Fé Cristã

Leitura de Sábado, 23 Novembro 2019
Laurence Freeman, OSB

Extraído do livro Primeira Vista- A Experiência da Fé (Petrópolis - RJ: Ed. VOZES, 2012).

Quando reconhecemos e absorvemos a dimensão contemplativa do evangelho, as metáforas e as formas da igreja começam a mudar. Elas se tornam mais justas e inclusivas. Mulheres encontram a igualdade em um mundo dominado pelos homens. Homoafetivos não são considerados desajustados. [Refugiados não são demonizados.] Questões de justiça social e ambiental tornam-se tão importantes quanto a proteção à ortodoxia. Sempre que a igreja respira na oração do espírito, a partir do coração, e não apenas a partir da devoção, seja ela pública ou privada, ela experiencia a transcendência inerente à fé, de maneira coletiva. Ao se tornar menos autocentrada, percebe que serve ao Reino, e o transmite, mas, que não deve ser identificada com o Reino. Com o ar puro da contemplação, a fé cresce e as crenças se estabelecem no nível certo.
Muda, também, a linguagem que utilizamos acerca de Jesus. Não falaremos mais dele como se fosse o capitão do time que está ganhando, que está derrotando os outros, ou como se fosse o juíz, que veio para condenar o mundo. A ideia do sacrifício e da redenção, assume um significado mais sutil e mais místico. No entendimento de Jesus como Divino Terapeuta, a Palavra que cura todas as pessoas, a igreja começa a falar de uma maneira que o mundo pode entender.

 

 


Texto original em inglês

An excerpt from Laurence Freeman, FIRST SIGHT: The Experience of Faith (London: Continuum, 2011).

When the contemplative dimension of the gospel is recognized and absorbed, the metaphors and forms of the church begin to change. They become more just and inclusive. Women find equality in a male-dominated world. Gays are not told they are ‘disordered.’ [Refugees are not demonized.] Issues of social and environmental justice become as important as protecting orthodoxy. When it breathes in the prayer of the spirit in the heart, not just from public worship or private devotion, the church experiences collectively the transcendence inherent in faith. Becoming less self-centered it sees that it serves but is not to be identified with the Kingdom it is meant to communicate. With the pure air of contemplation, faith grows and belief settles at the right level.

The language we use about Jesus also changes. We no longer speak about him as if he were the captain of the winning team, defeating others, or as a judge come to condemn the world. The idea of sacrifice and redemption take on a more subtle and mystical meaning. Understanding Jesus as the Divine Physician, the all-healing word, the church begins to speak in a way the world can understand.