Caríssimos Amigos

Leitura de Domingo, 02 Junho 2019
Laurence Freeman, OSB

extraído da Newsletter da WCCM Internacional, Inverno de 2000.

A certeza do fundamentalista precisa ser sacrificada e, todos necessitamos que nos seja permitido o questionamento radical. Nossa experiência com a morte da certeza, também é morte do desejo, do desejo egoísta de estarmos certos, de estarmos a salvo, de sermos melhores que os outros. Essa morte é a nossa parte na cruz. O renascimento do desejo que se segue, é o do desejo transformado, que se projeta de um coração puro, na visão de Deus. Desejar a Deus, não se parece a nenhum outro desejo que tenhamos conhecido. E, no entanto, “feliz é a pessoa cujo desejo por Deus tenha se tornado como a paixão da amante por seu amado” disse São João Clímaco. Não se exaure e, não nos leva a explorar terceiros para poder satisfazê-lo. Ele tanto é desejar, quanto estar livre do desejo, tal como se havia experimentado anteriormente. [. . . . ]
A meditação é purificação do coração e, a morte do desejo. Assim como há um nascimento para cada morte, também há a regeneração do desejo, como desejo por Deus. Isso nunca poderá ser um objeto de satisfação do ego. Porém, é claro que é um desejo por nossa própria felicidade: não podemos nunca desejar ser infelizes. Desejar a Deus. . .é desejar nossa felicidade pela obediência à lei ... do amor.
Essa lei afirma que o único tipo de desejo que nos fará verdadeira e permanentemente felizes, é o desejo pela felicidade dos outros.

Original em inglês:

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Dearest Friends,” The World Community for Christian Meditation Newsletter, Winter 2000.

The certainty of the fundamentalist must be sacrificed and radical doubt must be allowed to question us all. Our experience with the death of certainty is also the death of desire — the egotistical desire to be right, to be safe, to be better than others. Such death is our sharing in the cross. The rebirth of desire that follows is the transformed desire that springs from a pure heart in the vision of God. This “desire for God” is not like any other desire we have known. Yet “happy is the person whose desire for God has become like a lover’s passion for his beloved,” St John Climacus declared. It does not exhaust itself or lead us to exploit others in order to fulfill it. It is both desire and freedom from desire as it was experienced before. [. . . . ]

Meditation is purification of the heart and the death of desire. As there is a birth for every death, there is also the regeneration of desire as desire for God. This can never be desire for an object of ego-satisfaction. But it is of course a desire for our own happiness: we can never desire to be unhappy. Desire for God. . .is desire for our happiness by obedience to the law of . . .love.

[This law] states that the only kind of desire that will make us truly and permanently happy is the desire for the happiness of others.