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O Caminho para a Verdade

 

Estas palavras estão no evangelho de João, ditas por Jesus: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (Jo. 8,31 e 32)

Todos sentimos dentro de nós a necessidade de nos confrontarmos com a verdade, encontrar alguma coisa, algum princípio nas nossas vidas que seja completamente confiável, seguro, digno da nossa confiança. Todos sentimos esta necessidade de, de um modo ou doutro, fazer contacto com realidades fundadoras.

 

O caminho da meditação trata disso. Quando iniciamos o caminho da meditação, iniciamos o caminho para a verdade. Nenhum de nós pode contentar-se apenas com a experiência que outras pessoas fizeram da verdade. Todos temos que conhecer a verdade através da nossa própria experiência.

Como é que meditamos? Se quisermos seguir este caminho, temos que nos comprometer a meditar todos os dias, manhã e noite. O caminho  é a própria simplicidade. Tudo o que temos que fazer é sentarmo-nos e dizer o nosso mantra. A palavra que vos recomendo é a palavra aramaica MARANATHA. Quando meditamos juntos cada um de nós tem que aceitar a responsabilidade de dizer a palavra do princípio ao fim, MA-RA-NA-THA. Dizer a palavra é em si próprio uma experiência de liberdade. Libertamo-nos de todas as nossa preocupações imediatas – tudo o que nos preocupa, tudo o que nos traz felicidade -. Pomos de lado tudo o que se está a passar para estarmos aberto à verdade última e absoluta.

A sabedoria ensina-nos que chegar à verdade é  experienciar a gratuidade de Deus e a sua bondade amorosa. E na visão cristã da meditação, todo o objetivo é simplesmente estar aberto à presença de Deus nos nossos corações. As pessoas muitas vezes perguntam, “porque é que eu devo meditar?”, “porque é que medita?” Penso que parte da resposta está em que na experiência da meditação nós nos reconhecemos como verdadeiros, reais, não a fazer um papel, não a corresponder às expetativas dos outros para nós, mas a experiência de sermos quem somos. A meditação é importante para nós porque cada um tem de aprender a ser verdadeiro e fiel à verdade do seu próprio ser.

Aquele que é verdadeiro, é também o que é fiel. E o poder da meditação é que ao experienciar isto, no silêncio a que a nossa palavra nos leva, aprendemos a viver pela bondade de Deus quando contactamos com a sua bondade nos nossos corações. Deus é verdadeiro e cada um que descobre a sua própria unidade com Deus entrou nessa relação fundamental, e como resultado, todas as nossas relações se preenchem com a bondade e a verdade de Deus.

Jesus diz: ”A verdade vos libertará!” A liberdade é a liberdade de sermos nós próprios e a liberdade de deixar os outros serem eles próprios. A liberdade de nos amarmos a nós próprios, os outros  e Deus. Mas essa liberdade depende de um comprometimento total com a verdade.

As pessoas perguntam “quanto tempo é que isto demora? Tenho meditado todas as manhãs e todas as tardes, desde há seis meses e não tenho a certeza de que tenha feito qualquer diferença”. A resposta a isso é que não interessa quanto tempo é que é preciso. Interessa é que estamos no caminho, estamos na peregrinação, e que diariamente – talvez apenas por um centímetro de cada vez, mas diariamente – o nosso comprometimento com a verdade e com a liberdade crescem. O crescimento é muitas vezes impercetível, mas não importa. O que importa é que estamos a crescer, e que não nos rendemos pela metade, nem traímos o dom do nosso próprio ser, mas estamos dedicados ao crescimento e à maturidade, à verdade e à liberdade.

O oposto da verdade é a falsidade ou ilusão. E a meditação é um compromisso com  a verdade, um compromisso é deixar de tentar criar a nossa própria realidade, de viver na luz de Deus e pela luz de Deus. Esse compromisso  diário e a sua suavidade, à medida que meditamos todos os dias, é um modo de aprender a acostumar os nossos olhos a verem o que têm diante deles, em vez de tentarem imaginar o que têm diante deles e depois tomá-lo por realidade.

O que é real? Deus é real e a realidade de Deus é revelada em Jesus. A coisa mais importante da proclamação cristã é que Jesus se encontra nos nossos corações em toda a sua realidade. Na sua luz nós vemos a luz e nessa luz reconhecemo-nos livres.

Assim quando começarmos, temos que começar na fé e continuar na fé. E a única maneira de chegar à tal luz, à tal verdade, à tal liberdade é através da fé. Sempre que nos sentamos para meditar, a nossa fé é testada e vai ser fortificada. O tempo da meditação quando dizemos o nosso mantra do princípio ao fim, pode parecer uma completa perda de tempo. Mas lembrem-se que Jesus vive nos nossos corações. Ele é a revelação de Deus e só em Deus e de Deus é que temos a nossa realidade.

Dizer o mantra é desviarmo-nos de toda a ilusão, de toda a imaginação, de toda a falsidade em direção à verdade suprema.