Dom John Main, OSB - WCCM
"Silêncio e Imobilidade para 21 de Março" - Leitura de 07/06/2009
The Heart of Creation (Darton, Longman and Todd, 1988).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A repetição do mantra é um ato de puro altruísmo. Toda vez que repetimos o mantra renunciamos, deixamos para trás nossos próprios pensamentos, nossas próprias preocupações, nossas próprias esperanças, nossos próprios temores. Ao perdermos essas propriedades ou posses do eu, perdemos o eu. Na repetição do mantra, nos tornamos, tal como a frase do Zen afirma, “o olho que enxerga, mas, que não pode enxergar a si mesmo”. A pessoa que medita é uma pessoa que olha para a frente. A própria visão se torna mais clara, porque nenhuma das imagens distorcidas do egoísmo pode, de modo algum, causar a refração da pura luz de Deus, que tanto penetra, quanto emerge dos olhos do coração.

A meditação é o caminho do amor, porque seu significado e propósito é a comunhão. Todavia, não podemos simplesmente encontrar uma linguagem adequada para falar acerca da meditação, e é por isso que o vocabulário budista, por exemplo, ou as frases de Jesus, são tão paradoxais para as mentes acostumadas com as meias-verdades da experiência mundana. Contudo, a afirmação de que devemos nos perder a nós mesmos, trata-se de um paradoxo verdadeiro e necessário, devemos deixar para trás nosso eu, completamente, de modo a encontrarmos nosso eu.

A palavra comunhão é tão boa quanto qualquer outra, para expressar a experiência da meditação: a de que estamos em união comum. Jesus e nós, unidos ao Pai. O caminho da meditação é um caminho para conhecermos a realidade, simplesmente porque, é apenas por essa mais completa e indiferenciada união com o Criador, que podemos viver plenamente a partir de nossas próprias raízes. Viver plenamente é nos conscientizarmos de nossa origem e, assim, viver plenamente a partir do poder de Deus. Para esta consciência, precisamos estar imperturbados. Necessitamos dessa férrea firmeza de propósito, que nos permitirá voltar a meditar, dia após dia; sem nos preocuparmos tanto com o progresso, ou a iluminação, ou o sucesso, mas, com o retorno humilde e fiel à nossa tarefa.

Como cristãos, nossos corações, na meditação, se voltam na direção do amor de Deus. Cada um de nós precisa descobrir e, então, relembrar, sabendo-o com absoluta clareza e certeza, que somos infinitamente merecedores de amor e, infinitamente amados. Precisamos saber disso, não apenas como uma proposição intelectual, mas, com conhecimento experiencial, em nossos próprios corações. Trata-se do mais importante conhecimento que existe, para qualquer um de nós, e é por isso, que a meditação é tão importante.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã