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Quinta-feira da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Mateus 7,7-12

Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto.

A confiança nessas palavras é convincente. Mas podemos sentir que descrevem um mundo irreal, de hospitalidade fantástica, um mundo com finais felizes sempre. O universo não é tão acolhedor e amável assim. Todos os dias crianças choram por comida e perecem de fome, os inocentes rezam por justiça e são maltratados.

Ainda assim, a autoridade dele nos compele a escavar mais fundo que o nosso ceticismo para um novo manancial de significado. Esforce-se para a profundidade e logo parece estarmos mergulhando em queda livre, para um vale sem chão. A partir deste ponto a jornada para o silêncio do deserto torna-se mais exigente e mais compensadora a medida que experimentamos um despertar pelo qual não chegamos a solicitar ou barganhar.

Até agora, aprendemos somente a sentar quietamente nas quatro dimensões familiares de espaço e tempo – com uma postura ereta e simultaneamente confortável. Na meditação matinal os pensamentos voam ao nosso redor como vendavais. No final do dia, como mosquitos e coceiras. Mas logo percebemos que a quietude em si está nos revelando outra dimensão: uma jornada para o aprofundamento do significado, desconhecido, mais familiar, mais autoexplorador e rico do que poderíamos ter imaginado. Nós nos sentimos acolhidos nesta jornada: um sentido de volta ao lar, apesar do desconhecido, uma hospitalidade genuína e não uma consolação falsa.

A cada passo nesse caminho avança a transformação que está sendo trabalhada em nós. Nossa mente por si própria se torna mais lúcida e mais amorosa. Para sustentar esta jornada, passo a passo, dizemos o mantra: uma palavra que repetimos primeiro na mente superficialmente e finalmente no coração, ressonantemente. Com a prática, nós evoluímos de dizê-lo para ouvi-lo. Essa evolução interior é refletida nas mudanças de longo alcance em como interagimos com pessoas, trabalho e tempo. Nós vemos o significado naquilo que nos pareceu antes como meras contradições ou absurdos. De dentro do aparente absurdo de dizer que sempre receberemos o que pedimos, surge uma sabedoria de asas leves.

A palavra que recomendamos é maranatha: uma palavra sagrada na tradição evangélica, o Aramaico, a linguagem que o Jesus histórico falou. A palavra significa "vem senhor". Mas como o mantra é para deixar de lado todos os pensamentos, até mesmo o pensamento de seu próprio significado e, por dizer que o mantra é o trabalho do silêncio, não pensamos no significado quando o dizemos. Para a mente balbuciante, isso é refrescantemente desafiador. Você pode escolher outra palavra, mas os mesmos princípios se aplicam a qualquer palavra usada como mantra - é melhor se ela não estiver em sua própria língua e melhor dizer a mesma palavra continuamente ao longo de cada período de meditação, dia após dia. Isso planta a semente profundamente e permite que o crescimento aconteça, "como, não sabemos" como o evangelho diz.

A Meditação nos leva através do supercrescimento da selva de todos os nossos pensamentos, imaginação e sentimentos. É um caminho estreito - mas é melhor ter um caminho estreito na selva do que nenhum caminho. O mantra é um passo curto e um gigantesco salto de fé. Cada vez que retornamos a ele, damos outro passo no caminho. Porque, por mais tempo que nos afastemos dele, na vegetação rasteira de medos e desejos, estamos felizes em nunca dar mais que um passo para voltarmos ao caminho: simplesmente começamos a dizer o mantra novamente. Esse imediatismo nos introduz à dimensão do momento presente. Aqui, pedir e receber se tornam um.

 


 

Texto original em inglês

Thursday Lent Week One: Matthew 7:7-12

Ask and it will be given to you; search and you will find; knock and the door will be opened

The confidence in these words is compelling. But we might feel they describe an unreal world of fantastic hospitality, a world of always happy endings. The universe is not so welcoming and accommodating as this. Every day children cry for food and perish of hunger, the innocent pray for justice and are treated badly.

Even so, his authority compels us to dig below our scepticism for a deeper spring of meaning. Seek deeper and it soon seems we are plunging in freefall, toward a bottomless ground. From this point the journey into the silence of the desert becomes both more demanding and more rewarding as we undergo an awakening we did not bargain for.

So far, we have just learned to sit still in the four familiar dimensions of space and time – with an upright but comfortable posture. At the morning meditation thoughts fly around us like gales. In the evening, like mosquitoes and itches. But soon we see that the stillness itself is revealing another dimension: a journey into meaning deeper, stranger, more familiar, more self-verifying and richer than we could have imagined. We feel welcome on this journey: a sense of homecoming, despite the strangeness, a genuine hospitality not a false consolation.

Each step on this path advances the transformation being worked in us. Our mind itself becomes more lucid and more loving. To sustain this journey step by step we say the mantra: a word we repeat first in the mind superficially and eventually in the heart resonantly. With practice we evolve from saying it to listening to it. This interior evolution is reflected in the far-reaching changes in how we interact with people, work and time. We see meaning in what seemed to us before as merely contradictions or absurdity. From deep within the apparent nonsense of saying that we will always receive what we ask for, there arises a light-winged wisdom.

The word we recommend is maranatha: a sacred word in the gospel tradition, Aramaic, the language the historical Jesus spoke. The word means ‘come lord’. But as the mantra is for laying aside all thoughts even the thought of its own meaning and because saying the mantra is the work of silence, we don’t think of the meaning as we say it. To the babbling mind this is refreshingly challenging. You can choose another word but the same principles apply to any word used as a mantra – it is better if it is not in your own language and best to say the same word continuously throughout each meditation period from day to day. This plants the seed deep and allows growth to happen, ‘how, we do not know’ as the gospel says.

Meditation takes us through the jungle overgrowth of all our thoughts, imagination and feelings. It is a narrow path – but better have a narrow path in a jungle than no path. The mantra is a short step and a giant leap of faith. Each time we return to it, we take another step on the path. For however long we may wander off it, into the undergrowth of fears and desires, we are happily never more than one step from re-joining the path: we simply start saying the mantra again. This immediacy introduces us to the dimension of the present moment. Here, asking and receiving become one.