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"Caríssimos Amigos" - Leitura de 07/10/2012
Laurence Freeman OSB, Christian Meditation Newsletter, Agosto de 1997, pgs. 5-6


Talvez a amizade seja natural e necessária e, capaz de nos levar à amizade com Deus, que é amizade. Porém, há uma real e terrível parte de nós mesmos, que nega e rejeita isso.  Negamos a primeira afirmação de Deus acerca da pessoa humana, a de que não nos faz bem sermos solitários.  Ouvi isso recentemente em uma reunião de AA, quando um jovem descrevia sua lenta recuperação, um novo emprego, um recomeço em seu casamento com sua leal e carinhosa esposa.  Ele falava, com uma voz calma e baixa, acerca do impulso irresistível, contra o qual ele tinha que lutar, no sentido de se livrar da esposa e de todos os outros laços, para poder voltar para a bebida.[...]


Nem todos nós possuímos essa auto-consciência chocantemente clara do alcoólico.  E, ainda que não muitos de nós possam encarar a sombra em si mesmos, mesmo durante os mais débeis ataques dela, não obstante isso, todo casamento, amizade e comunidade, sofrem com a sombra do isolamento e do medo. . . .Talvez ela se forme na psique, pela crença de que não somos amados e, o pesadelo que a acompanha sempre, é o de que não sejamos merecedores de amor.[...]


A única maneira que temos, de lidar com nossa sombra, é a de caminharmos dentro dela. . . . No entanto, não podemos caminhar muito nela a sós, sem que haja desespero ou auto-destruição.  A amizade que se origina e, retorna, à amizade de Deus, aquela que Jesus compartilha com todo ser humano, nos permite caminhar na sombra sem medo.  A única maneira de resistir à sombra de um amigo, e curá-la, é a de caminhar nela com muita consciência.  Caminhar na sombra de outra pessoa é sofrer; podendo até mesmo, chegar a ser ferido mortalmente. . . .


Há, no entanto, uma irresistível razão, pela qual conseguimos encarar e abraçar nossa sombra.  È a de que Jesus, que é a luz do mundo, caminhou na sombra humana.  Ele arcou com o ônus da sombra a que denominamos pecado e, permitiu que ela o destruísse.  Porém, nessa destruição, ele permaneceu acordado e, até desceu mais fundo do que a “noite” de sua traição e morte, até o sub-mundo do qual se origina a sombra.  Sua descida ao inferno e, sua ascensão ao céu, nos dizem que não há sombra que possamos encontrar, que não tenha sido agraciada por sua luz.  Há ainda muita escuridão terrível no mundo e, nas relações humanas.  Porém, nele nunca existiu escuridão absoluta.  Nas piores sombras da vida, encontramos aquele que foi crucificado e ascendeu ao céu.[...]


Como caminhar em nossa própria sombra, permitindo, ao mesmo tempo, que ela seja iluminada.  Aqui, a meditação é o grande mestre.  Ao repetirmos o mantra, com fé e amor, na amigável presença de Cristo, melhor conseguimos abraçar e integrar nosso inimigo interior, para fazermos dele nosso servo, em vez de nosso tirano.  No devido tempo, ele poderá até se tornar nosso amigo e, nos ajudar a ver que nosso verdadeiro eu, sempre foi, e só pode ser, um Amigo.  Quanto mais longamente meditamos, mais nos damos conta do quanto o mantra é, em si mesmo, um amigo.  Assim como com todos os amigos, uma vez escolhido, devemos aprender a lhe ser fiéis.  No devido tempo ele atravessa a sombra do ego e, se funde na Palavra, que é Jesus e assim, na união, na amizade, com tudo. . . . Nesse caminho, aprendemos que os colegas de peregrinação são amigos.  Vemos que os amigos são outros “nós mesmos”, porque ao nos relacionarmos com eles, nos unimos com o verdadeiro ser, no qual não há divisões.  Vemos como é que Cristo, que nos escolheu como amigos e, nos testa de modo a poder nos admitir dentro da amizade que é Deus, é a passagem para a amizade com Deus.

 

 

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã