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Quarta-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

Quarta-feira da Semana Santa 2017

Por um período Jesus foi popular e, depois, rejeitado. Ele dá a impressão de nunca ter cortejado a multidão, para apenas amar as pessoas comuns que ele via serem maltratadas, menosprezadas e manipuladas por seus líderes. Assim como em um eleitorado moderno, as pessoas nele projetaram suas esperanças de um líder forte, por um curto período. O sucesso gera sucesso. Quanto mais as pessoas elogiam, mais o movimento ganha velocidade. Mas, então, acidenta-se em uma colisão, como aconteceu com ele.

Tão instável quanto qualquer qualquer turba sempre o foi, o populismo moderno impulsiona ao alto seus grandes líderes e os arrasta para baixo se falharem em satisfazer seus sonhos. O amor pode se tornar ódio, rapidamente, tanto na política, quanto no romance.

Jesus destrói o mito do líder forte que via de regra precisa criar um mito à sua volta e acerca de si mesmo. É esse o mito que conduz à auto-corrupção. Jesus é um líder que não é corrupto, que não finge ser o que ele não é. Ele revela toda a verdade acerca de si mesmo cuidadosa e cautelosamente, pois ela é tão facilmente mal interpretada e explorada. No Evangelho de hoje, na medida em que nos aproximamos do clímax da história, nos é dada uma nova abordagem do tema central da traição. Na leitura de Isaías nos é dado um discernimento inesperado da natureza do paciente servidor que deve nos conduzir a uma vida melhor através dos paradoxos do fracasso e da rejeição. Esse discernimento lança luz sobre o mistério. Por estranho e ofensivo que possa parecer, o grande líder é um servidor que sofre e, um mestre que é um discípulo.

“O Senhor me deu língua de discípulo, para que soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto. De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos. O Senhor abriu-me os ouvidos”. 

Ele tem nos dito isso acerca de si mesmo, durante todo esse tempo. “... porque não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, me prescreveu o que dizer e o que falar... Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou”. Isso não se parece com o Cristo da Capela Sistina, ou com o austero Pantocrator (“Todo-Poderoso”) ambos da imaginação posterior. Trata-se do oposto do ego inflado de um grande líder.

A teoria da administração moderna tende a repudiar a ideia do grande líder, em benefício de um modelo mais corporativo e colaborativo. Caso algum modelo possa fazê-lo, esse se adapta melhor a Jesus. Ele deseja empoderar aqueles a quem lidera e, mostrar o caminho e, iluminar a senda, por meio de seu exemplo, em vez de por coerção. Ele é o tipo de líder que transforma a paisagem na qual trabalha, para abrir novos horizontes e para liderar por meio de uma energia de inspiração interiorizada por sua equipe, em vez de por imposição exterior.

Esse nem sempre foi o entendimento da igreja; e, não é um modelo fácil de ser seguido por quem quer que seja. O poder nos seduz a todos. Por isso é que a igreja se assemelha mais a Jesus quando mais lhe falta ego.

Se pudermos nos ater a essa verdade acerca dele, poderemos confiantemente seguí-lo onde quer que ele conduza.


 

Texto original em inglês

Wednesday Holy Week

Jesus was popular for a while and then rejected. He seems never to have courted the crowd, only to have loved the ordinary people whom he saw to be mistreated, demeaned and manipulated by their leaders. Like a modern western electorate the people projected their hopes for a strong leader onto him for a short while. Success breeds success. The more people praise, the more the bandwagon starts rolling. But then it crashes as it did for him.

Modern populism, which is as fickle as any mob has always been, raises and pulls down its great leaders once they fail to deliver on its dreams. Love can turn to hate as quickly in politics as in romance.

Jesus shatters the myth of the strong leader who habitually needs to create a myth around and about himself. It is this myth that leads to self-corruption. Jesus is an incorrupt leader who does not pretend to be what he is not. He carefully and guardedly reveals the full truth about himself because it is so easily misquoted and exploited.

In today’s gospel, as we approach the climax to the story, we are given another angle on the central theme of betrayal. In the reading from Isaiah we are given an unexpected insight into the nature of the suffering servant who is to lead us to a better life through the paradoxes of failure and rejection. This insight sheds light on the mystery. Strange or offensive as it sounds, the great leader is a servant who suffers and a teacher who is a disciple. 

‘The Lord has given me a disciple’s tongue. So that I may know how to reply to the wearied, he provides me with speech. Each morning he wakes me to hear, to listen like a disciple. The Lord has opened my ear.’

He has been telling us this about himself all along. ‘For I have not spoken from my own authority, but the Father himself who sent me has commanded me what I should say and what I should speak… My teaching is not my own. It comes from the one who sent me.’ This doesn’t sound like the Christ of the Sistine Chapel or the stern Pantocrator (‘Almighty’) of later imagination. It is the opposite of the great leader’s inflated ego.

Modern management theory tends to dismiss the great leader idea, preferring the more corporate and collaborative model. If any one model can, this one fits Jesus better. He wishes to empower those he leads and to show the way and blaze the trail by example rather than by coercion. He is the kind of leader who transforms the landscape he is working in, to open new horizons and to lead by a force of inspiration interiorized by his team rather than imposed from outside. 

This is not how the church has always understood it; and it is not an easy model for anyone to follow. Power seduces us all. It is why the church is most like Jesus when it is most lacking in ego. 

If we can hold onto this truth about him, we can confidently follow him wherever he leads.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.