Dom John Main, OSB - WCCM
"O Labirinto" - Leitura de 03/05/2008
Jesus The Teacher Within (New York: Continuum, 2000) pgs. 231-232.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Estaremos preparados para praticar o desapego com aquilo que, instintivamente, sabemos ser nossa posse mais preciosa: nossa distinta identidade? Neste ponto, é de suprema importância o relacionamento com [Jesus] o mestre. Ele nos permite colocarmos em risco nossa própria morte. Até aqui, a disciplina do mantra conduziu ao sentimento fortalecedor do discipulado, que nos capacita a nos abandonarmos.  Conseguimos deixar para trás nosso ser, precisamente por estarmos em união e, nunca estarmos sós.
As palavras de Jesus tornam-se verdadeiras em nossa experiência:

“Igualmente, portanto, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.”(Lc 14, 33)

Se é para abraçarmos a eternidade da plenitude de ser (o "Eu Sou" de Deus) precisamos primeiro encarar a dura realidade da impermanência e do vazio. A tentação é sempre a de reduzir a intensidade, de mergulhar num menor grau de consciência, até mesmo de dormir. O Buda alertou contra o anuviar da mente, neste ou em qualquer outro estágio da jornada, com tóxicos ou sedativos, estimulantes ou calmantes. Jesus exortou a todos para ficarem plenamente conscientes:

Estai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o tempo... Vigiai pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa chegará, se de tarde ou à meia noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que vindo de repente, não vos encontre dormindo. O que digo a vós, o digo a todos: vigiai! (Mc 13, 33-37)

Na carta aos Efésios Paulo diz que esta afirmação sobre vigilância conduz aos "poderes espirituais da sabedoria e da visão" até à gnose do conhecimento espiritual. Mas mesmo com uma fé forte, o doloroso sentido da separação não é imediatamente dissipado, mesmo quando a sabedoria começa a brilhar. A parede do ego pode parecer um obstáculo intransponível, um beco sem saída, nos deixando sem ter para onde correr.   Mas, tal como somos lembrados pela Ressurreição, o que parece o fim, não o é.   Ao encararmos nosso egoísmo entrincheirado e, reconhecendo sua morte vagarosa, a meditação nos ajuda a verificar nossa própria ressurreição em nossa própria experiência.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã