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Domingo de Páscoa

D. Laurence Freeman

Domingo de Páscoa 2017

Por quarenta dias e noites - e mais - estivemos no deserto. E agora, no dia de Páscoa, quando o sol nasce, deixamos a parte mais difícil para trás. 

A maneira como vemos o deserto está agora transformada. Vemos as mesmas coisas, as rotinas da vida continuam como antes, as árvores e as nuvens são o que eram antes, políticos e banqueiros, artistas, terapeutas e monges fazem as suas coisas como antes. As fraldas ainda precisam ser trocadas e os tanques de gasolina reabastecidos. Continua a peregrinação da meditação da manhã e da noite .

Mas a nossa Ressurreição - e ela é não menos nossa do que d'Ele - mudou a maneira como vemos a vida neste reino de existência. O véu entre nós e todos os outros reinos do cosmos está agora cintilando.

Se ainda temos medo, não precisamos ter. Se ainda estamos atrelados ao ressentimento, não precisamos. Para mudar completamente, precisamos apenas vê-Lo. Não ouvir sobre Ele ou falar sobre Ele, mas vê-Lo. É Ele quem faz a nova criação cintilar.

"Para qualquer um unido a Cristo, há uma nova criação."

Tem sido bom viajar com vocês através do deserto nesta Quaresma. É bom agora ver com vocês como reconhecemos Jesus ressuscitado em todas as cintilações da vida.

Três dias atrás, iniciamos o processo formal de mudança para Bonnevaux, nosso novo lar e centro na França. No verão, esperamos iniciar a mudança e começar o trabalho das reformas.

Estou ansioso para ver o Cristo cintilante lá em Bonnevaux com vocês um dia. Por favor, mantenha este passo para uma nova vida para a nossa Comunidade em seu coração.

Feliz Páscoa e bênçãos em todos os próximos dias!


 

Texto original em inglês

Easter Sunday

For forty days and nights – and more – we have been in the desert. And now, on Easter Day as the sun rises we have put the most difficult part behind us.

The way we see the desert is now transformed. We see the same things, life’s routines continue as before, the trees and clouds are what they were before, politicians and bankers, artists and therapists and monks do their thing as before. Nappies still need to be changed and petrol tanks filled. The pilgrimage of meditation morning and evening continues.

But our Resurrection – and it is ours no less than his  -  has changed the way we see life in this realm of existence. The veil between us and all the other realms of the cosmos is now shimmering.

If we still have fear, we do not need to. If we are still clinging to resentment, we do not need to. To fully change, we need only to see him. Not hear about him or talk about him but see him. It is he who makes the new creation shimmer.

“For anyone united to Christ, there is a new creation.”

It has been good to travel with you through the desert this Lent. It is good now to see with you how we recognise the risen Jesus in all the shimmerings of life.

Three days ago we began the formal process for moving to Bonnevaux, our new home and centre in France. In the summer, we hope to begin the move and to begin the renovation work. 

I look forward to seeing the shimmering Christ there in Bonnevaux with you one day. Please keep this step into a new life for our community in your heart.

Happy Easter and blessings on all the coming days!

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.