Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
“Caríssimos Amigos” - Leitura de 03/01/2010
Laurence Freeman OSB, The WCCM International Newsletter, December 1996.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A meditação tanto é sacrifício, quanto louvor: o sacrifício do louvor. Praticar a meditação é a única maneira  de aprender o que a meditação significa, e como seu significado é muito mais do que aparenta ser para aqueles que dela querem frutos a curto prazo; e muito, muito mais do que aparenta ser para aqueles que pensam que pela meditação estão fazendo com que algo aconteça. Ao aprendermos a meditar, compreendemos como deveríamos repetir o mantra, e a maneira como repetimos o mantra é muito parecida com a nossa maneira de ser, a nossa maneira de amar, e a nossa maneira de viver o dia a dia. Deveríamos repetir o mantra sem impaciência, sem força ou qualquer intenção de violência.

O objetivo do mantra não é o de bloquear pensamentos. Não se trata de um dispositivo de bloqueio. Caso pensamentos nos acometam enquanto meditamos, oferecemos-lhes a outra face. Ao repetir o mantra suavemente, aprendemos com ele que é gentil e humilde de coração. Quando o mantra nos conduz à pura, espaçosa e ilimitada mente de Cristo, para além da nossa autoconsciência, para o verdadeiro silêncio, em que o próprio mantra torna-se silêncio, não nos encontraremos cronometrando sua duração ou registrando a experiência para futuras análises. Seremos transformados. Nossas vidas tornar-se-ão, mais e mais, um comentário de nossa prece. Nossa prece não mais consistirá de um infindável comentar acerca de nossas vidas. Nós mesmos nos teremos permanentemente tornado prece, que é o objetivo da via cristã.

Hoje, ao terminar esta carta em Londres, nossa comunidade de meditação ao redor do mundo estará relembrando a morte de John Main. A cada nascimento corresponde uma morte, e a cada morte corresponde um nascimento. O nascimento e a morte de Jesus foram eventos que transformaram este modelo universal. Nós nos lembramos do nascimento de Jesus apenas pela vida que ele vive em nós através da ressurreição. A luz da ressurreição consome o modelo de vida e morte, e nos permite ver todo o tempo, todos os seus modelos recorrentes, no presente momento da atenção de Deus para com toda a criação. A encarnação transcende toda reencarnação.

Assim, hoje, perto de nos lembrarmos do nascimento de Jesus, nos recordamos da morte de um dos seus mais devotados discípulos. Podemos nos lembrar dela com gratidão, pelo que nos ensina sobre o mistério de aceitar as surpreendentes e, muitas vezes dolorosas, ações do Espírito nos negócios humanos. Não podemos separar a dádiva da meditação, que se fez presente em tantas vidas através dos ensinamentos de Dom John Main, dele mesmo. Nem podemos identificá-la com ele. O que ele ensinou foi o que o Espírito lhe ensinou. Ele nos mostrou que a melhor maneira de receber um presente é a de compartilhá-lo. Este é o mistério da vida, que tanto o nascimento quanto a morte nos ensinam.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã