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Sexta-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

Na maioria dos sistemas legais da história a morte tem sido considerada tanto o maior dos crimes, quanto a maior das punições. Trata-se de algo irreversível, absoluto, e essa é uma das razões pelas quais é tão terrível. A outra, é claro, é a de tratar-se de uma perda que encerra todas as perdas. O medo da morte surgiu sempre que qualquer coisa que tivemos nos tenha sido tirada à força ou por acidente. Quando finalmente a morte chega ela parece provar que todo esse medo se justifica: afinal tudo desaparece; assim, em última análise, todas as coisas são sem sentido.

Jesus teria morrido de qualquer maneira algum dia. A conclusão do nascimento é a morte. Não se trata apenas de que ele tenha morrido, mas, também, como e porque ele morreu que tornam Santa esta Sexta-Feira. Como a sua morte difere da dos dois ladrões crucificados a seu lado, ou de qualquer outra pessoa que tenha morrido naquele mesmo dia no decurso da natureza?

Primeiramente, existe a lúcida e extraordinária luz que os relatos de sua morte fazem brilhar sobre sua mente e seu coração. Nós não enxergamos todas as coisas, porque ninguém pode saber tudo o que se passa até mesmo na própria mente, que dirá na dos outros. Porém, enxergamos o suficiente para saber que ele sofreu a dolorosa perda de sua conexão com a beleza do mundo. Ele passou pela separação final daqueles em quem encontrara companheirismo humano, e que haviam caminhado a seu lado nesta terra adorável que compartilharam como lar.

Ele conheceu a morte tal como todo ser humano a conhece. Ela precisava ser aceita e ele se rendeu a ela. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Ninguém nos disse ter havido uma voz que lhe sussurrasse “Não se preocupe, isso é apenas teatro, você ficará bem”. Aquilo era verdadeiro, o encerramento de tudo o que ele sabia e era. Renunciar a todas as coisas não significa ter a certeza de que todas as coisas dadas não se dissolverão em um nada, mas serão transformadas e devolvidas.

No entanto, no clímax dessa morte particularmente terrível e solitária, enxergamos (só porque ele o experienciou) algo que não impediu sua morte, mas a iluminou. Ao mesmo tempo que a luz da vida tremeluziu e se apagou, uma outra luz, de outra fonte, brilhou mais fortemente. O amor que ele conhecera durante sua vida no mais profundo conhecimento de si mesmo, provou ser real, mais real do que a morte. Sabemos disso porque no momento da perda final ele se doou no amor por aqueles que lhe tiravam a vida. Ele doou e perdoou e o perdão lança uma nova luz sobre a morte que é antiga. Precisamos esperar para saber que luz é essa.

 



Texto original em inglês

Good Friday
By Laurence Freeman, OSB 

Under most legal systems through history death has been both the greatest crime and the greatest punishment. It is irreversible, absolute, and that is one reason why it is so terrible. Another, of course, is that it is the loss that laces all losses. In anything we have ever had taken away from us by force or accident the fear of death has been aroused. When death finally comes it seems to prove that this fear is justified: eventually everything goes; so everything is ultimately meaningless.

Jesus would have died anyway at some point. The conclusion of birth is death. It is not only that he died, but also how and why he died that makes this Friday good. How is his death different from that of the two thieves crucified on either side of him or of the other people who died on the same day in the course of nature?

Firstly, there is the extraordinarily lucid light that the accounts of his death shine into his mind and heart. We don’t see everything because no one can know everything that passes even in his or her own mind, let alone in that of others. But we see enough to know that he suffered the rending loss of his connection with the beauties of the world. He underwent the ultimate separation from those in whom he found human companionship and who had walked on this lovely earth with him as their shared home.

He knew death as every human being knows it. It had to be accepted and he surrendered to it. ‘Into your hands I commend my spirit.’ We are not told that there was a voice that whispered, ‘don’t worry this is all just for show, you’ll be ok’. It was for real, the shutting down of everything he knew and was. To surrender everything does not mean to be certain that everything given will not dissolve into nothing but will be transformed and returned.

Yet in the climax of this particularly terrible and lonely death we see - because he experienced - something that didn’t prevent his dying but illuminated it. As the light of life flickered and expired another light shone more strongly from another source. The love that he had known in his deepest knowledge of himself during his life was proved to be real, more real than death. We know this because at the moment of ultimate loss he gave himself in love to those who were taking his life from him. He gave and forgave and the for-giving puts ancient death in a new light. What this light is, we have to wait and see.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.