Entendendo a Fé

Leitura de Domingo, 20 Outubro 2019
Laurence Freeman, OSB

Extraído do livro Primeira Vista- A Experiência da Fé (Petrópolis - RJ: Ed. VOZES, 2012).

A mera afirmação e defesa de nossas convicções, não pode conduzir a uma verdadeira comunidade de fé. Isso faz com que nos tornemos membros de uma seita, uma cabala fundamentalista. Fecha a mente, como órgão de percepção e da verdade. Caso confundamos a fé com a crença, dessa maneira, e passemos a pensar na fé como doadora de um senso de sermos diferentes ou superiores aos outros, terminaremos como o fariseu que agradecia a Deus por fazê-lo diferente dos outros e ficava satisfeito por ser superiormente diferente. A mente religiosa, nesse estado, pode até se persuadir a si mesma de que isso seja humildade. Ao nos identificarmos inteiramente com a crença (o lado esquerdo do cérebro), negando a fé (o lado direito do cérebro), ocupamos um mundo privado só nosso, em lugar do reino de Deus, ou do reino de Cristo, no qual “não há nem judeus, nem gregos, homens ou mulheres, escravos ou libertos”. [...]

A fé é a pista de alta velocidade para o espírito. Todo ato de fé que fazemos, é uma descoberta do labirinto do espírito. A crença, quando separada da fé, conduz a um labirinto de espelhos, uma série de infinitas regressões, o labirinto egoísta. Labirintos levam a pontos sem saída e, quanto mais nos perdemos, mais entramos em pânico. Os labirintos só nos pedem para seguirmos fielmente seus volteios e suas curvas, estranhos, mas, afinal simétricos, de modo a sermos conduzidos ao lar, ao centro.


Texto original em inglês

An excerpt from Laurence Freeman, FIRST SIGHT: The Experience of Faith (London: Continuum, 2011).

Merely asserting and defending our beliefs cannot lead to a true community of faith. They make us become sect-members, a fundamentalist cabal. They shut down the mind as an organ of perception and truth. If by confusing faith and belief in this way, we think of faith as bestowing a sense of being superior to others, we end up like the Pharisee who thanked God for making him different from others and found satisfaction in being superior to them. The religious mind in this state can even persuade itself that this is humility. Identifying with belief at the expense of faith, we occupy a private world of our own rather than the kingdom of God or the Christ-realm in which “there is neither Jew nor Greek, male or female, slave nor free.” [. . . .]

Faith is the highway to the spirit. Every act of faith we make is an uncovering of the labyrinth of spirit. Belief, sundered from faith, leads to a maze of mirrors, a series of infinite regressions, the maze of the ego. Mazes lead to dead-ends and the more we get lost the more we panic. Labyrinths only ask us to follow faithfully their strange but ultimately symmetrical loops and bends in order to lead us home