Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
"Caríssimos Amigos" - Leitura de 03/10/2009
CHRISTIAN MEDITATION NEWSLETTER, Vol. 31, No. 3, Outubro de 2007, pgs. 6 e 7.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Uma comunidade de amor não se dissolve quando seu tamanho aumenta ou diminui. Não se agarra aos amigos que atraiu, defendendo-se dos estranhos, ou cobra por inscrições, ou verifica as credenciais das pessoas. Não interrompe a exploração da experiência de amor da qual se originou e, que afinal, inevitavelmente, deverá conduzí-la a um cume do qual se descortina o amor ilimitado.

Quando John Main morreu, não havia muito de sua visão a ser mostrado... Havia uma pequena comunidade monástica e uma comunidade global ainda embrionária. Todavia, mesmo então, ele reconhecia que ela precisava mudar de rumo, ainda mais do ponto de vista institucional, e mais profundamente na direção do mistério de comunidade que se alcança ao preço da solitude. Ele entendia que a visão de sua comunidade de amor deveria se refletir nas pessoas, não em estruturas ou instituições. Antes de sua doença final, ele se sentiu atraído por uma vida mais retirada, para procurar compreender melhor sua visão da comunidade. Sua morte se transformou nesse passo em direção à solitude. Mesmo hoje, quando alguém celebra a expansão e a diversificação de sua missão ao redor do mundo, uma comunidade de amor que se espalhou em tão numerosas culturas, e penetrou tão numerosas formas de vida e faixas etárias, exceção feita aos monásticos, que ironicamente haviam constituído seu desejo mais imediato, não podemos confundir comunidade com instituição.

Seria errado, encararmos triunfalmente esta celebração da expansão de seu trabalho. A celebração é mais do que um triunfo; trata-se do crescimento e desenvolvimento pessoal. [...] Do mesmo modo que não medimos progresso na meditação por meio de resultados ou sensações, assim também o crescimento de uma comunidade de amor é pessoal, interior, e não estatístico. O aprendizado disso talvez seja o verdadeiro significado do crescimento de uma comunidade de amor: de que a interioridade e a exterioridade obedecem às mesmas leis. [...]

Uma comunidade de amor requer muito trabalho, assim como acontece com o trabalho interior da meditação, mas o seu mistério se vê na graça, como uma dádiva gratuita do espírito, que é quem desde o início dispara o trabalho, e presencia sua realização no eterno momento presente. É essa obra do espírito que celebramos. Trata-se de um trabalho em andamento, do qual John Main se tornou um grande e altruísta professor, [e] que incontáveis meditantes ao redor do mundo continuam.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã