Estágios da Fé

Leitura de Domingo, 27 Outubro 2019
Laurence Freeman, OSB

Extraído do livro Primeira Vista- A Experiência da Fé (Petrópolis - RJ: Ed. VOZES, 2012).

Manter nossa atenção sobre o bem, mesmo nos tempos em que tudo o que podemos sentir é tóxico e sem sentido: essa é a obra da fé... [A fé nos ajuda] a enfrentar e, finalmente, expulsar o medo, nosso maior obstáculo, o inimigo do amor. [...] um dos frutos, que mais prontamente podemos ver crescer, com o passar do tempo, é o decréscimo no nível de medo em nós. Os mais diversos tipos de coisas e de situações podem gerar medo, e dar corpo a padrões debilitantes que nos aprisionam, e reduzem nossa liberdade para amar. O medo pode ser gerado pelo próprio amor, quando sentimos o terror de sermos possuídos. Existe também, o medo de não sermos passíveis de ser amados, o medo do fracasso, até mesmo o do sucesso, da rejeição, da inadequação, da doença, do sofrimento e da morte. A contradição do amor, em essência, é o medo, e não o ódio; o medo paralisa o amor e mina a fé.[...]

Se, por um lado, o medo se opõe ao amor, por outro, a atenção o cultiva. De fato, a atenção pura que é oração é, em si mesma, uma manifestação de amor. A sabedoria mística cristã diz que a ação da contemplação é uma ação do amor, não uma ação prevalentemente moral ou intelectual; não um tipo platônico de conhecimento, ou um tipo extraterrestre de sabedoria; mas, amor. O amor é pessoal, relacional; está incorporado no presente. E, quando ele é suficientemente forte, ele expulsa o medo.

 


Texto original em inglês

An excerpt from Laurence Freeman, OSB, FIRST SIGHT: The Experience of Faith (London: Continuum, 2011).
Keeping our attention on the good, even in times when all we can feel is toxic and hopeless, is the work of faith. . . . [Faith helps us] confront and eventually expel fear, our biggest single obstacle and the enemy of love. [. . . .] One of the fruits of faith is that over time we can see a reduction of the level of fear in ourselves. All sorts of things and situations can breed fear and form crippling patterns that imprison us and reduce our freedom to love. Fear may be aroused by love itself as we feel the terror of being possessed. There is also the fear that we are unlovable, the fear of failure, even of success, rejection, inadequacy, sickness, suffering and death. Essentially fear, not hate, is the contradiction of love; it paralyzes love and undermines faith. [ . . . .]

If fear opposes love, attention cultivates it. In fact, the pure attention that is prayer is itself a manifestation of love. Christian mystical wisdom says that the work of contemplation is a work of love, not primarily a moral or intellectual work; not a platonic kind of knowledge or an extraterrestrial kind of wisdom, but love. Love is personal, relational. It is embodied in the present. And when it is strong enough, it casts out fear.