Leitura da Semana

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Quinta-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

Ele sempre amou os seus que estavam no mundo, mas agora ele mostrou quão perfeito era o seu amor.

Na última refeição ritualística que Jesus compartilhou com seus amigos ele se entregou a isso com tanta paixão que ele mesmo se tornou a própria refeição. Os símbolos do pão e vinho, frutos comuns da terra e itens básicos das refeições locais diárias, ocasionaram sustento e celebração.

Quando nós celebramos o que nos sustenta nós expressamos um contentamento profundo e integral com o que é. Nós não sonhamos com nada além do nosso alcance e nem projetamos nossas esperanças na felicidade futura. E se nós formos adiante para compartilhar igualmente de maneira justa tudo o que nós temos, nós produzimos a distintiva felicidade humana do verdadeiro companheirismo. É um contentamento que é ao mesmo tempo incorporado e transcendente. Nessa felicidade nós sentimos a ansiedade do coração humano transcendida, com todos os seus medos e anseios, em um reconforto definitivo, íntimo, de que estamos seguros no amor das pessoas com as quais estamos.

Enquanto ele realizava o ritual simples que identificava o seu próprio povo e a sua própria cultura, o pão rústico e o vinho de mesa tornaram-se tudo o que ele sentia e tudo o que ele era. O que mais podemos dizer àqueles que amamos além de ‘Eu lhes dou meu corpo e tudo o que ele significa sobre quem eu sou para vocês’? Nesta transmissão do próprio eu, em um ritual tornado misticamente real pela amorosa devoção de sua intensidade concentrada, o local se torna universal. O evento conectado por um momento particular se move para um eterno presente. Um sacramento.

Após aquela primeira última ceia os sucessores dos apóstolos continuaram a transmissão. A refeição do agape nasceu. Em um ato recíproco de amor e partilha do ‘eu’ a refeição comunitária se tornou um replay em tempo real daquela transmissão do ‘eu’ que transfigura o tempo no espaço. De uma forma ou outra, mais tarde tornou-se uma fonte de orgulho e de divisão, um apego a uma identidade protegida, ao invés de uma partilha do ‘eu’. Jesus deu o pão para Judas. Mais tarde nos foi dito que devemos estar em estado de graça para recebê-lo. A refeição íntima tornou-se um evento hierárquico. O remédio tornou-se um placebo para aqueles que pensavam que estavam saudáveis.

A meditação reestabelece o significado desta refeição que celebra o que nos sustenta. A presença na comida no altar é a mesma que a comida da presença em nosso coração. O interno e o externo tornam-se um. Nós somos curados porque a presença é real.

A refeição é a chave para o significado da Cruz.

 



Texto original em inglês

Holy Thursday
By Laurence Freeman, OSB 

 

He had always loved those who were his in the world, but now he showed how perfect his love was.

At the last ritual meal which Jesus shared with his friends he threw himself into it with such passion that he became it. The symbols of bread and wine, common fruits of the earth and staples of the daily local meals, occasioned both nourishment and celebration.

When we celebrate what nourishes us we express deep and wholehearted contentment with what is. We don’t dream about anything else beyond our grasp or project our hopes for happiness into the future. And, if we go further to share equally and equitably all we have, we make the distinctive human happiness of true fellowship. It is a contentment that is both embodied and transcendent. In that happiness we feel the anxiety of the human heart transcended, with all its fears and cravings, in an ultimate, intimate reassurance that we are secure in the love of the people we are with.

As he performed the simple ritual that identified his own people and culture, the crusty bread and table wine became all he felt and all that he was. What more can we say to those we love than ‘I give you my body and all it means about who I am for you’? In this transmission of self, in a ritual made mystically real by the whole-heartedness of its focused intensity, the local becomes universal. The event bounded by a particular moment moves into an eternal present. A sacrament.

After that first last supper the successors of the apostles continued the transmission. The agape meal was born. In a reciprocal act of love and sharing of self the communal meal became a replay in real time of that transmission of self which transfigures time in space. Somehow or other it later became a source of pride and division, a clinging to a protected identity, rather than a sharing of self. Jesus gave the bread to Judas. Later we were told that we had to be in a state of grace to receive it. The intimate meal became a hierarchical event. The medicine became a placebo for those who thought they were healthy.

Meditation restores the meaning of this meal that celebrates what nourishes us. The presence in the food on the altar is the same as the food of the presence in our heart. The inner and the outer become one. We are healed because the presence is real.
The meal is the key to the meaning of the Cross.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.