John Main OSB - WCCM
"Deixando as necessidades para trás" - Leitura de 07/11/2010
Laurence Freeman OSB, A Luz que vem de dentro (São Paulo: Paulus, 1989).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

[A meditação] não é um chamado para seguirmos um caminho de santa perfeição. Não se trata de um chamado para que nos tornemos heróis, ou gênios, nem mesmo um chamado para nos tornarmos extraordinários, em sentido algum. Trata-se de um chamado para que você seja a pessoa que você é, levando o tempo que for necessário para que você seja quem você é (quer seja de cinco ou de cinquenta anos): a pessoa que Jesus amou por meio da entrega da própria vida. . .

Desse modo, Pe. John apontaria para o Evangelho, e diria que o ensinamento da meditação é o ensinamento do Evangelho. No livro “A Palavra que leva ao Silêncio”, ele diz: “Todo o ensinamento de Cassiano acerca da prece se baseia no Evangelho”. Ele cita as palavras de Jesus: “Nas vossas orações, não useis de vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos. Não sejais como eles, porque vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes”. [...] (Mt 6, 7-8)

Existe uma grande exigência nas palavras de Jesus: “vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes”.  Trata-se da convocação ao silêncio.  Trata-se do convite à confiança.  O silêncio na meditação é a suprema expressão de nossa confiança em Deus, assim como, em qualquer relacionamento humano, pode ser a suprema expressão de confiança pessoal.  A partir da experiência da meditação, sabemos que a princípio, a exigência evoca algo assustador e quase impossível de ser compreendido: deixar para trás suas necessidades.  Como é que podemos deixar nossas necessidades para trás?  Nossa necessidade de autorrealização, nossa necessidade de empatia, nossa necessidade de compreensão, nossa necessidade de reconhecimento, nossa necessidade de todo tipo essencial de afirmação humana.  Deixar essas necessidades para trás parece-nos ser quase impossivelmente negativo, até compreendermos que, atendo-nos a elas, trilhamos a via que certamente nos mantém necessitados.  Atermo-nos às nossas necessidades é o mesmo que negarmo-nos a plenitude que se nos é oferecida no momento presente.  Ao nos atermos a elas, essas necessidades não são realmente necessidades, mas sim desejos.

Como é que as abandonamos?  A meditação nos responde de maneira muito simples.  Abandonamos  as necessidades deixando de pedi-las, deixando de fazer petições por elas, ao menos deixando de fazê-lo de maneira egoísta.  Deixando, de pedir para mim.  Toda prece da Missa é uma petição, porém, trata-se da necessidade da comunidade, na qual cada um transcendeu ou procura transcender seus próprios desejos e egoísmo distintos.  Sempre que rezamos pela vinda do Reino, é como se estivéssemos atirando nossos próprios desejos e necessidades distintos para trás e, sacrificando-nos ao Reino, como preparação para a comunhão.  As necessidades também são deixadas para trás, deixando de pensar nelas.  Este talvez seja o maior desafio: desviar-nos até mesmo do pensar em nossas necessidades, na confiança de que o Reino venha a se estabelecer, e de que realizemos a sua plenitude na extensão de nossa confiança.  Só precisamos confiar.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã