Leitura da Semana

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Sexta-feira Santa

D. Laurence Freeman

Reflexões da Quaresma - Laurence Freeman

Não diga que alguém é feliz até que ele esteja morto, disse o poeta Ésquilo.


Pode-se entender sua colocação mesmo que ela soe um tanto depressiva. A morte marca uma linha limítrofe absoluta para além da qual as mudanças fortuitas da vida (os sofrimentos inesperados, contratempos e desapontamentos em não alcançar seus objetivos) não podem passar. É verdade que não podemos ver o que está do outro lado mas deve ser muito diferente da vida deste lado.

Essa é uma interpretação minimalista da morte.

Na inesperada sensação de alívio e libertação que muitas vezes é sentida no momento da morte, há uma verdade revitalizante mais profunda e mais humana. A última expiração do corpo parece conduzir a uma inspiração profunda e emocionante de um tipo de ar diferente e mais puro. Faz com que a morte, que de outro modo poderia parecer invalidar todos os valores da vida, se torne uma fonte de significado e de esperança, que não há nenhum modo simples de explicar.

O modo como morremos diz muito sobre o tipo de pessoa que escolhemos ser pelo modo como vivemos. Na Cruz testemunhamos uma ausência absoluta de negação, uma aceitação da realidade - a experiência de Deus como fundamento do ser - que na verdade transforma a realidade para aqueles que, como nós, estão aos pés dessa árvore da vida, essa árvore do conhecimento do bem e do mal. Nós comemos de seu fruto ao permitir que nossa morte, tão repleta de resistência e negação - seja elevada à sua órbita, como um pequeno barco que é puxado pela esteira de um transatlântico. Essa morte elimina o medo da morte até que se torne nada mais do que a espuma de uma grande onda.

O tormento criado na corrida, o grito torturante da morte, como Ésquilo o chamava, não pode ser negado, mas é curável. Jesus nos deixa aos pés de uma árvore morta, como carpideiras ao redor de um leito de morte. Mas a intimidade da amizade que ele nos deu é mais forte do que isso. O silêncio sussurra que ele mergulhou profundamente além do que se vê, para confrontar os deuses sombrios de nossa raça. A longa e profunda inspiração do Espírito que ele tomou para esse mergulho o trará à superfície novamente.

 


 

Texto original em inglês

Holy Friday

Call no one happy until he is dead, said the poet Aeschylus. One can see his point, even though it sounds a little depressing. Death marks an absolute boundary line beyond which the shifting fortunes of life, the unexpected sufferings, setbacks and the disappointments at not achieving one’s goals cannot cross. It is true we cannot see what does lie on the other side but it must be very different from life on this side.
This is a minimalist interpretation of death.

In the unexpected sense of relief and liberation that is often felt at the moment of death there is a deeper and more human and vitalizing truth. The last outgoing breath of the body seems to lead to a deep and exhilarating inspiration of a different and purer kind of air. It makes death, which otherwise might seem to invalidate all the values of life, into a source of meaning and hope that there is no ordinary way of explaining.

The way we die says a lot about the kind of person we chose to be through the way we lived. In the Cross we witness an absolute absence of denial, an acceptance of reality – the experience of God as the ground of being – that actually transforms reality for those, like us, who stand at the foot of this tree of life, this tree of the knowledge of good and evil. We eat of its fruit by allowing our dying – so full of resistance and denial – to be lifted up into its orbit, as a smaller boat is pulled forward by the wake of an ocean liner. This death evaporates the fear of death until it becomes no more than the spray of a large wave.

The torment bred in the race, the grinding scream of death, as Aeschylus called it, cannot be denied but it is curable. Jesus leaves us standing at the foot of a dead tree, like mourners slumped on a death-bed. But the intimacy of friendship he gave us is stronger than this. The silence whispers that he has dived deep out of sight to confront the dark gods of our race. The long, deep breath of the Spirit he took for that dive will bring him to the surface again.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.