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Amando nossos inimigos

 

Nós temos problemas até em aprender a amar as pessoas mais próximas a nós. Então como podemos amar nossos inimigos?
Amar nossos inimigos é um ensinamento básico do evangelho e é um dos meios pelos quais Jesus mostra realmente a natureza de Deus.

Quando ele nos fala no Evangelho de São Mateus que precisamos amar nossos inimigos, ele relaciona a relação com aqueles que nos feriram diretamente na natureza de Deus: Deus que leva Seu filho a revelar-se igualmente entre os bons e os maus; Deus que não faz discriminação entre a chuva que cai da mesma forma para os bons e os maus; Deus que é gentil com os ingratos e os fracos (Mateus 5:45). Então este mandamento para amar nossos inimigos é um meio de ensinar-nos sobre a verdadeira natureza de Deus.

A maioria de nós tem uma imagem muito diferente de Deus. Nós não pensamos em Deus sendo gentil com os fracos; nós pensamos em Deus punindo os fracos. Mas isso não é o que Jesus nos fala de Deus. Ele nos fala que devemos nos tornar iguais a Deus. Devemos amar como Deus ama; nós precisamos ser perfeitos como o Pai Celestial é perfeito. Ele usa a ideia de amar a nossos inimigos como a chave para o entendimento de como fazer isso.
Ao amar as pessoas mais próximas a nós devemos afastar as projeções positivas, a forma como idealizamos as pessoas irrealisticamente. Ao aprender a amar nossos inimigos, devemos afastar as projeções negativas, a maneira como “despejamos” nos outros nossa própria raiva, nossas mágoa ou feridas, nossas culpas. Todos sabemos, ou provavelmente tenhamos exemplos em nossas vidas, onde percebemos (normalmente vemos mais claramente nos outros que em nós mesmos) como frequentemente criticamos os outros por culpas que nós próprios possuímos, mas não a reconhecemos e aceitamos em nós mesmos.

Aprender a perdoar envolve este complexo e deveras doloroso processo de abandonar nossas projeções para os outros. Nada é mais fácil, e pode nos dar uma certa satisfação imediata, do que acusar os outros pelo que está indo mal em nossas vidas. Este é o começo das perseguições e do holocaustro. Este é o começo da caça as bruxas, o começo de todos os tipos de desumanidades individuais e coletivas. É o prazer. É a parte terrível da natureza humana, que podemos ter prazer em acusar os outros por nossas culpas, projetar nossos próprios problemas em direção a eles, fazê-los de bodes expiatórios. Há um prazer perverso nisso. Acontece muitas e muitas vezes na nossa vida pessoal. É o lado negro da natureza humana. E novamente, é o trabalho da oração profunda que nos permite perdoar. Por que o único caminho é o caminho do perdão, por que Jesus faz disso o eixo central do ensinamento moral (isto é tudo o que ele nos diz para fazer: amar-nos uns aos outros incluindo, especialmente, nossos inimigos). Se pudermos aprender a fazer isso, aprenderemos a ir para além do ego, para além de nosso medo, para além de nosso ódio a nós mesmos e para além de nossas culpas, afastando o caminho pelo qual projetávamos estas coisas nas outras pessoas.

Passamos a perceber, pela meditação, que ninguém nos pode tirar o que e nosso. Nossa própria bondade, nossa própria identidade, é inalienável; não pode ser tirada. É por isso que devemos entender o perdão como um processo, um processo que nos leva ao profundo de nossa humanidade ferida,; perdão que só pode ser completo quando o vemos completo através do amor de Jesus por estes inimigos. Só pode ser completo se tivermos encontrado nosso verdadeiro eu. Nós somente sabemos perdoar quando nos conhecemos a nós mesmos.

 

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