Dom John Main, OSB - WCCM
"Caríssimos Amigos" - Leitura de 07/03/2010
Laurence Freeman OSB, Meditação Cristã: Newsletter da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, Vol. 33, No. 4, Inverno 2009-2010, pg. 6.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Parece-me haver cinco aspectos essenciais da vida espiritual, que por conveniência descreveria brevemente como sendo:

Entender as escrituras. Uma das piores feridas que nossa cultura se auto inflige é a rejeição que a fechada mente racionalista faz das escrituras sagradas da humanidade. Ela se compara apenas à heresia contemporânea do liberalismo, tão estúpida à sua maneira, quanto é cega a abordagem racionalista. Todos os nossos programas educacionais tem por prioridade a recuperação da apreciação e da sensibilidade espiritual da escritura, todavia ela demanda uma re-estimulação dos poderes de percepção necessários para nos despertar para eles.

Participar da Eucaristia. Não apenas “ir à igreja”, mas compartilhar a koinonia e o coleguismo do ritual místico que ali se desenvolve. Diferentes igrejas possuem variadas abordagens à Eucaristia. E, muitas hoje encaram todo ritual religioso, exceção feita àqueles que se beneficiam por serem novidade ou exóticos, como não tendo significado. Porém, nesse caso também, deve-se começar com algum despertar interior dos sentidos espirituais antes que a sensibilidade sacramental possa ser restaurada.

Manter-se atento à morte. Toda tradição de sabedoria dá muito valor a essa prática. Ela desafia a negação endêmica que a nossa cultura faz da morte. Essa negação explica as maneiras pelas quais, tanto nos entretemos com a violência nos meios de comunicação, quanto consideramos tão difícil reconhecer que dar nosso último alento. . . .não representa um fracasso, mas pode ser acolhido e abraçado no momento certo de nossa vida.

Pequenas gentilezas. Quando, certa vez, perguntaram a John Main qual seria a melhor maneira de se preparar para a meditação, foi isso que ele respondeu. Um sorriso, ou um gesto polido com que voltamos nossa atenção para outras pessoas, podem nos transformar, e a elas, momentaneamente. Em escala diferente, isso se aplica a todo nosso trabalho por justiça e paz, para o alívio do sofrimento ou para a educação dos jovens. O que quer que façamos continua sendo “pequeno”. Não podemos salvar o mundo todo com qualquer coisa que façamos. Todavia, tudo aquilo que fazemos faz uma diferença.

Repetir o mantra. Como nos diz João Cassiano, isso reúne todas as emoções da natureza humana e nos ajuda a nos adaptarmos a todas as situações. Trata-se de uma ação Eucarística porque, tal como a Eucaristia, revela e celebra a presença real. Ela desperta uma apreciação pela escritura que pode ressaltar a significância de qualquer experiência pela qual estejamos passando. Ela atinge a raíz de todos os medos, inclusive o medo da morte, porque nos ajuda a viver no momento presente, que inclui a continuada atenção à morte. A morte e a ressurreição são do momento. Finalmente, trata-se de uma ação da mais pura gentileza para conosco. E, fazendo-nos sentir melhor conosco mesmos, ela nos liberta e nos abastece para amarmos as outras pessoas.

Talvez, mais do que as afirmações desta carta, sejam as histórias que nos instruem de maneira mais útil. . . .Todavia, a tradição se constitui tanto das histórias, quanto das intermináveis reflexões e comentários da narrativa. E, necessitamos da tradição para conferir contexto e assistência à longa jornada espiritual que toda vida representa. Quando os Magos chegaram com seus presentes para o recém nascido Messias e se ajoelharam, eles representaram o início da lenta sujeição da magia à sabedoria na cultura humana. Contudo, na mesma história, nos reconhecemos como viajantes longínquos, e voltamos ao caminho que encontramos maravilhados com maior gratidão.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã