Dom John Main, OSB - WCCM
"A Luz que Vem de Dentro: O Caminho Interior da Meditação"
Leitura de 05/07/2009
(São Paulo: Paulus, 1989), pgs. 109-111
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Uma das maiores causas de tristeza e sofrimento é a incapacidade de se comunicar.  Muito freqüentemente aquilo que procuramos dizer, ou o meio de expressá-lo, distorce o que sentimos e o que queremos dizer. O repetido fracasso em nos comunicarmos pode acumular um terrível sentimento de que não conseguiremos comunicar o que verdadeiramente sentimos e o que queremos dizer. Se sentirmos que o nosso eu verdadeiro está permanentemente isolado dos outros e que nossos mais profundos sentimentos estão impossibilitados de comunicação para além de nós mesmos, então estaremos naquele isolamento subjacente a toda solidão e todo medo. Um dos efeitos mais poderosos da meditação é o de que ela confronta, diretamente, esta amarga sensação de isolamento...

Pela meditação nós a realçamos… e… não haverá onde se esconder. Não haverá como nos distrairmos dela, se estamos meditando. A meditação expõe, como uma dura e essencial verdade, que se você quer ser completamente humano, você precisa encarar o fato de que, se não podemos comunicar nosso verdadeiro eu aos outros, é porque nós mesmos ainda não entramos em contato com o nosso ser. Se nos sentimos isolados daqueles que nos cercam é porque estamos isolados de nós mesmos. Apenas quando soubermos quem somos, poderemos ser quem somos, poderemos nos comunicar com os outros. À medida que você medita, você entra em contato com o seu verdadeiro e comunicativo ser. Fazer isto, requer uma grande quantidade de trabalho real em perseverança na meditação.

A perseverança nos fará perguntar, "O que de fato nos isola do nosso verdadeiro ser?"
A meditação nos dá uma uma resposta simples. Não uma resposta fácil, mas uma simples. "Nada". Nada nos separa de nosso verdadeiro eu. Nada, exceto a falsa idéia que alguma coisa se interpõe entre eles. Esta falsa idéia é o que chamamos de ego.[...]  A cada meditação, pela manhã e à tarde, nós nos livramos de outra camada de auto-consciência. Primeiro deixamos para trás todas as idéias. Então, na próxima camada de consciência nos desprendemos da imaginação e deixamos todas as imagens para trás. Quando tivermos feito isto seremos, simplesmente, nós mesmos, sem camadas e nus. A isto, Jesus chamou de "pobreza de espírito." [...]

È uma bela pobreza de espírito. É um revitalizante caminho a seguir. Se há momentos difíceis, eles não impedem que seja feliz, belo e pacífico. É uma pobreza grandiosa porque nos liberta para vermos a luz de nosso verdadeiro ser e sabermos que somos aquela luz.
O mantra nos faz atravessar as camadas do pensamento, da linguagem e da imaginação, até a luminosidade pura da plena consciência. O mantra é muito simples, é como o 'bip' que guia um avião para aterrissar em meio à névoa, pois ao seguir o 'bip' o avião mantém o rumo. É como o cursor na tela do computador, que ao mesmo tempo segue e guia a mente. Onde esta o cursor também está o operador. O mantra é simplesmente o ponto focal onde brilha a luz do verdadeiro eu. Ao seguir meditando, podemos não sentir que isto ocorra durante os momentos da meditação, mas, não se preocupe e não espere que algo aconteça... Mas, se perseverar, então sua própria vida brilhará, lenta mas profundamente, com essa luminosidade interior. ...e saberá que a luz está ali, em tudo.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã