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Paz

Uma das coisas que nos interessa a todos é encontrar o caminho não só para a harmonia nas nossas vidas, mas para algo que apenas  podemos descrever pela palavra “paz”. O sentimento de paz é o sentimento de estar intacto, estar em comunhão, estar completo. Não é apenas o sentimento de estar calmo. Não é isso: é algo muito mais positivo. É um sentimento de bem-estar, quando descobrimos a nossa própria harmonia, a harmonia dentro de nós próprios e a harmonia de que somos capazes na relação com os outros, a harmonia que experienciamos com a natureza quando vimos um dia belo e claro ou uma vista maravilhosa ou um céu deslumbrante. Nesses momentos de revelação  percebemos de rompante que é disso que se trata: um sentimento de união com a natureza, connosco, com os outros. É por isso que meditamos.

Quando começamos a meditar temos que ter alguma motivação. Algum objetivo que nos faça continuar, que nos inicie nessa estrada. Se quiseres uma motivação para conseguir esse estado de harmonia e de paz (que em muitas das escrituras sagradas, quer nas tradições orientais, quer nas tradições do ocidente é descrito como um estado abençoado, de glória, de salvação, ou de vida, o sentimento de estar totalmente vivo)  essa será uma boa motivação. Mas uma vez que começaste a meditar de  um modo regular e diário, começas a compreender que a meditação tem a sua própria dinâmica, não é apenas como qualquer outra atividade na tua vida. Não a abordamos do modo: se eu meditar tantas vezes terei esta recompensa, o nível x de paz; se eu for particularmente fiel aí terei x+1, seja o que for.

Quando se começa a meditar percebemos que chegamos lá sem exigências, sem esperar recompensas. Meditamos simplesmente, porque é a única maneira que encontramos que nos leva a esse sentimento de totalidade, de unidade. Descobrimos na meditação que é para isso que a vida nos foi dada: para ser um, para ativar todo o nosso potencial para a vida, para a felicidade, para ser.

A meditação é para o espírito o mesmo que a respiração é para o corpo. Se alguém nos perguntasse qual é a nossa motivação para respirar responderíamos: “não tenho motivação. É necessário respirar, é necessário para viver. Não tenho uma motivação consciente para isso tudo”. Quanto mais meditarmos, mais experienciamos o nosso espírito em harmonia pacífica com o nosso corpo, em harmonia  pacífica com toda a criação e com o criador, e percebemos que não precisamos de qualquer motivação para meditar. Meditamos porque somos, e porque Deus é; porque essa é a estrutura da realidade: Deus criador, eu como criatura, viva na criação de Deus. A meditação é apenas um modo de me tornar totalmente viva em relação a tudo isso.

É disso que trata a oração cristã. Em essência não se trata de pedir coisas a Deus, ou informar Deus sobre coisas. Trata-se de estar completamente aberto a Ele, completamente com Ele, em completa harmonai com Ele. A meditação é paz, é felicidade e é segurança total, porque nela estamos ancorados na realidade total.

Oiçamos o que S. Paulo escreveu na Segunda Carta aos Coríntios:

“ Porque Deus que disse que das trevas resplandecia a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, e não de nós (2 Cor. 4:6)

É por isso que meditamos, para que a glória de Deus seja encontrada nos nossos corações, se conseguirmos ser calmos, silenciosos e pobres. A nossa pobreza consiste nisto: desistirmos de todas as palavras, pensamentos e imaginação e ficarmos com a única palavra, a palavra do nosso mantra, e formos totalmente fiéis à recitação dela do princípio ao fim.