Leitura da Semana

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Calendário de Eventos

perfil laurence

Caríssimos Amigos

extraído do Boletim Internacional da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã nr 1 Vol 35 de Abril de 2011.

O ritmo, a incerteza e a enorme interconectividade das metas globais destes nossos dias, desde os alimentos, solo e água, até a biodiversidade e os sistemas financeiros, nos confrontam com a necessidade daquilo que Simone Weil chamava de “uma nova santidade”, tão necessária ao mundo de hoje, quanto “uma cidade atingida por uma praga necessita de médicos”. A utilização que ela fazia da palavra santidade, poderia hoje desmotivar muitas pessoas. No entanto, isso mostra como palavras antigas e familiares de nosso vocabulário religioso, encobertas pela poeira ao longo do tempo, podem ser reabilitadas, recarregadas com seu potencial original, de modo a romper os blocos de gelo de nossas mentes, e a abrir novos modos de percepção. Sua “nova santidade” é a integração de um discernimento explícito das políticas e das ações: a universalidade e a inclusão do mundo e de todos os seus habitantes. É nova, e no entanto, tem estado à nossa volta por longo tempo, tentando ser trazida completamente à luz.: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus”. (Gl 3,28)
Esse discernimento característicamente paulino, mistura o social e o místico numa mesma panela. Assim como o próprio Jesus, isso mina todas as estruturas de poder por meio das quais as distinções entre as pessoas se elevam a um nível absoluto: os sistemas de castas, de classes, religiosos, economicos ou culturais em que vivemos localmente. Isso confronta os ambientes seguros do local, com os vislumbres perturbadores do global, onde os horizontes desmoronam para dentro. À medida que caem, emerge o universal: cada vez mais como um modo de percepção, em vez de um objeto da percepção.[. . .]
Encontrar o Cristo ressuscitado, cósmico, é estar “em Cristo”. Tal como se torna claro nas histórias da ressurreição, ele não pode ser compreendido como um objeto, ou ser meramente observado. Tão logo tentemos fazer isso, ele desaparece. Ele precisa ser visto, e só podemos vê-lo a partir daquele nível de consciência que a frase “em Cristo” tenta descrever. É mais fácil descrever os efeitos dessa experiência, do que como ela acontece. Assim, Paulo, que conhecia a experiência em primeira mão e foi, segundo seu próprio relato, transformado por ela, nos conta que: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez realidade nova”. (2Cor 5,17)
A ressurreição nos remete de volta a este mundo de um modo novo, com renovada visão e compreensão. A nova criatura é um modo de viver no mundo, livre das compulsões antigas, da violência viciante como um meio de resolver conflitos, e dos padrões repetitivos de opressão e exploração, que culminaram na crise atual.
O desafio para o cristão contemporâneo é o de que a identificação de nossa crise com o mistério cristão não significa que resolvemos o problema batizando todas as pessoas.[. . .] O significado da missão mudou para o cristão contemporâneo, por causa das maneiras como o mundo mudou, e da direção que ele está tomando. Quem quer que assuma seu papel na solução de uma crise, emerge dela modificado. A identidade cristã também evolui, de fato, ela se enriquece e se eleva, quando arriscamos a nossa fé em um verdadeiro encontro com os problemas do mundo. Posicionar-se acima das disputas, julgando a partir de uma posição de superioridade, equivale a chegar a uma mentalidade encastelada, um fundamentalismo e exclusivismo que, afinal, destroem a fé, porque erodem a compaixão. Só se na fé nos empenharmos com o mundo e com nossos irmãos e irmãs, poderemos evitar o desespero e a catástrofe, ajudando a transformar a crise coletiva na direção da esperança e da mudança positiva.

original em inglês

 

An excerpt from “Dearest Friends,” A Letter from Laurence Freeman OSB, Christian Mediation Newsletter, Vol. 35, No. 1, April, 2011.

 

Today the pace, uncertainty and huge interconnectedness of the global tipping points—from food, soil and water to biodiversity and financial systems---confront us with the need for what Simone Weil called “a new holiness” as necessary to the world today as “a plague-stricken town needs doctors.”  Her use of the word holiness might turn off many today. Yet it shows how the old familiar words of our religious vocabulary—covered in dust for a long time—can be rehabilitated, recharged with their original power. . . . Her “new holiness” is the integration of an explicit insight into. . . the universality and inclusiveness of the world and all its inhabitants. It is new and yet is has been around a long time trying fully to break through: There is no such thing as Jew and Greek, slave and freeman, male and female; for you are all one person in Christ Jesus (Gal 3:28).

 

This characteristically Pauline insight throws the social and the mystical into the same pot. Like Jesus himself, it undermines every power structure by which the distinctions between people are elevated to an absolute level—the caste, class, religious, economic or cultural systems in which we live locally. It confronts the safe environments of the local with the disturbing, heady vistas of the global where horizons collapse inwards. As they fall, the universal emerges—always more as a way of perception than an object of perception. [. . . .]

 

To meet the risen, cosmic Christ is to be “in Christ,” As is made clear from the resurrection stories, he cannot be grasped as an object or merely looked at. As soon as we try to do this he disappears. He needs to be seen and we can only see him from that level of consciousness that the phrase “in Christ” tries to describe. It is easier to describe the effects of this experience than how it happens. So, Paul who knew the experience first-hand and was, by his own account, transformed by it, tells us that: “if anyone is in Christ the new creation has come. The old has gone and the new is here.” (2 Cor 5:17)

 

The resurrection sends us back to this world in a new way with renewed vision and understanding. The new creation is a way of living in the world, freed from the old compulsions, from addiction to violence as a way of resolving conflict and from the repeated patterns of oppression and exploitation that have culminated in our present crisis.

 The challenge to a contemporary Christian is that identifying our crisis with the Christian mystery does not mean that we solve the problem by baptizing everyone. [… .] The meaning of mission has changed for the modern Christian because of the ways the world has changed and the way it is heading. Whoever takes their part in resolving a crisis emerges from it changed. Christian identity also evolves—is enriched and elevated in fact—when we risk our faith in a real encounter with the problems of the world. To stand above the fray, judging from a position of superiority is to end with a fortress mentality, a fundamentalism and exclusivism which eventually destroys faith because it erodes compassion. Only if we engage the world and our brothers and sisters in faith can we avoid despair and catastrophe and help tip the collective crisis towards hope and positive change.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.