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Segunda-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

João 12, 1-11

A casa ficou cheia com o cheiro do perfume.

Esta semana é uma penetração do mistério de Jesus de Cafarnaum, que é o Cristo para aqueles que o veem com os olhos da fé. Viajar para qualquer mistério envolve encontrar novas dimensões da realidade, nas quais a mente lógica e o senso comum protestam contra a violação do absurdo. Isso não faz sentido. É tudo um mito. Tudo bobagem! Essas reações podem de fato estar bem enraizadas, por isso devemos ouvi-las com respeito: o diálogo com os ateus é melhor do que pregar aos convertidos. Mas elas também podem ser os sinais de que estamos progredindo pelos espaços interestelares e encontrando uma realidade que nos contém, e não a imagem de uma realidade que observamos através de um telescópio.

Nesta jornada de fé – pois a fé é uma jornada – podemos voltar aos acontecimentos passados ​​e ver o que eles revelam do presente e de nossa direção para o futuro. Conheci uma pessoa que quase se afogou e realmente viu sua “vida passar diante de seus olhos” como um filme voltando ou avançando, ele não sabia dizer qual das duas coisas. Um dia descobriremos por nós mesmos.

As histórias desta semana fazem a mesma coisa. Hoje assistimos ao flash back de uma refeição. Jesus comia muito – ou, pelo menos, comia com muita frequência. No jantar, uma vez, com amigos e convidados, Maria de Betânia abriu um pote de unguento caro e ungiu seus pés. A casa ficou cheia do perfume de nardo e do seu espírito de serviço.

Duas pessoas podem olhar para a mesma coisa e reagir de maneira diametralmente oposta. Alguns convidados do jantar devem ter sido transportadas pelo ato espontâneo e simbólico de Maria, que prestava uma carinhosa homenagem, e ter sido tocadas em seus sentidos pelo cheiro do perfume. Judas – que será um guia importante para nós ao longo do significado dos mistérios da Semana Santa e da Páscoa, e de quem estamos mais próximos do que gostamos de imaginar – reagiu de forma diferente. Olhou para a etiqueta de preço no frasco e reclamou do desperdício. Há momentos para barganhar e momentos em que o valor real transcende o valor do dólar.

O cheiro de perfume perdura muito além do momento em que é liberado. Na dimensão espiritual, ele se espalha além do tempo e do espaço, permanecendo no ar para sempre. Uma boa ação de puro serviço, um sorriso e um toque de ternura num momento de fracasso e pesar, um gesto fortuito que ilumina toda a verdade e abre o coração ao que ele não conhecia: na dimensão profunda que envolve todas as dimensões e na qual o passado e o presente se fundem, essas coisas são impossíveis de esquecer. Mahatma Gandhi certa vez comparou o evangelho ao perfume de uma rosa e apontou a distância que o cristianismo institucional havia tomado de seu Mestre. “Uma rosa não precisa pregar. Ela simplesmente espalha sua fragrância. A fragrância é seu próprio sermão [...] a fragrância da vida religiosa e espiritual é muito mais fina e sutil que a da rosa.”

 


 

Texto original em inglês

Monday of Holy Week: John 12:1-11

The house was full of the scent of the ointment.

This week is a penetration of the mystery of Jesus of Capernaum who is the Christ for those who see him with the eyes of faith. Travelling into any mystery involves encountering new dimensions of reality where the logical mind and common-sense protest at the infringement of absurdity. This doesn’t make sense. It’s all a myth. All nonsense! These reactions may indeed be well-founded, so we should give them a respectful hearing: dialogue with atheists is better than preaching to the converted. But they may also be the signs that we are making progress across the inter-stellar spaces and encountering a reality that contains us rather than the image of a reality we observe through a telescope.

On this journey of faith – such it is – we can flash backwards to past events and see what they reveal of the present and of our direction into the future. I met someone once who had almost drowned and did indeed see his ‘life pass before him’ like a movie being rewound – or fast-forwarded, he couldn’t say which. One day we will find out for ourselves.

The stories of this week do the same. Today we flash back to a meal. Jesus ate a lot – or at least frequently. At dinner once with friends and guests, Mary of Bethany broke open an expensive jar of ointment and anointed his feet. The house was filled with the perfume of the nard and of her spirit of service.

Two people can look at, or go through, the same thing and yet react in polar opposite ways. Some people at the dinner must have been transported by Mary’s spontaneous, symbolic act of tender homage and, then, felt it touching their senses through the scent of the perfume. Judas – who will be an important guide for us through the meaning of the Holy Week and Easter mysteries – and whom we are all closer too than we like to think – reacted differently. He looked at the price tag on the jar and complained about the waste. There is a time to bargain and a time when true value transcends dollar value.

Perfume lingers long after the moment it is released. In the spiritual dimension it spreads beyond time and space, unfading in the air forever. A good deed of pure service, a smile and tender touch in a moment of failure and grief, a chance gesture that illuminates the whole truth and opens the heart to what it never knew before: in the depth dimension that enfolds all dimensions and in which past and present merge, these impossible to forget. Mahatma Ghandi once compared the gospel to the perfume of a rose and pointed out how far institutional Christianity had travelled from its teacher. “A rose does not need to preach. It simply spreads its fragrance. The fragrance is its own sermon…the fragrance of religious and spiritual life is much finer and subtler than that of the rose.”