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Carta Nove

COMMON GROUND: Letters to a World Community of Meditators (New York: Continuum, 1999), pgs. 103-104.

Quanto mais conscientes estivermos do verdadeiro ser, mais veremos nossa atitude se modificar em relação aos outros, na maneira como mantemos nossas relações com eles. O medo diminui, o amor generoso aumenta; as reações iradas cedem lugar à sabedoria do perdão; o julgamento é absorvido pela paciência. Em lugar do controle e da manipulação, que aos olhos do ego é o que faz o mundo girar, vislumbra-se uma surpreendente liberdade, como real possibilidade nos negócios humanos: a liberdade que surge quando as pessoas permitem, umas às outras, que elas sejam quem realmente são. [. . .]
Mas, que grande risco. O grande risco que assumimos na meditação é, antes de mais nada, o de sermos nós mesmos. Este é o primeiro passo. Mas, se não dermos o correspondente próximo passo, jamais nos moveremos de onde estamos; estaríamos saltando em uma só perna toda a nossa vida. O próximo passo é o de assumirmos o risco de deixar que os outros sejam eles mesmos. A maneira de fazermos isso, é percebermos que a realidade deles é distinta da nossa. [. . .]
A grande ação da contemplação é a de voltarmos a atenção para fora de nós mesmos, na direção da realidade maior que, “fora de nós”, nos contém. É a mesma ação da contemplação, qualquer que seja a maneira pela qual consigamos fazê-la: nos relacionamentos, na arte, no serviço e, na prece. Certamente, uma maneira fundamental de fazê-lo, é a de aprendermos a meditar, uma arte de aprendizado vitalícia. Meditar é aprender a viver contemplativamente em tudo o que fazemos [para], tal como Santo Antão do deserto certa vez exortou seus discípulos: “sempre respirar Cristo”.

 


Texto original em inglês

 

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Letter Nine,” COMMON GROUND (New York: Continuum, 1999), pp. 103-104.

The more conscious of the true self we are, the more we see our attitude to others change in the way we live out our relationship with them. Fear diminishes, generous love grows; reactive anger yields to the wisdom of forgiveness; judgement is absorbed by patience. In the place of the control and manipulation which, in the ego’s eyes, makes the world go round, an amazing freedom is glimpsed as a real possibility in human affairs: the freedom that arises when people let each other be who they are. [. . . ]

But what a risk. The great risk we take in meditation is first of all to be ourselves. This is the first step. But if we do not take the corresponding next step, we would never move from where we are; we would be hopping on one leg all our life. The next step is to take the risk of letting others be themselves. Perceiving their reality as distinct from our own is the way to do this. [. . . .]

Turning attention away from ourselves toward the greater reality “outside us” that contains us is the great act of contemplation. It is the same act of contemplation however we manage to do it—in relationships, in art, in service, and in prayer. Certainly, learning to meditate—a lifelong art to learn—is a fundamental way to do it. But it is not limited to the actual work of meditation. To meditate is to learn how to live contemplatively in everything we do, [to], as St Antony of the desert once called his disciples to do: “always breathe Christ.”

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.