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Comprometimento com a realidade

É muito difícil tentar determinar o que é que faz uma pessoa querer  meditar. É uma coisa que me tem confundido ao longo dos anos. Parecem haver tantas razões pelas quais as pessoas começam a meditar. Mas penso que há apenas uma razão que as mantem a fazer meditação. Parece-me ser um comprometimento cada vez maior com a realidade.

Quanto mais meditamos e perseveramos através das dificuldades, através dos falsos começos, mais claro se nos torna que temos que continuar, se queremos viver a nossa vida de um modo significativo e profundo. Não devemos nunca esquecer o caminho: repetir o mantra do princípio ao fim da meditação. Isso é básico, axiomático, e não deixemos ninguém dissuadir-nos desta verdade.

 

Se estivermos a ler podemos deparar-nos com todas as variantes e alternativas. Mas a disciplina da meditação, a ascese da meditação, faz-nos uma exigência em termos absolutos: que deixemos o ego, os  pensamentos, análises e sentimentos de lado tão completamente de modo a ficarmos totalmente à disposição do Outro. Temos que fazer isto de um modo absoluto, e essa é a exigência que o mantra nos faz: dizê-lo do princípio ao fim em total simplicidade e absoluta fidelidade.

Qual é a diferença entre realidade e não realidade? Penso que o modo de perceber isto é que a não realidade é o produto do desejo. A realidade é simplesmente estar enraizado em Deus, a raiz do nosso ser. O desejo exige movimento constante, luta permanente. A realidade exige quietude  e silêncio. E esse é o compromisso que fazemos quando meditamos.

Como todos já descobrimos da nossa própria experiência, é na  quietude e no silêncio que aprendemos a aceitar-nos como somos. Isto soa muito estranho aos ouvidos modernos, sobretudo aos cristãos modernos que foram educados a viver numa luta ansiosa: será que eu deveria ser ambicioso? E se eu for uma pessoa má? Não deveria desejar ser melhor?

A tragédia real dos nossos tempos é que estamos tão cheios de desejo de felicidade, de sucesso, de riqueza, de poder, o que quer que isso seja, que estamos sempre a imaginar como poderíamos ser. Assim, raramente nos conhecemos como somos, e raramente aceitamos a nossa situação presente. Mas a sabedoria tradicional diz-nos: saibam que são e que são como são. Pode bem ser que sejamos pecadores e se formos é importante que saibamos que o somos.  Mas muito mais importante para nós é saber pela nossa própria experiência que Deus é a raiz do nosso ser, que estamos enraizados nele e fundados nele. Todos sabemos isso pessoalmente, por experiência própria nos nossos corações. Esta é a estabilidade de que todos precisamos, não a luta e o movimento do desejo, mas a estabilidade e quietude do enraizamento. O que todos estamos convidados a aprender na nossa meditação, na nossa quietude em Deus, é que nele temos todas as coisas que precisamos.

A raiz da qual brotamos é o amor. Nele somos e nos reconhecemos como amáveis e amados. Esta é a realidade suprema que Jesus veio pregar, comunicar, viver, estabelecer. E ela está impressa no nosso coração, se estivermos abertos para ela. É disto que trata a nossa meditação, porque é apenas deste amor e com este amor que nos podemos compreender corretamente, bem como a toda a criação. Sem este enraizamento no amor, apenas veremos sombras e fantasmas e nunca seremos capazes de contatá-los porque eles não são reais.

A meditação é o convite ao caminho profundo em direção ao nosso coração, em direção ao nosso ser. O que a sabedoria tradicional nos diz é que apenas com esta profundidade de experiência e visão é que podemos viver em harmonia total com tudo o que existe. É isso que nos leva à meditação: perceber pela nossa própria experiência que Deus é.

A meditação é o grande caminho para a fé, para o comprometimento. Todas as ações são superficiais, ou mero imdiatismo se não estão fundadas no nosso comprometimento com o que é real, com o que é eterno. Este é o nosso convite como cristãos: aprender  o que é real e o que é eterno, e sabendo isso viver as nossas vidas inspiradas no amor.

Esta é a finalidade da nossa meditação, que não haja nada falso em nós, só realidade; só amor, só Deus.