Dom John Main, OSB - WCCM
"Uma Seleção de... " - Leitura de 02/11/2008
JESUS: THE TEACHER WITHIN (New York, Continuum: 2000) págs 130-131
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Para encontrarmos Deus, então, devemos perder Deus, ao menos nossas idéias e imagens primitivas de Deus.  Será doloroso nos desapegarmos dessas imagens familiares, tanto em caráter individual, quanto para a comunidade da qual fazemos parte. Trata-se de uma mudança em um nível profundo de nosso psiquismo.  Até mesmo uma pessoa leiga, sentirá estar perdendo algum tipo de Deus familiar e tranquilizador. A dor, assim como a felicidade, acompanha a descoberta do mistério vivente, pois os ídolos que precisamos destruir estão tão misturados nas imagens que fazemos de nós mesmos.

A sensação de separação de Deus, no entanto, é necessária à individuação espiritual. Para os religiosos, ela é particularmente dolorosa. O primeiro perfume que eles sentirem do Reino, poderá parecer menos com uma descoberta de Deus, do que com uma perda, ou mesmo uma rejeição sacrílega, do Deus que lhes fora ensinado com tanta certeza.

Porém, através do horrível vazio da ausência, encontra-se Deus... Lentamente, há o alvorecer da idéia que perder a imagem é o pré-requisito de encontrar o original. Perder-se no caminho é o verdadeiro caminho de buscar a Deus. Esta verdade acerca da visão de Deus revela uma outra lei, que podemos nem estar conscientes de estar obedecendo: de que para encontrarmos nosso verdadeiro Eu, devemos perder o eu do ego. Para aprofundarmos um relacionamento, precisamos nos desapegar do outro. Então, imperceptivelmente, a ausência se transforma no mistério da presença. Enfim, realizamos que a ausência de Deus, é apenas a falência de nossos recursos de compreensão, para nos darmos conta da presença real de Deus.

De acordo com São Tomás de Aquino, tudo que podemos dizer acerca de Deus acuradamente, é que Deus é, não o que Deus é. Nosso relacionamento com Deus está, portanto, relacionado ao mistério que somos para nós mesmos. Se é verdade que Deus permanece sempre um mistério para nós, também, é verdade que somos um mistério para nós mesmos. Afinal, o mistério é o de que sequer tenhamos existência, de que qualquer coisa deveria existir. Esse milagre é uma qualidade humana básica e, de acordo com Aristóteles, a pedra fundamental da filosofia. O milagre de ser humano é uma contingência do milagre do mistério de Deus. Esse caráter misterioso de Deus é a principal afirmação bíblica acerca de Deus. A compreensível incompreensibilidade de Deus é a peça chave da teologia cristã, apesar de todo o pensamento e ritual que esta acumulou.

“Se podes compreendê-lo,” nos diz Santo Agostinho, “então, não é Deus. Se fosses capaz de compreender, então teríeis compreendido algo em vez de Deus. Se fosses capaz de compreender até mesmo parcialmente, então, teríeis enganado a ti mesmo, com teus próprios pensamentos.”

Essa humildade (e humor) radical, perante o inefável mistério de Deus é a base da tradição cristã. Do centro dessa tradição brota uma autoridade que liberta. Seus mestres apontam o caminho, com um sábio não saber, uma ignorância humilde e aprendida, na direção do Reino.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã