John Main OSB - WCCM
"As cartas da espiritualidade de John Main" - Leitura de 03/07/2011
John Main OSB, MONASTERY WITHOUT WALLS (Norwich: Canterbury, 2000), p. 127-28.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A dádiva da visão é uma das maravilhas da criação. Ganhamos poder para ver a realidade na qual vivemos, nos movimentamos, e temos nosso ser. Não se trata de uma dádiva que poderemos jamais possuir, pois trata-se de algo que continuamente estamos recebendo.


Ao devolvê-la, abandonando-a, a recebemos novamente ainda mais completamente. Por isso é que quanto mais meditamos, mais o fazemos sem exigências ou expectativas. Sem que o percebamos, somos possuídos pelo conhecimento de que Deus nos criou para compartilharmos no ser. Ainda assim, a luz da consciência para a qual nos expandimos é completa, em maneiras que a opaca luz da autoconsciência do ego jamais poderia ser. [...]


Trata-se do conhecimento essencial que necessitamos, todos aqueles que trilhamos humildemente a peregrinação da prece em direção à luz. Conhecimento é experiência. Trata-se também do Verbo, que uma vez pronunciado, conscientiza quem quer que o ouça. Nos convoca para sairmos do rígido padrão do passado, e nos inspira para respirarmos mais profundamente na realidade que se expande, e para posicionarmos nosso centro de consciência além da preocupação consigo. Trata-se de descobrir que nosso centro está em Deus. Como podemos chegar a essa jornada, é menos importante do que efetivamente iniciá-la. Para iniciá-la, torna-se necessário algum tipo de verdadeiro compromisso. Esse momento de auto-doação, de abandono do ego, é o buraco na parede do ego que, por mais que de início seja fugaz, permite a entrada da luz. A luz entrará cada vez mais poderosamente, até sobrepujar o que quer que bloqueie a translucidez.


Esse momento de compromisso está sempre ao nosso dispor. Não se trata de um ideal ausente, uma possibilidade teórica, porém, uma permanente realidade presente, acessível por meio da fé. A pergunta é: Estamos suficientemente presentes para nós mesmos, para vê-lo, para ouvir o convite, e responder? Todo momento é o momento, porque todo o tempo foi energizado com significado divino. “Agora é o tempo aceitável”. Todo tempo é o “momento de Cristo”. Assim como um amante, assim como um jardineiro, Deus espera pacientemente por nossa resposta, por nosso crescimento.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã