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Sábado Santo (Sábado de Aleluia)

D. Laurence Freeman

“Alguma coisa estranha está acontecendo hoje”. Um escritor cristão do século 2 tentou expressar, em um belo ensinamento, a experiência de presença ausente que preenche o vazio após o enterro de Jesus.

Quem já enterrou uma pessoa querida sentiu esta estranheza que acompanha os rituais e o companheirismo de parentes e amigos. Com as piadas e as histórias, contadas nas reuniões ao fim dos serviços fúnebres, é possível, de acordo com conveções sociais, se distanciar brevemente da sensação de perda e vazio.

Pouco depois, porém, quando os copos e os pratos já foram guardados e os familiares retornaram, com certo alívo, a tocar suas vidas, vem a estranheza de ser um sobrevivente. A vida continua, mas em seu centro há uma ausência que, em alguns momentos, questiona o significado de todas as coisas.

O autor antigo olhou com profundidade esta ausência e, com os olhos da fé, viu um propósito na experiência coletiva do Nada. “Desejando profundamente visitar aqueles que vivem na escuridão e na sombra da morte, ele foi libertar da tristeza Adão e Eva aprisionados”. Alguma coisa se passa nos subterrâneos do sofrimento. Está se estabelecendo um processo que toca a pré-consciência da raça humana. Algo está sendo tocado e libertado em um lugar que parecia profundo e escuro demais para ser compreendido, e então permaneceu uma fonte primal de medo. 
“Levanta, vamos deixar este lugar, pois você está em mim e eu estou em você; juntos, nós formamos uma pessoa indivisível e não podemos ser separados.” A partir da separação definitiva, há agora a perspectiva ousada da união eterna.

A meditação, muitas vezes, é um Sábado Santo. O sentimento de falha ou perda ou desconexão tem de ser suportado. Mas, num nível mais profundo, há a certeza de que ainda não se quebrou a superfície da consciência que é a esperança.

 



Texto original em inglês

Holy Saturday
By Laurence Freeman, OSB  

‘Something strange is happening today’. A second century Christian writer in a beautiful teaching once tried to express the experience of absent presence that fills the emptiness after the burial of Jesus.

Everyone who has buried a loved one has felt this strangeness that follows the rituals and the companionship of family and friends. In the jokes and stories at the gathering after the service, there is permission, within the social conventions, to step aside briefly from the sense of loss and emptiness.
But soon after, when the plates and glasses have been cleared away and the family have returned with some relief to their own lives, the strangeness of being a survivor descends. Life carries on but at its centre there is a felt absence that at moments calls the meaning of everything into question.

The ancient author peered deep into this absence and with the eyes of faith saw a purpose in the collective experience of nothing. “Greatly desiring to visit those who live in darkness and in the shadow of death, he has gone to free from sorrow the captives Adam and Eve.” Something is at work in the netherworld of grief. A process is being enacted that touches into the pre-consciousnes of the human race. Something is being touched and freed in a place that seemed too deep and dark ever to be understood and so remained a primal source of fear.

“Rise, let us leave this place, for you are in me and I am in you; together we form one undivided person and we cannot be separated.” Out of the ultimate separation there is now the daring prospect of eternal union.

Meditation is often a Holy Saturday. The feeling of failure or loss or disconnection has to be endured. But, at a deeper level, there is a certainty that has not yet broken the surface of consciousness that is hope.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.