John Main OSB - WCCM
"Reverência" - Leitura de 05/12/2010
Laurence Freeman OSB, LIGHT WITHIN (New York: Crossroad, 1989), pgs. 92, 94-95.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

As pessoas religiosas tendem a ser mais conscientes de si. E, se formos honestos quanto à nossa auto-consciência, deveremos compreender a relação dela com a falta de reverência em nossa vida religiosa. Na verdade, poderemos nos surpreender com o fato de que nos mais sagrados momentos de nossa vida religiosa, nosso espírito de reverência esteja vergonhosamente vazio. Certamente, aquela irreverência barulhenta e movimentada em nossas igrejas, é algo que alguns não-cristãos frequentemente ressaltam. Eles ressaltam, por exemplo, a falta de silêncio ou de imobilidade física. Eles também ressaltam o tempo que dispendemos pedindo a Deus as coisas que desejamos.

Isso não significa que não nos devamos nunca movimentar em nossos assentos, ou que as palavras não sejam uma parte enriquecedora de nossa devoção. Mas, ... a meditação modifica nossa atitude em relação à devoção, porque nos ensina, a partir de nosso interior, essa nossa experiência, de que o Deus que adoramos está presente, e que é a sua presença que estamos adorando. A meditação torna nossa vida religiosa mais reverente, porque nos ensina, através da experiência da Presença que nos habita, que é na sua Presença, que adoramos sua Presença. Não estamos menos nele, do que ele em nós. Na interpenetração de sua consciência com a nossa, conhecemos porque somos conhecidos. A resposta mais natural a qualquer experiência em que conhecemos e somos conhecidos, é a do silêncio reverente. O silêncio conduz a um aprofundamento do conhecimento mútuo. [...]

Utilizamos tantas palavras. Ouvimos as mesmas palavras, as mesmas idéias, tantas vezes a cada dia, que elas se tornam embotadas para nós. Porém, muitas pessoas se lembrarão, de como elas podiam ouvir as palavras de São Paulo lidas por Dom John Main, como se elas as estivessem ouvindo pela primeira vez. Isso era uma encanto. Sem encanto, esquecemos que a realidade da qual estamos falando, e adorando, é real, está presente. A reverência e o encanto só crescem a partir de um contato direto com a Presença real. Do contrário, permanecemos trancados no nível do contato indireto, falando dele, pensando nele. Então, inevitavelmente, passamos a prestar atenção, de modo auto-consciente, na maneira como falamos, na maneira como o manifestamos, na maneira como explicamos; e, assim, desenvolvemos a auto-importância religiosa. O próximo passo é o de se tornar polêmico ou condenatório. Esta é a grande desgraça e tendência das pessoas religiosas, a consequência de se perder a reverência.

Todavia, o caminho que vai da auto-importância à reverência é tão simples. Não precisamos procurar arquitetar o contato direto com Deus, porque ele já foi feito. Ele é a Encarnação, o Verbo que se fez carne. Não precisamos polemizar nosso acesso àquela Consciência maior, porque ela já ocupou sua morada em nosso interior, não por meio da argumentação, mas, por meio do amor. A meditação é simplesmente saber isso.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã