A Necessidade de Solitude

Leitura de Domingo, 23 Junho 2019
Laurence Freeman, OSB

Laurence Freeman OSB, Perder para Encontrar (São Paulo: Vozes, 2008).

A experiência da solitude, para a qual a meditação nos conduz caso tenhamos coragem para a simplicidade, não é uma fuga. O grande mistério que se abre. . . é o de que esse encontro se dá num nível do ser onde acreditávamos não haver ninguém a ser encontrado. Num nível que evitávamos porque não queríamos ali nos encontrar para nos darmos conta do medo de estarmos afinal completamente sós, e ali encontramos tudo aquilo que estávamos buscando. Antigamente faríamos de tudo para nos distrairmos de nós mesmos por termos tanto medo de descobrir a fria e eterna solidão do ser. Porém, a meditação revela que aquele medo é a maior tolice, porque naquele nível de nosso ser em que pensávamos não haver ninguém a econtrar, encontramos Cristo. [...]
A meditação se mostra efetiva na maneira como estabelecemos nossos relacionamentos. Ele conduz a uma mais aguda consciência de nossa verdadeira natureza. A verdadeira natureza humana não é, como tememos ser, a de uma partícula isolada de poeira cósmica, de uma mônada solitária, porém, somos seres em comunhão. [...] Sem o amor humano, qualquer coisa que chamemos de amor de Deus é uma farsa e uma fraude.

original em inglês:

From Laurence Freeman OSB, “The Need of Solitude,” THE SELFLESS SELF (Norwich: Canterbury, 2008).

The experience of solitude, into which mediation leads us if we have the courage of simplicity, is not an escape. It is an encounter. The great mystery that unfolds . . .is that this encounter happens at a level of being where we thought there was no one to meet. At a level we avoided because we did not want to find ourselves and realize the fear of being ultimately alone, there we find everything we have been looking for. Once we did everything to distract ourselves from ourselves because we were so frightened to discover the eternal, cold loneliness of the self. But mediation reveals that fear as the ultimate foolishness, because at that level of our being where we thought there was no one to meet, we meet Christ. [. . . .]
Meditation shows its effectiveness in the way we make relationships. It leads to a deeper and sharper awareness of our true nature. The truth of human nature is not, as we dread it is, that of an isolated speck of cosmic dust, a lonely monad, but that we are beings in communion. [. . . .] [W]ithout human love anything that we call the love of God is a farce and sham.