,” The WCCM International Newsletter, Winter, 1996.

 

One of the perplexing dilemmas for Christianity today is how to communicate the gospel in a non-competitive way in the context of other faiths. . . .For the exclusivist Christian, of course, this is nonsensical. But perhaps. . . .the Spirit is trying to teach us something. Perhaps Christianity is learning that if it is truly universal it must find and recognize itself in all forms of human spiritual experience and in every kind of spiritual event. [. . . .]

 

We are today in need of a new way of religious dialogue, of tolerance, mutual reverence and way of learning from each other that those before us could never have imagined. Yet the rightness of such a way for us is attested by the fact that it is so compatible with the personality and example of Jesus. He rejected no-one, tolerated all and saw the mystery of God in all people and in nature. He ate with those he should have despised; he spoke with those he should have avoided. He was as open to others as he was to God.

 

In Jesus, time and eternity intersect. . . and the intersection happens in human poverty of spirit. . . Poverty is not only the absence of things but the awareness of our need for others, for God. Human neediness is universal. The richest and the most powerful, like the poorest and most marginalized, are all equally in need. Need is simply the strong feeling that arises in response to the fact of our interdependence. We are not separate from each other or from God. Wisdom is the recognition of that fact, and compassion is the practice of it.

 

In meditation, we dive to a level of reality deeper than that of our surface, ego-driven minds where so often we are caught in the net of illusion of our independence and isolation. Untangling from that net is the daily work of meditation and it is the new pattern of the practice of the presence of God--- in ordinary life, in all nature and in all people.

 

Certa vez, Santo Antão do deserto falou para seus monges acerca do dia do juízo que cada um deles iria enfrentar no momento da morte.  Ele lhes disse que não seriam julgados pelo quanto eles teriam sido como ele, ou como qualquer outro dos grandes mestres do deserto, porém, pela extensão em que eles se tornaram verdadeiramente eles mesmos.  Encarada como objetivo e significado da existência humana, a santidade pode ser uma qualidade que podemos reconhecer em muitas pessoas diversas, um perfume do qual nos conscientizamos.  Talvez, a santidade se assemelhe à música.  Não pode ser descrita, a não ser em sua própria língua.  Porém, trata-se de uma língua universal que pode ser ouvida e apreciada por todos os seres humanos.  Em uma sociedade como a nossa, em que a linguagem e as tradições religiosas tornaram-se mais um dialeto especializado do que uma linguagem comum e unificadora, essa música de santidade é de especial importância.  A santidade nos une em amizade, e em uma crença comum na bondade que está no núcleo da humanidade.[...]

Existe um caráter universal na santidade, que atravessa as fronteiras do tempo, da cultura e da religião.  Não se trata do produto de uma determinado padrão de treinamento e, por mais que muitas ideologias procurem reivindicá-la para si, ela desafia qualquer tentativa de rotulagem.  O que faz com que sua natureza seja universal é o fato de que ela se torna perceptível nas pessoas que se tornaram elas mesmas.  A santidade é a presença de Deus nos seres humanos que são imagem de Deus.  Tornar-se santo, então, é  simplesmente a reunião consciente da imagem com o original.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.