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Meditação

extraído do livro Jesus - O Mestre Interior (São Paulo: Martins Fontes, 2004)

No Semão sobre a Montanha Jesus identificou as preocupações materiais como sendo nossa maior fonte de ansiedade. Como poderemos aumentar nosso conforto e reduzir o sofrimento pessoal? Essa é a principal preocupação que torna obscuro o momento presente e desfaz as verdadeiras prioridades.
“Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? (Mt 6, 25)
Quando nos diz para não nos preocuparmos, Jesus não está negando a realidade dos problemas cotidianos. Ele está nos dizendo para abandonar a ansiedade, e não a realidade. A tarefa de aprender a não nos preocuparmos é difícil. . . [No entanto] apesar de seu problema de déficit de atenção, até mesmo a mente moderna possui sua capacidade natural de se aquietar e transcender as suas fixações. Nas profundezas ela descobre sua própria clareza, onde ela se encontra em paz, livre de ansiedades. Muitos de nós possuímos mais ou menos meia dúzia de ansiedades favoritas, como se fossem bombons agridoces que chupamos indefinidamente. Caso nos privassem delas ficaríamos amedrontados. Jesus nos desafia a ir além do medo de abandonar a ansiedade, do medo que temos da própria paz.
A prática da meditação é uma maneira de aplicar o seu ensinamento acerca da prece; prova, através da experiência, da capacidade de escolha que, de fato, a mente humana tem de não se preocupar.
Isso não é o mesmo que dizer que podemos facilmente esvaziar a mente expulsando todos os pensamentos, sempre que o queiramos. Na meditação continuamos distraídos e, no entanto, estamos livres das distrações. Isso porque, por mínima que possa ser de início, temos a liberdade de escolher onde focalizar nossa atenção.
Gradativamente, a disciplina da prática diária fortalece essa liberdade. Seria uma infantilidade pensar que podemos realizar isso plenamente em curto espaço de tempo. Permanecemos distraídos por um longo período de tempo.
Logo nos acostumamos com as distrações, como companheiras de viagem na senda da meditação. Porém, elas não precisam nos dominar. A escolha de repetir o mantra fielmente, e de continuar a voltar a ele sempre que as distrações ocorrem, exercita a liberdade que temos de prestar atenção.

Não se trata de uma escolha do tipo que fazemos ao escolher uma determinada marca na prateleira de um supermercado. Trata-se da escolha de se comprometer. O caminho do mantra é um ato de fé, e não uma articulação do poder do ego. Dentro de toda ação de fé há uma declaração de amor. A fé prepara o terreno para que a semente do mantra germine em amor. Não somos nós que criamos o milagre da vida e do crescimento, mas, somos os responsáveis pelo seu desdobramento. A conquista da paz interior, do silêncio, da imobilidade e da simplicidade, não requer a vontade de uma pessoa tipo-A de elevado desempenho, mas, atenção incondicional, fidelidade contínua de discípulo.

 

original em inglês:

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Meditation,” JESUS THE TEACHER WITHIN (New York: Continuum, 2000), pp. 212-213.

In the Sermon on the Mount Jesus identified material concerns as our main source of anxiety. How can we make ourselves more comfortable and reduce personal suffering? This is the major preoccupation that obscures the present moment and disrupts true priorities.

Therefore I bid you put away anxious thought about food and drink to keep you alive, and clothes to cover your body. Surely life is more than food, the body more than clothes. Mt 6:25

When he tells us not to worry Jesus is not denying the reality of daily problems. It is anxiety he is telling us to abandon, not reality. Learning not to worry is hard work. . . .[Yet] despite its “attention-deficiency disorder,” even the modern mind has its natural capacity to be still and to transcend its fixations. In depth it discovers its own clarity where it is at peace, free from anxiety. Most of us have half-a-dozen or so favorite anxieties, like bitter sweets we suck on endlessly. We would be frightened to be deprived of them. Jesus challenges us to go beyond the fear of letting go of anxiety, the fear we have of peace itself. The practice of meditation is a way of applying his teaching on prayer; it proves through experience that the human mind can indeed choose not to worry.

This is not to say we can easily blank the mind and dispel all thoughts at will. In meditation we remain distracted and yet are free from distraction. This is because---however minimally at first---we are free to choose where to place our attention. Gradually the discipline of daily practice strengthens this freedom. It would be childish to imagine that this is fully realized in a short time. We stay distracted for a long time. We soon get used to distractions as traveling companions on the path of meditation. But they do not have to dominate. Choosing to say the mantra faithfully and to keep returning to it whenever distractions intervene exercises the freedom we have to pay attention.

It is not a choice in the sense in which we choose a particular brand off the supermarket shelf. It is the choice to commit. The way of the mantra is an act of faith, not a movement of the ego’s power. Within every act of faith there is a declaration of love. Faith prepares the ground for the seed of the mantra to germinate in love. We do not create the miracle of life and growth by ourselves, but we are responsible for its unfolding. Coming to peace of mind and heart—to silence, stillness, and simplicity---requires not the will of a type-A high-achiever, but the unconditional attention, the sustained fidelity of a disciple.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.