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Quarta-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

“Judas, que iria trair Jesus perguntou, “Certamente não sou eu, certo Rabi”? “Essas são suas próprias palavras”, respondeu Jesus.

Há muitos aspectos reveladores ao redor da temática da traição na história da Paixão. Jesus é aquele que é traído, obviamente por um discípulo em particular. Mas Jesus é também aquele que prevê e expõe isso quase clinicamente. Judas se faz de inocente e diz “certamente não sou eu” e Jesus diz - não pela primeira vez – “você disse isso, não eu”. Assim como com Pilatos ou com as autoridades religiosas que o enchem de perguntas, ele evita as armadilhas de suas ambiguidades e deixa as próprias palavras deles servirem de resposta.

Ele parece muito equilibrado em meio à traição e às falsas acusações que levaram à sua destruição. A motivação de Judas permanece um mistério – como a de Iago em Otelo que parece sentir prazer na malícia por si mesma. Mas a óbvia traição de Jesus por uma quantia simbólica de trinta moedas de prata parece estar tão integrada ao significado do destino de Jesus que ele aceita isso sem amargura ou censura. Ele simplesmente está aberto a isso e o aceita. Podemos imaginar a tristeza e a dor de ser traído por alguém tão próximo mas Jesus não trai a proximidade entre eles. Não há censura amarga ou mesmo a contra-rejeição vingativa ao traidor.

John Main disse que uma das prioridades da educação é a de nos preparar para a experiência da traição. Nossas esperanças e planos frequentemente nos traem.

O mau tempo nos decepciona no dia de um planejado piquenique. Aviões atrasam quando nós estamos com uma agenda apertada.

Pessoas em quem colocamos altas expectativas frequentemente falham em preenche-las. Nos anos mais vulneráveis de nossa formação quando crianças precisamos de proteção contra os primeiros efeitos das inevitáveis traições e desapontamentos da vida.

Há algo de horrível em decepcionar as esperanças de uma criança ou não manter uma promessa. Sabemos que a confrontamos com um fato cruel da vida. Esperamos que não tenha sido cedo demais, que não cause danos demais, cedo demais, na forma como ela se relacionará com o mundo. A vida depende de confiança.

Judas e Jesus parecem ter uma estranha intimidade nessa história. Pelo menos eles estão abertos entre eles. Os outros discípulos traem passivamente ou apenas fogem. Quando somos traídos dessa maneira geralmente reagimos instintivamente – como vítimas, como a parte prejudicada, como aquele que portanto se aproveita de uma superioridade moral.

Jesus no entanto responde intuitivamente de uma posição diferente, mais profunda do que o previsível complexo de reações psicológicas. Ele é verdadeiro, franco e ainda assim não culpa ninguém. Sua compaixão tem uma paciência, um desapego descomplicado. Ele perdoa sem necessidade de lágrimas e reconciliações dramáticas. Como se perdoasse antes mesmo da ofensa ser cometida.

Quem é essa pessoa revelada em sua reação a uma forma muito profunda de sofrimento humano, tão distante de nós e ainda assim tão próxima?

 



Texto original em inglês

Wednesday of Holy Week
By Laurence Freeman, OSB 

‘Judas, who was to betray him; asked in his turn, ‘Not I, Rabbi, surely?’ ‘They are your own words’ answered Jesus.’

There are several revealing aspects around the theme of betrayal in the Passion story. Jesus is the one betrayed, most obviously by one particular disciple. But Jesus is also the one who foresees it and exposes it almost clinically. Judas plays innocent and says ‘not I surely’ and Jesus says – not for the first time – ‘you said it not me’. As with Pilate or the religious authorities who ask him loaded questions, he avoids being trapped in their duplicity and lets their own words serve as their answer.

He appears very poised in the midst of the betrayal and the false accusations that lead to his destruction. Judas’ motivation remains a mystery – like that of Iago in Othello who seems to take pleasure in mischief for its own sake. But the obvious betrayal of Jesus for a symbolic thirty pieces of silver seems to be so integral to the meaning of the destiny of Jesus that he accepts it without bitterness or blame. He is simply open about it and accepting. We can imagine the sadness and hurt of being betrayed by one close to you but Jesus himself does not betray the closeness between them. There is no bitter blame or even a vindictive counter-rejection of the betrayer.

John Main said that one of the priorities of education is to prepare us to deal with the experience of betrayal. Our hopes and plans often betray us.

The weather lets us down on the day of the planned picnic. Planes get delayed when we are on a tight schedule.

People in whom we have placed high expectations often fail to fulfill them. In our most vulnerable formative years as children we need to be protected from the early effects of life’s unavoidable betrayals and disappointments.

There is something awful about letting down a child’s hopes or not keeping a promise. We know that we have confronted them with a harsh fact of life. We hope it has not been too soon, that it has not done too much damage, too early, to how they deal with the world. Life depends on trust.

Judas and Jesus seem to have a strange intimacy in this story. At least they are open with each other. The other disciples betray passively or just run away. When we are betrayed like this we usually react instinctively – as victims, as the injured party, as the one who therefore enjoys a moral superiority.

Jesus however responds intuitively from a different place, deeper than the predictable complex of psychological reactions. He is truthful, frank and yet un-blaming. His compassion has a patient, uncomplicated detachment. He forgives without the need for tears or dramatic reconciliation. As if he forgave before the offence was even committed.

Who is this person revealed in his reaction to a very deep form of human suffering, so distant from us and yet so close?

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.