Leitura da Semana

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Sexta-feira Santa

D. Laurence Freeman

‘Faça isso em memória de Mim’, disse Jesus na Última Ceia. Porém isso passou a ser visto por aqueles que lembravam-se dele como aquele que trouxe uma luz direta sobre o significado de sua morte.

Ele não tirou sua própria vida. Porém, por estar tão presente ao que estava passando, ele fez de sua morte uma oferenda do mesmo modo que ofereceu sua presença real na Última Ceia. Essa conexão faz a sexta-feira de hoje Santa e Jesus inesquecível.

Nós não nos lembramos dele como um evento passado. Nós somos reconectados a ele como uma realidade presente fluindo pela história. Através da conexão pessoal de fé nós transformamos o passado em presente pela alquimia do amor. (o começo é fé, e o fim é amor, e a união dos dois é Deus – disse Santo Irineu)

A palavra é ‘anamnésia’. Ela está na terminologia médica também, para se referir a habilidade do paciente de se lembrar e expressar todo o histórico de sua doença. Para o evento de hoje ela significa que o que Jesus passou em Sua morte, e o que Ele revelou, está totalmente presente para nós. Essa presença está lá. Consequentemente, ela tem uma influência em todos nós, ou assim entende a fé Cristã.

Mas somente é real quando nos tornamos realmente presentes a ela. É como descobrir que a pessoa pela qual nos apaixonamos realmente tem os mesmos sentimentos por nós. Começamos a ter esperança. A esperança cura as feridas que nós nem sabíamos que tínhamos. E, finalmente, quando o amor pode ser totalmente declarado, talvez depois de muito sofrimento, há uma expansão de se estar além do ego da separação que não pode ser descrito.

Muitos de nós iremos à celebração da Sexta-feira Santa hoje – uma das mais populares do ano Cristão . Alguns de vocês podem escolher se juntar à fila que se forma para reverenciar a cruz. Façamos isso em ordem de vez, não atropelando para ser o primeiro da fila. Isso nos lembra que o que faz de hoje Santa é que nos abriu para um novo relacionamento com essa fonte de amor. Também mudou nosso relacionamento uns com os outros.

 


 

Texto original em inglês

Good Friday

‘Do this in remembrance of me’, Jesus said at his last supper. But this came to be seen by those who remembered him as also throwing a direct light upon the meaning of his death. He did not kill himself. But, through his being so present to what he was going through, he made his death a self-offering in the same way that he offered his real presence at the Last Supper. This connection makes today Good and Jesus unforgettable.

We don’t remember him as a past event. We are re-connected to him as a present reality flowing through history. Through the personal connection of faith we are turning the past into the present by the alchemy of love. (The beginning is faith, the end is love and the union of the two is God – said St Irenaeus).

The word is ‘anamnesis’. It exists in medical terminology, too, to refer to a patient’s ability to recall and express the full history of his condition. For today it means that what Jesus went through in his death, and what he released, is fully present to us. This presence is there. It therefore has an influence on everyone, or so Christian faith understands.

But it is only real when we become really present to it. It is like discovering that the person we have fallen in love with does actually have feelings for us. We begin to hope. The hope heals the wounds that we didn’t even know we had. And finally, when love can be fully declared, maybe after much suffering, there is an expansion of being beyond the ego of separateness that cannot be described.

Many of you will be going to a Good Friday service today – one of the most popular in the Christian year. Some of you may choose to join the line that forms to reverence the cross. We do so taking our turn, not rushing to the head of the queue. This reminds us that what makes today Good is that it has opened us to a new relationship with this fountain of love. It has also changed our relationship with each other.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.