Dom John Main, OSB - WCCM

"Caríssimos Amigos" - Leitura de 07/12/2008
THE HEART OF CREATION (New York: Continuum; 1998), pg. 24-25
Tradução de Roldano Giuntoli

 

Em tempos de estresse e ansiedade, como os nossos, o tempo exerce pesada carga sobre nós. Sem significação, o peso intolerável do tempo e, paradoxalmente, seu fugaz desaparecimento, tornam-se uma crucificação, sem uma ressurreição. O elevado crescimento na incidência de doenças mentais da sociedade moderna, pode ser atribuído a isso. A meditação transforma nosso constructo mental do passado e do futuro, pelo aprofundamento da experiência do momento presente, o núcleo do significado da contemplação como “simples desfrutar da verdade”.

A morte, que concentra a mente, maravilhosamente, nos conduz a uma exaltada experimentação da realidade.  Cada momento precioso é saboreado e compartilhado com alegria e admiração. Os amantes que encaram a morte, desfrutam cada momento que lhes resta juntos, mas, eles não contam os segundos.  O momento presente não pode ser medido. Isto também é liberdade sem limites. A garçonete que te deseja “bom apetite”, quando você inicia sua refeição, compreendeu bem a questão.  Como podemos descrever o momento presente, exceto por referência ao tempo?

Não podemos, assim como não podemos falar da Palavra, sem usarmos palavras. Porém, o momento presente não está separado daquilo que imaginamos como passado e futuro. Ele contém o tempo.  Poderíamos dizer que experimentamos o momento presente, quando paramos de contar ou de olhar para o tique-taque dos segundos que se vão.  O alvorecer se dá quando realmente entendemos que o momento presente é literalmente todos os momentos, sucessivos a ponto de serem ininterruptos, sem que qualquer momento corresponda a um piscar de olhos, ou seja desperdiçado, esquecido ou ignorado. Trata-se de estarmos completamente acordados para tudo. Aqui e agora.

Este é o último paradoxo... Como podem coexistir o tempo e a eternidade? No entanto, a meditação... nos mostra que podemos viver no agora eterno, enquanto escrevemos relatórios sobre as reuniões de ontem e, planejamos nossas reuniões de amanhã. A cura pode se dar por ocasião de nossa morte. Podemos entender por que a tradição védica dramatiza tanto tudo isso, quando diz que este mundo é uma ilusão, apenas um mundo de sonho, do qual acordaremos, tal como acontece quando assistimos um filme na tela e, então acendem-se as luzes e apaga-se o projetor.

Dom John e a tradição cristã, não gostam de dizer isso, pois isso diminui o paradoxo da encarnação, bem como a experimentação do amor humano, no dia-a-dia e, ao longo dos anos da peregrinação de nossa vida. Ainda assim, à luz do momento presente, tantos de nossos pensamentos e pressuposições mostram-se ilusórios, tantas ansiedades se evaporam, tantas crises desaparecem e, tantas de nossas pendências parecem ser liberadas. No entanto, Dom John não minimiza a purificação da mente, que precisa ser feita primeiro:

Porém, isso também precisamos compreender, Eu confundiria seriamente o leitor, caso não procurasse colocá-lo tão claramente quanto possa: a purificação que conduz a essa pureza de coração, que conduz à presença em nosso interior, é um fogo que consome. E, a meditação é a entrada nesse fogo. O fogo que calcina tudo que não seja real, que calcina tudo que não seja verdadeiro, que não ame.  Não devemos temer o fogo. Devemos ter absoluta confiança no fogo, pois o fogo é o fogo do amor. O fogo é ainda mais, este é o grande mistério de nossa fé, é o fogo que é amor.

Repita seu mantra.  Se realmente o repetirmos, não poderemos estar em outro lugar, a não ser aqui e agora.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã