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Contactando o nosso próprio espírito

Cada vez mais homens e mulheres na nossa sociedade começam a perceber que os nossos problemas pessoais e os problemas que enfrentamos como sociedade são basicamente problemas espirituais. O que cada vez mais compreendemos no nosso mundo é que o espírito humano não encontra realização no sucesso e prosperidade materiais. Não é que o sucesso e a prosperidade materiais sejam maus em si próprios, são apenas inadequados como resposta cabal e última à situação humana.

Como resultado do materialismo em que vivemos, muitos homens e mulheres começam a descobrir que o seu espírito está sufocado. E muita da frustração nos nossos dias deve-se ao sentimento, que tantos de nós têm, de que fomos criados para algo melhor do que isto, algo mais sério do que apenas a sobrevivência do dia a dia. Para nos conhecermos a nós próprios, para nos compreendermos, e sermos capazes de resolver os problemas, de os pôr em perspectiva, temos apenas que fazer contacto com o nosso espírito.

Todo o auto-conhecimento resulta de nos compreendermos a nós próprios como seres espirituais, e é apenas o contacto com o Espírito que nos dá a profundidade e o fôlego para compreendermos a nossa própria experiência. A experiência só é útil e instrutiva se formos capazes de a avaliar adequadamente. Tantas vezes, e sabemo-lo à nossa custa, temos a experiência mas escapa-nos o sentido.

O que a nossa tradição monástica tem a dizer é o seguinte: se queremos compreender-nos, se queremos saber quem somos, temos que contactar o nosso próprio centro. Temos que ir até ao fundo de nós próprios. E a menos que esse processo esteja a realizar-se, todas as nossas experiências serão superficiais. O modo de fazer isto não é difícil, é muito simples. Mas requer compromisso e envolvimento sério na nossa própria existência, que tomemos a vida a sério.

A revelação maravilhosa que está à disposição de todos se nos pusermos a caminho com disciplina, é que o nosso espírito está enraizado em Deus e todos temos um destino, um significado e uma importância eternos. Esta é uma das descobertas mais importantes para todos nós. A nossa natureza tem um potencial infinito de desenvolvimento, mas ele só acontece se começarmos a peregrinação para o nosso próprio centro, para o nosso coração, porque é apenas lá, nas profundezas do nosso próprio ser que nos descobrimos enraizados em Deus.

A meditação é apenas este meio de fazermos contacto com o nosso próprio espírito e nesse contacto encontrar um modo de integração, de perceber a nossa experiência a harmonizar-se, tudo a ficar alinhado em Deus. O caminho da meditação é muito simples. Tudo o que temos que fazer é estar na maior quietude de corpo e espírito.

A quietude do corpo conseguimo-la ao sentarmo-nos quietos. Assim, quando começamos a meditar devemos encontrar uma posição confortável. A única regra essencial é manter a coluna o mais direita possível. Depois a quietude de espírito, o modo de a alcançarmos segundo a tradição monástica, é aprender a dizer na profundeza do nosso espírito uma palavra ou uma pequena frase.

A arte da meditação é apenas  repetir essa palavra sem parar. A palavra que vos recomendo é a palavra aramaica (aramaico é a língua que Jesus falou) MARANATHA. Digam-na em quatro sílabas com igual cadência: ma-ra-na-tha. Digam-na em silêncio na profundeza do vosso ser. Não mexam os lábios, recitem-na interiormente. O que é importante, e devem percebê-lo desde o início, é recitar a vossa palavra do princípio ao fim da meditação.

Aprender a meditar é aprender a libertar os nossos pensamentos, ideias e imaginação, e é aprender a descansar no mais profundo do nosso ser. Tentem lembrar-se  disso. Não pensem, não usem nenhumas palavras para além da palavra escolhida, não imaginem nada, façam-na ressoar no mais profundo do vosso espírito e oiçam-na. Concentrem-se nela com toda a atenção: ma-ra-na-tha.

Porque é que isto é tão poderoso? Basicamente porque nos dá o espaço que o nosso espírito necessita para respirar. Dá a todos nós o espaço para sermos nós próprios. Quando meditamos não precisamos de pedir desculpa ou de nos justificar. A única coisa que precisamos é de ser nós próprios, aceitar das mãos de Deus a dádiva do nosso próprio ser, e nessa aceitação de nós próprios, da nossa criação, do nosso ser, entramos em harmonia com o criador, com o Espírito.

É disto que trata a meditação, o nosso espírito em total harmonia com o espírito de Deus. E se queremos aprender a meditar, se queremos aprender a viver a nossa vida desde o mais profundo de nós próprios, então temos que ir construindo isto no nosso dia a dia, temos que aprender a criar um espaço na nossa vida todas as manhãs e todas as tardes. O tempo mínimo é à volta de 20 minutos, o tempo óptimo é à volta de 30.

Uma vez que tenhamos aprendido essa disciplina, começaremos a viver em harmonia: harmonia connosco porque tudo na nossa vida se vai harmonizar com Deus e harmonia com toda a criação porque teremos descoberto  o nosso lugar nela. E o mais extraordinário da revelação cristã é que o nosso lugar é nada menos do que estar enraizado e fundado em Deus.

S. Paulo escreve aos Tessalonissenses:

Quanto a nós, devemos dar contínuas graças a Deus por vós, irmãos muito amados do Senhor, porque Deus vos escolheu, desde o princípio, para a salvação pela acção santificadora do Espírito e pela fé que vem da verdade. A isto é que Ele vos chamou por intermédio do nosso Evangelho: à posse da glória do Nosso Senhor Jesus Cristo.( 2ªTess.2 13-14) .

É disto que trata o caminho da meditação: entrar em harmonia total, em total união com o espírito de Jesus que vive nos nossos corações.